Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Conheça o poeta e arte-educador belo-horizontino jomaka

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Neste sábado, dia 8 de junho, jomaka lança, na Livraria Quixote, o segundo volume da trilogia iniciada com “Generalidades ou Passarinho Loque Esse”

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Em 2020, quando lançou o primeiro livro, “Generalidades ou Passarinho Loque Esse”, o mineiro jomaka definitivamente não esperava o que estava por vir. “Foi surpreendente para um livro de estreia, para alguém como eu”, diz ele, para depois explicar. “Sou um artista cuja manifestação se dá a partir de vivências. Primeiramente, a vivência no mundo da loucura, pois estive por alguns anos preso aos manicômios, psiquiatria, farmacologia. E, para além de vários diagnósticos e internações, também sou uma pessoa trans. Ou seja, já de início foi uma surpresa ser publicado, ser reconhecido como autor e, num segundo momento, chegar a uma editora (a Impressões de Minas) da forma como cheguei”.

O escritor, poeta e arte-educador mineiro jomaka, que lança segundo livro neste sábado (Acervo Pessoal)
O escritor, poeta e arte-educador mineiro jomaka, que lança segundo livro neste sábado (Acervo Pessoal)

A história já teria um final feliz, mas não parou por aí. “Generalidades ou Passarinho Loque Esse” teve as duas primeiras edições simplesmente esgotadas. “E a terceira edição também não está muito fácil de se encontrar. Na verdade, estamos organizando para que haja um nova tiragem”, festeja ele. No total, diz o escritor, já foram mil livros rodados. Enquanto a quarta edição não vem, a boa notícia é que o segundo título do que desde sempre se configurou, na cabeça de jomaka, como uma trilogia, será lançada neste sábado, dia 8 de junho, no Livraria Quixote. Trata-se de “embreagencer”.

“Ouvido Falante”

“embreagencer” traz capa de Sofia Coeli, texto da orelha assinado por Marcelino Freire e epígrafe com poema inédito de Nívea Sabino. Não só. O prefácio é de Marta Neves, enquanto o projeto gráfico e revisão, de Elza Silveira. Ilustração de Madu Machado. Antes de seguir em frente, é preciso dizer que o livro faz parte da Coleção Ouvido Falante, série que tem curadoria de Elza Silveira, Nívea Sabino e Pedro Bomba. No geral, o objetivo é publicar “poetas que, no seu fazer artístico de tessitura da palavra, optam por partilhar seus trabalhos em diferentes espaços coletivos da Poesia Falada – Saraus, Slam’s e Rodas de Poesia”.

O lançamento de “embreagencer”, de jomaka, vai contar com um bate-papo entre o autor e a poeta Nívea Sabino. A iniciativa vai versar sobre oralidade e os processos de edição da Coleção Ouvido Falante (Impressões de Minas Editora), da qual Nívea, como já dito, faz parte do conselho editorial. E, também, como não poderia deixar de ser, leitura de trechos dos livros de jomaka.

Trilogia

jomaka conta que desde que começou a escrevinhar o primeiro livro já sabia que estava se enfronhando em uma trilogia. “Ali, já tinha em mente um desenrolar. Esbocei personagens e sabia que aquelas histórias iriam continuar. Trata-se de um livro de poesias. “Poesias do cotidiano, transcrição do que se vê e do que se ouve. Um livro que provoca um olhar sobre a loucura e sobre o que pensamos ser loucura. Afinal, o que é loucura? Não há narrativa e versos como se espera encontrar, ainda assim existem imagens e existe muita vida”, reflete ele, ao Culturadoria.

Do mesmo modo, ele explica que “embreagencer” é um livro-movimento, ou um livro em movimento, bem como “um encontro da Literatura com a Loucura”. “Ser em movimento. Ser poesia. Rudá é o protagonista que resolve endereçar pelo Brasil e, assim, tem oportunidade de se encontrar, de se transformar”. Perguntado sobre o fecho da trilogia, jomaka conta que o terceiro livro está em construção diária. “Tenho escrito muito ultimamente e logo mais poderei costurar os escritos e desenhos para fechar a história. Se depender de mim, no ano que vem ou, no máximo, no outro, já teremos o livro 3”.

Sobre o autor

Nascido em Belo Horizonte, jomaka tem 33 anos. O nome, conta ele, é uma brincadeira com o nome João Maria Kaisen de Almeida. “Como um acróstico. Inicialmente, brinquei com maiúsculas e minúsculas, assim, era JoMaKA. Agora, prefiro que as letras sejam todas minúsculas: jomaka”. A paixão por livros vem desde que se entende por gente. “Eu me lembro que desde criança era apaixonado por livros. A escrita também chegou na minha vida na infância”.

Assim, gostava de desenhar e fazer diários. “Livros, cadernos, canetas coloridas eram minha diversão e minhas companhias preferidas”. Profissionalmente, a trajetória de jomaka se inicia a partir dos encontros em saraus e rodas de poesia. “Todo este universo me encanta e eu me senti pertencente desde a primeira vez que pude ir. Acredito que só escrevo porque leio e porque ouço palavras faladas por aí…”.

Combustível

Hoje, considera que o combustível, para além de vivências, está na leitura de variados estilos, “nas trocas e nos ouvidos”. “Eu me lembro que em 2013/2014 comecei a criar zines de poesia. Posteriormente, em 2018, tive a oportunidade de lançar a primeira versão do livro ‘Generalidades ou Passarinho Loque Esse’, numa parceria com o projeto Bolha, do artista Sérgio Salomão”. Abaixo, jomaka com os dois primeiros títulos da trilogia (foto: Acervo Pessoal)

No ano seguinte, foi publicada uma segunda edição, em formato de bolso e disponível em áudio book. Já em dezembro de 2020, o livro chega à terceira edição, agora a convite da editora Impressões de Minas, que também publica o livro 2.

Trajetória

jomaka também foi organizador da “Coletânea Academia TransLiterária”, da editora Marginália. Teve poema traduzido para o espanhol, no livro “Pequeña antología trans brasileira”, editora elle_elu, e publicou o conto inédito “cartão amarelo ou gol contra”, na revista virtual da Ria Livraria. Assina textos publicados em coletâneas, antologias, revistas, além de dramaturgias e roteiros para audiovisual. Em sua trajetória, desenvolveu trabalhos na área da performance com participação, por exemplo, em duas edições da Balada Literária (SP).

Tal qual, no evento em comemoração ao centenário da semana de 22, Modernismo em MG, no Palácio das Artes. Na área da arte-educação, desenvolve projetos de promoção à leitura, por meio de oficinas/ateliês, como escrita criativa e poesia em movimento. Isso, em diversos aparelhos públicos, bibliotecas e centros culturais de Belo Horizonte. E, mais recentemente, no projeto Ateliê circulante, do Inhotim. Em 2024, foi selecionado autor de Minas Gerais para o Arte da Palavra – Circuito de Autores, rede nacional SESC de leituras (foto acima/divulgação do autor).

Serviço

“embreagencer” (Impressões de Minas | Coleção Ouvido Falante)

Onde. Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi)
Quando. Neste sábado, 8 de junho, a partir das 14h

Instagram: @poetajomaka

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