Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Inhotim registra seus dez anos em livros com ensaios e fotos

Por Carol Braga

05/12/2016 às 15:02

Publicidade - Portal UAI
Crédito William Gomes

Coleção de livros lançada por Inhotim encerra as comemorações de dez anos. Foto: William Gomes

A primeira reação diante da caixa que guarda os três volumes de livros lançados pelo Inhotim no encerramento das comemorações de seus dez anos de operação é surpresa. Primeiro porque é bonito. Depois porque carrega uma verdade estampada no título da coleção: Inhotim – um estado de espírito. E é.

O ano foi movimentado por lá. Talvez como nunca em sua história tantas vezes pessoas de outras tribos ocuparam seus gramados para ver performances, shows de diversos estilos musicais. Relação com arte contemporânea? Nem tão direta assim. Também teve polêmica, vide Meca, Merreca e afins. Mas e o livro, hein?!?.

Como são três volumes, cada um foi pensado para ter uma vocação. Artenatureza olha para Inhotim pensando a relação espaço tempo. De maneira objetiva, organiza uma cronologia das instalações que lá habitam. Deleite (1999), de Tunga é a primeira.

Os textos são assinados pelos curadores Allan Schwartzman e Jochen Volz além de Lucas Sigefredo, Fabio Rubio Scarano, Luiz Zerbini e outros.

O segundo volume (essa ordem é minha, tá?), Futuromemória, se concentra na relação tempo espaço. É uma espécie de inversão da proposta de Artenatureza. Lá está a mineiridade do Instituto. A natureza, a linha de trem, o rio Paraopeba e a religiosidade das guardas de Congo e Moçambique, nossas influências. Por que não pensar em forças que também o definem?

Tempo, espaço, memóriaFoto - William Gomes

Já o terceiro – e maior de todos – é um livro de fotografia. É um recorte, um quadro do que é o Inhotim é hoje visto de cima, de baixo, de dentro. Esse aspecto é o que mais me chama atenção. O centro de arte contemporânea criado por Bernardo Paz é um museu a céu aberto. Como tal, desde sua fundação, estabelece uma cumplicidade com a natureza. Isso precisa de registro constante.

Inhotim se transforma não apenas porque o acervo cresce, a arte se modifica ou novas gerações o visitam. Será sempre um novo museu porque para a natureza não há limite. As plantas crescem, a paisagem muda, a temperatura muda e consequentemente todo o estado de espírito que se encontra quando se está ali.

Sempre penso o quanto essa digitalização de nossa vida hoje, as fotos nos smartphones estão nos deixando cada vez mais reféns da fragilidade da memória. Você sabe onde estão os registros das suas últimas férias, por exemplo?

A publicação de um livro de fotografias de um espaço que tem a transformação em sua essência é, no mínimo, necessária. É o registro do que Inhotim é hoje e, daqui a poucos anos, um retrato do que foi.

Inhotim, um estado de espírito é patrocinado pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Ficha técnica
Autores: Allan Schwartzman, Fabio Scarano, Frederico Coelho, Humberto Werneck, Jochen Volz e Lucas Sigefredo
Dantes Editora
Páginas: 236 (volume principal), 284 (Artenatureza) e 168 (Futuromemória)
Valor: R$ 150
http://www.inhotim.org.br/

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