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Fliaraxá debate abolição da escravatura com Itamar Vieira Junior

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Os escritores Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório e Tom Farias participaram da mesa de debate que repercutiu a temática do festival: “Abolição, Independência e Escravatura” .

Por Laura Rossetti | Culturadora

Autor de Torto Arado, o livro mais celebrado da literatura brasileira contemporânea, Itamar Vieira Junior era a presença mais esperada da 10ª edição do Fliaraxá. Pois, o homenageado do Festival Literário realizado no Vale do Paranaíba, já chegou colaborando em uma mesa de debates importantíssima.

Afinal, nada mais relevante do que repercutir a temática deste ano “Abolição, Independência e Literatura”, justamente no simbólico 13 de maio. Acompanhado dos também escritores Jeferson Tenório, Tom Farias e Afonso Borges, Itamar não decepcionou ao trazer reflexões sobre as dicotomias e chagas do nosso país.

“Hoje é dia 13 de maio e, embora tenhamos nos últimos anos ressignificado essa data, não a víamos com bons olhos. Porque ela propaga uma coisa que, de fato, nunca aconteceu no nosso país”, afirmou Itamar Vieira Junior. O escritor também destacou que com frequência, aparecem nos noticiários histórias de pessoas escravizadas.

Diante dos problemas levantados ao longo do bate-papo – como a violência, a desumanização e o preconceito –, Itamar ressaltou a importância da literatura para melhorar a realidade. “Antes de mais nada, sou leitor e penso em como a literatura me transformou também como ser humano. Como pessoa. E como abriu meus olhos para diversas questões que acho relevantes para o nosso tempo e para a nossa vida”.

O autor se considera otimista em relação ao enfrentamento dos desafios apontados. “Em nenhum momento da história desse país, a questão do racismo estrutural foi tratada de uma maneira tão contundente como vem sendo tratada nos dias de hoje”, diz.

Rascunho democrático

Jeferson Tenório, vencedor do Prêmio Jabuti 2021 com o livro O avesso da pele, lembrou Milton Santos no debate. Segundo ele, o geógrafo, escritor e jornalista baiano defendia que o Brasil não possui uma democracia. “Eu penso que a gente não tem nem um ensaio. Acho que a gente tem um rascunho de uma democracia. Acho que é impensável naturalizar uma democracia que é sustentada pelo racismo”, defende Tenório.

Em 2022, o Brasil completa 200 anos de Independência. Segundo Tom Farias, curador do Fliaraxá, é necessário aproveitar este marco para refletir e problematizar os desdobramentos da emancipação do país. “É independência mesmo esse grito dado por um homem estrangeiro? Quais são as consequências 200 anos depois disso?”, indaga o autor da biografia de Carolina Maria de Jesus.

Mais sobre os autores

Itamar Vieira Junior, Tom Farias e Jeferson Tenório são escritores que se assemelham por abordar problemas latentes na sociedade brasileira, como, por exemplo, a desigualdade e o preconceito.

Itamar nasceu em Salvador, em 197. Passou a ocupar um lugar de destaque na literatura com o romance Torto arado (2019, Editora Todavia). É vencedor dos prêmios Leya, Oceanos e Jabuti e o livro mais vendido da Amazon em 2021. A publicação mais recente é Doramar ou a odisseia: histórias (2021, Editora Todavia). Além de escritor, Itamar é geógrafo e doutor em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O jornalista, escritor e crítico literário Tom Farias é autor de romances, ensaios, artigos, roteiros e de uma série de livros sobre personalidades negras brasileiras. Escreveu, por exemplo, sobre José do Patrocínio, importante figura do movimento abolicionista (José do Patrocínio, a pena da abolição, de 2019), sobre o poeta Cruz e Sousa, considerado um dos fundadores do simbolismo (Cruz e Sousa: Dante negro do Brasil, de 2008).

Jeferson Tenório é autor de O avesso da pele, que venceu o Prêmio Jabuti 2021 na categoria Romance Literário. Ele estreou na literatura em 2013 com o romance O beijo na parede, eleito o livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. Em 2018, lançou o segundo romance, Estela sem Deus. Além disso, tem textos adaptados para o teatro e contos traduzidos para o inglês e para o espanhol. O autor é graduado em Letras e mestre em Literaturas Luso-Africanas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Itamar Vieira Junior no Fliaraxá. Foto: Drigo Diniz/Divulgação
Itamar Vieira Junior no Fliaraxá. Foto: Drigo Diniz/Divulgação

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