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Hollywood Foreign Press Association dobra o número de jurados brasileiros no Globo de Ouro

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A medida, que também aumentou o número total de jurados de 199 para 310 membros, tem como objetivo fortalecer a diversidade do corpo votante.

por Caio Brandão | Repórter

Ao longo dos anos, o Globo de Ouro se firmou como uma das premiações mais aguardadas do mundo do cinema. Tendo tido a sua primeira edição realizada em 1944, não é novidade para ninguém que a honraria ostente uma reputação notória.

Globo de Ouro. Foto: HPAS/Divulgação
Globo de Ouro. Foto: HPAS/Divulgação

Contudo, nos últimos tempos, os bastidores acabaram gerando polêmica, principalmente no que diz respeito à composição do júri. Claro que o processo de seleção dos integrantes pode, e deve, ser rigoroso, mas, de todo modo, os critérios adotados não justificam a ausência de diversidade no grupo.

Sendo assim, nas últimas edições instalou-se um clima tenso entre os fãs de cinema e a organização da láurea. Consequentemente, surgiram reivindicações pela formação de uma base votante que contemplasse de forma mais equilibrada todas as etnias e regiões do mundo.

Para tentar atender à demanda, a Hollywood Foreign Press Association, responsável pelo Globo de Ouro, acabou anunciando mudanças na filosofia de recrutamento de jurados. Assim, o corpo votante passa a abarcar, a partir de agora, 310 votantes – na edição de 2023, foram 199.

E, com este movimento, a entidade acabou incorporando mais brasileiros, caso da jornalista e crítica de cinema Cecília Barroso. “Fiquei muito feliz quando vi a nova lista de convidados para participar da votação do Globo de Ouro. E não só por estar nela, mas por ver que realmente existe um movimento pela diversidade, que é muito importante”, diz ela.

Cecília Barroso – que, vale dizer, pertence à Associação Brasileira de Críticos de Cinema e é integrante do Elviras Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema – analisa que a Associação já havia demonstrado algumas tentativas de avanço na última edição, mas entende que esses devem ficar ainda mais perceptíveis a partir de agora.

Estatísticas

Em 2023, o júri contou com 19,6% de latinos, 12,1% de asiáticos, 10,1% de negros, 10,1% de pessoas oriundas do Oriente Médio e 48,1% de brancos. Com a mudança, a divisão de jurados passou a ser 25% de latinos; 14% de asiáticos, 10% de negros, 9% de pessoas oriundas do Oriente Médio e 42% de brancos. 

Outro dado relevante é que 17% do corpo votante se identifica como LGBTQIA+. Além disso, o número de jurados brasileiros passou de nove para 21 integrantes.

“O cinema é uma arte muito marcada pelo machismo, pela branquitude, pela heteronormatividade, então, essa questão da pluralidade é fundamental para que se olhe para outras formas de fazer cinema”, ressalta Cecília. “É fundamental para que o público tenha acesso a outros olhares, a outras histórias e, mais importante ainda, para fazer com que eles (olhares) reverberem, cheguem a outros lugares e a outras pessoas”, completa.

“Acho que, ao escolher novos votantes do mundo todo, abrindo espaço para pessoas de vários gêneros, raças, cores, regiões e orientações sexuais, a HFPA está dando um passo importante”, pontua ela, adicionando que esse avanço diz respeito tanto à transformação da própria história da premiação quanto para a das premiações em geral.

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