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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Impressões cinematográficas: A incômoda realidade de ‘Aos teus olhos’

Por Carol Braga

24/04/2018 às 12:00

Publicidade - Portal UAI

 

Esperar o fim da ficha técnica? Somente em filmes de super-heróis. Mas depois de Aos teus olhos foi inevitável. Não que fosse necessário observar os nomes que subiam pela tela, mas porque era preciso respirar. Sim, o longa dirigido por Carolina Jabor demanda um tempo de elaboração assim que termina.

Depois de extensa experiência em TV, foi em 2014 que a cineasta lançou o primeiro filme. Boa Sorte (2014), protagonizado por Deborah Secco, é um impactante relato ficcional sobre o dia a dia de uma clínica psiquiátrica. Fala de amor, de drogas, de Aids, de uma maneira muito sensível. Carolina não julga seus personagens.

Eis, então, um dos pontos fortes de Aos teus olhos. Apesar de imerso em um universo onde as pessoas não ponderam qualquer julgamento, seja ele verdadeiro ou não, duro, superficial, leviano este não é o posicionamento do filme. É o calculado distanciamento da obra que faz com que a força da interpretação se volte para o espectador. Há um lado a se ficar?

O filme conta a história do professor de natação Rubens (Daniel de Oliveira). Muito atencioso com os alunos, é acusado de exceder em carinhos com o garoto Alex (Luiz Felipe Mello). Enquanto Davi (Marco Ricca), o pai do menino, vai ao clube fazer uma reclamação, a mãe (Stella Rabello) transforma o caso em denúncia.

 

Cena de ‘Aos teus olhos’, de Carolina Jabor. Crédito: Pagu Pictures/Divulgação

Cotidiano

A medida em que a informação circula por redes de WhatsApp, Facebook e afins, tudo foge do controle. O tribunal está montado e todo parecem obrigados a escolher um lado. Não há ponderação. O que mais assusta é quando nos damos conta de que aquela situação da ficção guarda terríveis semelhanças com a forma como nos comportamos hoje em dia. É hora de rever tudo!

Embora em alguns momentos exceda um pouco, a trilha sonora de Sérgio Mekler contribui para o clima de tensão. Há, na música, uma parcela de julgamento já que é, em grande parte, responsável por pontuar o suspense instaurado no longa.

Da mesma forma que em Boa Sorte, Carolina Jabor se mostra uma excelente diretora de atores em Aos teus olhos. Não apenas a escolha do elenco foi acertada mas cada um dos atores escalados demonstra nitidamente que foram além do padrão que já conhecemos deles mesmos.

Em resumo: Daniel de Oliveira apresenta uma das melhores atuações da carreira. Ao olhar do espectador, seu Rubens oscila de mocinho a vilão em nuances. As melhores cenas são aquelas que ele fala pouco e sente mais. Ou seja, um grande ator merecidamente reconhecido com o prêmio de melhor ator no Festival do Rio.

 

Daniel de Oliveira em  ‘Aos teus olhos’, de Carolina Jabor. Crédito: Pagu Pictures/Divulgação

 

Água e metáforas

Aos teus olhos é baseado em uma peça de teatro espanhola chamada O Princípio de Arquimedes. É uma lei da física que diz que um corpo fica mais leve quando está imerso na água devido a uma força verticalmente para cima. Essa força também é chamada de empuxo.

A relação com a água – muito bem fotografada por Azul Serra – acaba sendo uma potente metáfora da sociedade. Sim, estaremos sempre em meio a jogos de forças, muitas vezes incontroláveis. Na natação, se o peso for menor que o empuxo a pessoa flutua. Se for o contrário, afoga. Carolina Jabor mergulha na quantidade de significados que essa equação pode representar no homem contemporâneo.

Para que você tenha outras perspectivas, deixo aqui a dica das críticas publicadas em O Globo, P de Pop, Adoro Cinema e Folha de S.Paulo.

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