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Lin-Manuel Miranda: a promessa cumprida da Broadway

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Saiba quem é o gênio por trás dos maiores sucessos da Broadway e do cinema musical, como Hamilton e Tick, Tick… Boom nos últimos anos

Por Maria Lacerda | Culturadora

Se você está acompanhando o início da temporada de premiações, ou é fã do cinema musical, provavelmente já escutou alguma coisa sobre Encanto e Tick, Tick… Boom. Mas uma coisa que nem todo mundo sabe é que os dois filmes têm um denominador comum: Lin-Manuel Miranda.

Inspirado por suas origens latinas, apesar de ser nascido e criado nos Estados Unidos, Lin começou a escrever musicais ainda na faculdade. O artista (compositor, dramaturgo, rapper, produtor…) já relatou que, como não encontrava um lugar para si nos musicais já existentes, resolveu criar o(s) seu(s). 

O resultado veio. Lin é um dos maiores nomes dentro do cenário do teatro e do cinema musical. O nova-iorquino já conquistou uma merecida estrela na Calçada da Fama, em 2018, e só precisa de um Oscar para se tornar um EGOT – artista premiado com Emmy, Grammy, Oscar e Tony Awards.

Washington Heights

Filho de imigrantes porto-riquenhos, Lin é nascido e criado em Nova York, no bairro Washington Heights. Suas origens latinas e seu carinho por seu barrio serviram de inspiração para a criação de seu primeiro musical na Broadway, In The Heights, criado quando ele ainda estava terminando a faculdade, em 2004. 

O projeto, que trás um pouco de rap, salsa e muita inspiração latina, passou um período pelo circuito Off-Broadway. Em 2008, a peça estreou na Broadway e, logo no primeiro ano, conquistou Tonys, Grammys e uma indicação ao Pulitzer. Ah, o musical teve uma montagem brasileira em 2014, Nas Alturas – Um Musical da Broadway.

Se o nome te parece familiar, saiba que não é à toa. Estrelado por Anthony Ramos, que também está no elenco original de Hamilton, a adaptação cinematográfica, Em um Bairro de Nova York, foi lançada no ano passado e, mesmo sem ter feito tanto sucesso, tem seus méritos.

Non-stop 

Em 2012, Lin também foi responsável pela adaptação musical de As Apimentadas, ao lado de Tom Kitt. Apesar de não ter um sucesso tão expressivo, a peça foi indicada ao Tony de Melhor Musical. 

Em 2014, Lin criou o que alguns chamam de “o menor musical do mundo”, 21 Chump Street. Sendo assim, com 15 minutos e um ato, o musical é baseado no episódio What I Did For Love, da série This American Life. 

Aí percebemos a primeira semelhança entre Lin e seu personagem – e produção – de maior sucesso, Alexander Hamilton. “Cara, o cara é implacável!”

What’s your name, man? 

A primeira vez em que ouvi o nome de Lin foi quando me apresentaram um musical que contava a história de um dos pais-fundadores dos EUA através de rap e hip hop. De cara, confesso que a premissa não me convenceu, mas não precisei terminar o primeiro ato para ver a genialidade que aquele projeto carregava.

Inspirado no livro Alexander Hamilton de Ron Chernow, tal musical era Hamilton: Um Musical Americano, que estreou na Broadway em 2015 e se tornou um dos maiores fenômenos da década do teatro musical. Na versão original, a peça conquistou 11 Tony Awards (o Oscar do teatro), 1 Grammy e 1 Pulitzer.

Mais de 6 anos depois, ainda é difícil conseguir um ingresso para assistir o musical. Felizmente, uma versão filmada do musical foi lançada no Disney+ no ano passado, conquistando 2 Emmys e expandindo ainda mais o alcance da peça que já tem montagens na Inglaterra, Australia 

Alexander Hamilton

Logo na música de abertura, Alexander Hamilton, um coro entre os personagens afirma que “o mundo nunca mais vai ser o mesmo” depois do protagonista. Mas acho que nem mesmo Lin esperava que essa frase se tornasse uma predição sobre seu próprio trabalho e influência no meio do teatro – e do cinema – musical.

A peça aderiu ao método colorblind casting, onde a etnia e a cor da pele do ator não influencia na escolha de qual personagem vai interpretar. Dessa maneira, vemos as principais figuras responsáveis pela fundação dos Estados Unidos da América sendo interpretadas por um elenco mais que diverso, que inclui Lin como o protagonista do elenco original.

Lançado em um período onde a imigração era um tópico recorrente nos EUA, o musical destaca a importância dos imigrantes para a emancipação do país. O próprio Hamilton saiu de uma ilha do Caribe e acabou escrevendo mais de 50 das emendas da constituição norte-americana. Nas palavras do próprio musical: “Imigrantes, nós completamos o trabalho!” (Immigrants, we get the job done!)

Não vou gastar – mais – tempo explicando sobre o enredo ou sobre a importância do musical, mas saiba que as 3 horas de musical, que estão há um streaming de distância, são realmente imperdíveis. Voltando ao assunto principal do texto, vamos falar desse tal de Lin-Manuel Miranda. 

Cinema e atuação

Apesar de não ter uma voz tão melodiosa quanto à dos companheiros de palco, a presença de Lin se faz perceber em qualquer obra que tenha seu dedo. O talento ímpar do artista acabou chamando a atenção da indústria e, por isso, o ator acumula alguns papéis no currículo, como presenças na série Sopranos e no longa 200 Cartas.

Mas o nova-iorquino se destaca mesmo quando o assunto é música. Em 2014, Lin colaborou com Mark Mancina e Opetaia Foa’i para desenvolver a trilha sonora de “Moana”, da Disney. Além de indicações ao Globo de Ouro e ao Critics Choice Awards, a participação quase entregou a Lin o seu primeiro Oscar.

Em 2018, atuou ao lado de Emily Blunt no longa musical O Retorno de Mary Poppins. Em 2019, ele produziu e atuou na minissérie Fosse/Verdon, da FX. Já em 2020, Lin entrou para o elenco de His Dark Materials da HBO, nos dois últimos casos, sem música. 

Ah, em 2021, Lin também participou da adaptação de In The Heights, com um papel especial. No mesmo ano, o artista também produziu músicas e dublou o personagem principal da animação A Jornada de Vivo, da Netflix.

Presente e futuro

Dois lançamentos fazem com que 2022 seja um ano promissor para Lin-Manuel Miranda, Encanto e Tick, Tick… Boom. Apesar das claras diferenças de tom e audiência, os dois carregam traços da originalidade de Lin e são fortes concorrentes para a temporada de premiações, podendo completar o EGOT do nova-iorquino. 

Lançado no fim de 2021, Encanto é uma nova carta de apreciação à cultura latina. Através de uma grande família, onde cada um tem um super poder – exceto pela protagonista – Lin abraça a complexidade das relações familiares latino-americanas através de músicas super cativantes.

Já Tick, Tick… Boom, protagonizado por Andrew Garfield no papel de outro gênio do teatro musical, Jonathan Larson, é a estreia de Lin como diretor. Como ator, ele interpretou Larson em uma produção Off-Broadway de 2014.

Não é querendo ser clubista, mas a homenagem ao criador de “Rent!” o solidifica ainda mais como um artista que, além de tudo, é capaz de desenvolver narrativas completas e bem aprofundadas.

Só o tempo vai dizer se a temporada de 2022 vai ser mesmo o momento em que Lin-Manuel Miranda entra para o seleto grupo de 16 pessoas que conquistaram os maiores prêmios da indústria do entretenimento – aquele EGOT. Apesar disso, uma coisa é fato: merecimento e talento não faltam. Por isso, a gente fica na espera do próximo projeto de um dos maiores talentos do teatro e do cinema musical.

Lin-Manuel Miranda na estreia de "Tick, Tick... Boom" Foto: MARIO ANZUONI / REUTERS
Lin-Manuel Miranda na estreia de “Tick, Tick… Boom” Foto: MARIO ANZUONI / REUTERS

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