Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Jeferson Tenório abre a temporada 2024 do Sempre um Papo

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Autor de “O Avesso da Pele”, Jeferson Tenório vai debater o tema “O avesso da censura: o papel da literatura em ambientes conservadores”

Agência Brasil + Redação Culturadoria

O escritor Jeferson Tenório abre a temporada 2024 do projeto “Sempre um Papo” na próxima quinta-feira, dia 14 de março, no Teatro José Aparecido de Oliveira (Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais). Inicialmente, a data informada foi a de 13 de março, mas, nesta sexta (8), o evento fez uma alteração. Assim, na quinta, a partir das 19h30, pois, o autor de “O Avesso da Pele” vai debater o tema “O avesso da censura: o papel da literatura em ambientes conservadores”. O encontro, conforme o material do Sempre um Papo esclarece, “terá a marca da defesa da liberdade de expressão na criação literária”. Do mesmo modo, o “expresso apoio das forças democráticas ao escritor”.

Jeferson Tenório, autor do premiado livro "O Avesso da Pele" (Carlos Macedo/Divulgação)
Jeferson Tenório, autor do premiado livro "O Avesso da Pele" (Carlos Macedo/Divulgação)

Primeiramente, o criador do Sempre Um Papo, o jornalista e escritor Afonso Borges, fará, na ocasião, um desagravo de apoio a Jeferson Tenório e, tal qual, à obra “O Avesso da Pele”. Além disso, o evento promoverá uma leitura de trechos do livro feita por voluntários. Assim, o evento será transmitido ao vivo no YouTube do projeto.

Celeuma

Todavia, antes de seguir em frente, é preciso lembrar os episódios envolvendo Jeferson e o livro “O Avesso da Pele”, que chegou até mesmo a ser recolhido em alguns estados brasileiros. Como lembra matéria da Agência Brasil, na segunda-feira (4), o Núcleo Regional da Educação de Curitiba, da Secretaria de Educação do Paraná, por exemplo, soltou um ofício sobre a publicação. Nele, determinava a entrega de todos os exemplares à sede do núcleo, até esta sexta-feira (8). Desse modo, ainda segundo o documento, na sequência, a obra “passaria por análise pedagógica e posterior encaminhamento”.

Justificativa

Em nota, a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) disse à Agência Brasil que habitualmente conduz a revisão dos materiais incluídos no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).  “A medida visa apoiar os professores no trabalho pedagógico aliado ao currículo e aos objetivos de aprendizagem em cada uma das etapas de ensino, a partir do conteúdo exposto nas obras literárias disponíveis”.

Especificamente sobre a obra “O Avesso da Pele”, a Seed-PR reconheceu que a temática abordada é verdadeiramente importante no contexto educacional. Porém, a secretaria pontuou, à Agência Brasil, que a análise do livro “se mostrou necessária”. E assim justificou: “Em determinados trechos, algumas expressões, jargões e descrição de cenas de sexo utilizados podem ser considerados inadequados para exposição a menores de 18 anos (janela etária da maioria dos alunos de ensino médio no estado)”. Ainda segundo a matéria da Agência Brasil, a Secretaria de Educação paranaense fundamenta a decisão “em respeito aos próprios estatutos legais da lei brasileira, de salvaguarda à criança e ao adolescente, no que diz respeito à exposição aos referidos conteúdos”.

O autor

Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é doutor em Teoria Literária pela PUC-RS. Foi colunista do jornal Zero Hora e do UOL/Folha de S. Paulo até abril de 2023. Foi professor visitante de literatura na Brown University, EUA. Teve textos adaptados para o teatro e contos traduzidos para o inglês e o espanhol. É autor de “Estela sem Deus” (2018) e “O Avesso da Pele” (2020), que venceu o prêmio Jabuti. A obra teve os direitos vendidos para países como Portugal, Itália, Inglaterra, Canadá, França, México, Eslováquia, Suécia, China, Bélgica e Estados Unidos.

Em sua rede social, como lembra a Agência Brasil, o autor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 2021 na categoria Romance divulgou a cópia do ofício paranaense. Do mesmo modo, escreveu que nenhuma autoridade tem o poder de mandar recolher materiais pedagógicos de uma escola. “Assim, é uma atitude inconstitucional. É um ato que fere um dos pilares da democracia, que é o direito à cultura e à educação. Não se pode decidir o que os alunos devem ou não ler com uma canetada”.

Outro episódio

Dias antes, em um vídeo divulgado nas redes sociais, a diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira, de Santa Cruz do Sul (RS), Janaina Venzon, leu trechos do livro. Neste sentido, na ocasião, ela classificou como “lamentável” o envio do material com “vocabulários de tão baixo nível” pelo governo federal.

MEC

Em nota, o Ministério da Educação (MEC) explicou o processo de inclusão de obras no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). O MEC esclareceu que os professores escolhem livros a serem adotados em sala de aula, e não o MEC. Desse modo, a pasta envia obras para escolas apenas mediante solicitação dos próprios educadores. “A escolha das obras literárias a serem adotadas em sala de aula é feita pelos educadores de cada escola a partir do Guia Digital, no qual as obras integrantes do programa estão listadas para conhecimento de professores e gestores”.

De acordo com o comunicado, a obra “O Avesso da Pele” entrou no PNLD em 2022, juntamente com outros 530 títulos.

A editora

A Companhia das Letras, como apontado pela Agência Brasil, publicou um texto, na página da editora na internet, no qual condena as críticas. “A retirada de exemplares de um livro, baseada em uma interpretação distorcida e descontextualizada de trechos isolados, é um ato que viola os princípios fundamentais da educação e da democracia. (Tal qual) empobrece o debate cultural e mina a capacidade dos estudantes de desenvolverem pensamento crítico e reflexivo”, diz o texto.

Serviço

Sempre Um Papo recebe Jeferson Tenório

Quando. Dia 14 de março, quinta-feira, 19h30
Onde. Teatro José Aparecido de Oliveira (Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais – Praça da Liberdade)
Informações: Página oficial do Sempre um Papo

A entrada é gratuita, mediante lotação do espaço. O Sempre Um Papo é viabilizado por meio do patrocínio da Cemig e da Emgea. Isso, via Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, Lei Rouanet.

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