11 jan 2018

Jantar Secreto surpreende paladares mais tradicionais no VAC

Por Thiago Fonseca 
Já imaginou ir a um jantar onde o cardápio é secreto e feito com alimentos que seriam descartados? Pois então, essa foi a ideia de uma das intervenções artísticas desta edição do Verão de Arte Contemporânea, realizada nesta quarta-feira, 10. Trinta convidados valorizaram uma comida sem rótulos, promovendo uma noite de experiência e sensações desafiadoras.
Que delicia de noite! Mesa posta, tematizada com frutas e legumes. Entre uma garfada e outra, as recém conhecidas Juliana e Zirlene trocavam experiências, comentavam as atrações do VAC e saboreavam a comida. Elas chegaram cedo para garantir uma vaga nessa curiosa atração. Os ingressos se esgotaram quase duas horas antes de começar.
A jornalista Zirlene Lemos disse que acompanha o VAC  há dez anos e a novidade gastronômica desta edição chamou atenção. “Toda vez que tem um evento que aproxima o público do chefe, junta a arte e gastronomia estou dentro. Amei o jantar e a comida. O chef é muito simpático e agradável. Foi lindo e pude experimentar uma sensação diferente”, comenta Zirlene.
A ideia do Jantar Secreto é de Carlos Normando, criador do projeto Gororoba e responsável pelo menu do evento. “Montamos uma grande mesa para 30 pessoas desfrutarem o jantar gratuito, cujo o cardápio era secreto e com ingredientes que seriam descartados, e assim mostrar que podemos transformar os alimentos em uma comida afetiva, além de proporcionar aos presentes uma noite de experiências e sensações”, explica Carlos.

Pratos servidos no Jantar Secreto. Crédito: Thiago Fonseca

O MENU DO JANTAR SECRETO

Para a entrada o chef preparou uma trouxinha de abobrinha, recheada com ricota e com vinagrete de pera por cima. A ela foi dada o nome “Eles passarão… eu passarinho”, em homenagem ao escritor Mário Quintana. Uma mistura de sabores que me deixou com água na boca. Logo eu, que não sou fã de abóboras, me rendi às graças do prato. A doçura da fruta com a leveza do creme de ricota, que derretia na boca, me fez viajar.
O verso de Clarice Lispector, “o verão está instalado no meu coração” deu nome ao prato principal: nhoque de batata-baroa com ragu de legumes. O cheiro era forte, mas o paladar leve, senti frescor ao saborear a páprica misturada ao molho de tomate. O chefe reforçou o uso do agridoce no prato que deu super certo. Dava para perceber o toque de cada ingrediente que, juntos, davam origem a um sabor totalmente diferente.
Um cheesecake, com geleia de morango e farofa de paçoca adoçou o paladar do público ao final da noite. O nome? Dedicado ao escritor Shakespeare, foi “Sonhos de uma noite de verão”. Que delicia! Derretia no céu da boca e refrescava o corpo. Um banquete daqueles chiques, mas com gosto de comida de avó.

DIÁLOGO ENTRE ARTES

Foi com matriarca da família que Carlos aprendeu a cozinhar. A avó e a mãe são as grandes inspiradoras do chef. Para ele, a comida tem que ser feita com afeto. “Com esses pratos servidos no jantar quero passar ao público que com o simples podemos fazer um grande banquete. Além disso ressaltar a importância do festival para a gastronomia, que assim como a moda, é um pouco deixada de lado em eventos da cidade”, comenta o chef.
Jonnatha Horta Fortes, coordenador do VAC, explica que a intenção do festival é essa: ser multifacetado e reforçar todas as áreas que dialogam com a cultura. “Temos como objetivo dar ao público uma programação multicultural e no projeto do Carlos observamos que ele alia a arte com a gastronomia, além de ser um trabalho de pesquisa e que tem um olhar contemporâneo dentro da obra”.
No fim do evento, os presentes ainda aproveitaram para conversar com o chef e discutir os pratos servidos na noite. Um momento ainda para trocar ideias e fazer um network.
Para quem ainda não pôde prestigiar o festival, a 12ª edição do Verão Arte Contemporânea vai ate o dia 04 de fevereiro com cerca de 30 atrações que incentivam a pesquisa e a experimentação nas artes, valorizando a criação artística local.

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