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José Saramago: cinco livros para embarcar na narrativa do autor

Escritor português marcou a história da literatura e ganhou o Nobel e o Prêmio Camões

Por Jaiane Souza *

29/05/2020 às 11:02 | *Colaborador

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Foto: Ander Gillenea / Getty Images

Há 10 anos morria José Saramago, escritor português vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, e do Prêmio Camões, em 1995, o mais importante da língua portuguesa. Nome fundamental da literatura contemporânea, Saramago deixou um legado de obras que abordam a sociedade, fazendo críticas à política, reescrevendo religião (a exemplo de O evangelho segundo Jesus Cristo) e também criando realidades alternativas, vide Ensaio sobre a cegueira

Nascido em uma aldeia de Portugal em 1922, se mudou para Lisboa com a família quando tinha dois anos e sempre demonstrou interesse pelo aprendizado e pelas artes. Trabalhou como serralheiro mecânico, servidor público, tradutor de nomes como Tolstói, Baudelaire e Hegel. Atuou também em jornais, para os quais escrevia crônicas.

A partir de 1975, passou a se dedicar exclusivamente à literatura. Antes disso, já tinha publicado um livro aos 25 anos. O romance Terra do pecado conta a história de uma mulher que se sentia culpada após a morte do marido.

Na primeira obra já é possível perceber o tom cético de José Saramago em relação à religião. Ateu, fazia críticas e reflexões sobre como a crença interferia na vida das pessoas. E esse tipo de narrativa perpassou toda a sua produção, sendo mesclada ao estilo único que marcou o século XX. José Saramago morreu no dia 18 de junho de 2010. 

Estilo

O fato é: tem gente que tem um pouco de receio de ler as obras “saramaguianas” e gente que se delicia. Isso porque a produção literária do autor tem diversos aspectos particulares e inovadores. Só para exemplificar, ele faz uso de parágrafos grandes e pouquíssima demarcação de variação do discurso.

Então, se há um diálogo, ele não é marcado por travessão ou aspas. Pode parecer um desafio pensar em uma narrativa assim, mas, quando você pega no tranco, a leitura flui como em uma conversa. Isso resulta em outra marca do autor: a oralidade. Alguns estudiosos, inclusive, atrelam essa característica à história do artista, já que a família teve pouco acesso à educação e, em determinada época, ele mesmo precisou sair da escola por falta de recursos. 

Em resumo, bem resumido mesmo pois a história do autor e estilo são bem mais complexos que isso, José Saramago muitas vezes subverteu a norma da língua portuguesa e escreveu obras primas entre romances, contos, crônicas e até poesia. Pensando nisso, selecionamos cinco obras para você ler, reler e embarcar na literatura do autor.

Confira!

jose saramago

Foto: Fundação José Saramago / Flickr

Memorial do convento

Publicado em 1982, o romance é caracterizado pela união entre a narrativa histórica e ficcional, pois conta a história do reinado de D. João V, que mandou construir o Palácio Nacional de Mafra (conhecido como convento) com o diamante e ouro originários do Brasil Colônia. Ao mesmo tempo, retrata e faz críticas à exploração trabalhista da época. Para isso, foca nos operários Baltasar e Blimunda, que conhecem o Padre Bartolomeu de Gusmão, pioneiro na aviação. Juntos iniciam a construção de uma espécie de avião que voa em direção ao sol. Por subverter às regras eles são perseguidos pela Inquisição.

O livro é considerado um dos melhores de José Saramago, tendo sido traduzido para mais de 20 línguas e já ter mais de 50 edições. 

O ano da morte de Ricardo dos Reis

Neste livro de 1984, José Saramago faz o leitor sentir o clima que permeava o ano de 1936: envolvido pela ditadura de Salazar, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Civil Espanhola e a expansão do nazismo na Europa. Para isso, narra a história do retorno de Ricardo dos Reis para Portugal após 16 anos de autoexílio no Brasil. Ele precisa sair de um lugar de contemplação e lidar com a nova realidade. 

Saramago decidiu escrever o livro porque, diferentemente da biografia de Alberto Caieiro, heterônimos de Fernando Pessoa, Ricardo dos Reis e Álvaro Campos não têm as suas mortes relatadas ou registradas. Dessa forma, depois da morte de Pessoa, o autor resolveu finalizar a história.

O evangelho segundo Jesus Cristo

A partir de uma visão crítica e moderna sobre o assunto, José Saramago reconta a história de Jesus de uma forma mais humanizada, tudo sob a perspectiva do próprio Cristo. Sendo assim, mostra o nascimento dele e explora as  inseguranças, dúvidas, anseios e até os pensamentos. O diferencial nessa obra é tentar contar e entender o que se passava na cabeça de um homem considerado fundamental na história da crença da humanidade.

Na época do lançamento, 1991, o livro foi tão polêmico que chegou a ser censurado, o que causou até a mudança de Saramago de cidade. No entanto, acredita-se que a censura foi, também, por causa da posição política, já que saramago sempre se declarou comunista. 

Ensaio sobre a cegueira

Esse é um dos livros mais conhecidos de José Saramago. Ele conta a história de uma epidemia de cegueira sem precedentes que se espalha por uma cidade causando o caos. Entretanto, trata-se de uma cegueira “branca”, na qual as pessoas veem tudo branco como leite. A obra é, definitivamente, uma reflexão sobre empatia. O autor provoca no leitor o mix de sensações que passam pela tristeza, medo, raiva, alegria, ansiedade e até pelo nojo. É também um convite à reflexão sobre o mundo contemporâneo.

O próprio José Saramago classificou o livro como “terrível”, sofrido para escrever. Sendo assim, o que você pode esperar é um livro arrebatador em diversos sentidos. Ele também ganhou uma versão para o cinema dirigida por Fernando Meirelles.

Caim

De volta aos assuntos bíblicos, Caim foi o último livro publicado por Saramago ainda vivo. Na obra, se volta ao Antigo Testamento, explorando desde a história do Jardim do Éden até o dilúvio. Para isso, narra o que houve depois de Caim matar Abel. Após fazer um pacto com Deus, ele inicia uma jornada rumo ao Éden. Para construir a história, o autor refaz passagens da Bíblia sob outra perspectiva, assim como fez em O evangelho segundo Jesus Cristo. Tudo isso, assim como em outros livros, é escrito com a veia que beira o humor e estilo consagrado de José Saramago. 

Assim como O evangelho, Caim foi muito criticado pela Igreja Católica. Mesmo assim, só em Portugal, foram vendidos mais de 70 mil exemplares nos primeiros dez dias de lançamento.

 

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