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Halloween: 4 franquias de terror revisitadas para você comemorar a data

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A proximidade com o halloween, dia 31 de outubro, nos inspira a indicar filmes que marcaram épocas

Por Isabela Freitas | Culturadora

De todos os gêneros cinematográficos, o terror provavelmente é o que consegue afetar seus espectadores com mais facilidade. Para o bem ou para o mal. Quem sente aversão pelo tema geralmente recusa qualquer convite, mesmo os considerados mais leves e satíricos, como Garota Infernal (2009) e O Segredo da Cabana (2011)

Mas um bom fã de filmes de terror geralmente tem uma paixão incomparável: são obcecados pelas histórias, personagens, vilões, e estão sempre à procura da próxima narrativa que vai provocar frios na espinha, e talvez até algumas noites mal dormidas. Há quem estranhe essa devoção, mas a explicação é bem simples.

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Por que gostamos tanto de filmes de terror?

Segundo Margie Kerr, uma socióloga especialista em medo, filmes de terror acionam nosso lado investigativo e que sente uma certa atração pelo risco. É como se assistimos cenas que não deveríamos. Em resumo: sabemos que o proibido naturalmente provoca um certo apelo. Quase como se fossemos aquela protagonista indo justamente em direção ao barulho estranho.

Além disso, as histórias e as reações das personagens conseguem acionar nosso lado empático, e nossa reação acaba sendo similar à delas, quimicamente falando. Filmes de terror, especialmente durante as cenas mais tensas, são capazes de liberar adrenalina, endorfina, dopamina, e vários outros hormônios que também estão ligados ao prazer. Sendo assim, uma vez fisgados, é fácil compreender porque procuramos repetir a experiência. 

Franquias e nostalgia

Você já deve ter reparado que a nostalgia está em alta na cultura pop. Assim, Hollywood nunca fica de fora, ainda mais quando se trata de franquias extremamente lucrativas. Nem sempre a empreitada de produzir sequências e refilmagens de filmes clássicos é bem sucedida, e os os fãs costumam ser bem exigentes com seus queridinhos. 

De qualquer maneira, sempre que um personagem querido volta às telas, a curiosidade fala mais alto. E em alguns casos recentes tivemos boas surpresas. Separamos algumas das franquias de terror mais conhecidas das últimas décadas e que estão sendo revisitadas de alguma forma. Que tal aproveitar o dia das bruxas para conhecer ou rever velhos conhecidos?

HALLOWEEN

Não dá pra falar de terror sem mencionar Halloween, um clássico (independente!) que conseguiu não só arrecadar bilheterias recorde, como reinventou o gênero como conhecemos hoje. Nele, fomos presenteados com o simpático e inexpressivo Michael Myers, um dos serial killers mais conhecidos da ficção. E também Laurie Strode, a primeira final girl — aquela que aos trancos e barrancos sobrevive até o fim.

Após o original de 1978, Halloween ganhou pelo menos mais nove filmes. Ok, muitos de qualidade questionável. Em 2018, tivemos uma nova produção com a Laurie Strode original, a atriz Jamie Lee Curtis. Dessa maneira, a história leva em consideração apenas o primeiro filme. 

O longa foi sucesso de público e crítica. Está disponível na Netflix. Este foi apenas o primeiro de uma nova trilogia já confirmada. O segundo, Halloween Kills, estreou este outubro de 2021 e está em cartaz nos cinemas.

PÂNICO

A franquia de Wes Craven surgiu nos anos 90. Trouxe uma versão já mais concreta dos estereótipos de filmes de terror slasher que foram construídos até a época. Tudo isso para fazer uma homenagem ao gênero, atualizando as regras para o final do século.

Sidney Prescott se tornou outra final girl queridinha dos cinéfilos. Apesar de (no primeiro filme) ainda ter características clássicas como a personalidade meio desajustada e virginal, é uma heroína mais ativa do que passiva. Sendo assim, ela sofre, mas também dá bastante trabalho para o vilão Ghostface. 

Em 2011, a franquia havia ganhado o último filme, pelo menos até agora. Pânico 4 foi um dos últimos que Wes Craven participou antes de falecer, trazendo um trabalho metalinguístico sobre sua própria franquia. Em janeiro de 2022 teremos um novo capítulo, que será uma sequência direta, que conta com o retorno dos três protagonistas que sobreviveram aos massacres de todas produções.

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CHUCKY

Toda criança do final dos anos 90, começo dos anos 2000 teve um certo trauma desse boneco. Nas últimas semanas os filmes voltaram ao centro das atenções, principalmente no Twitter, por causa do lançamento da nova série protagonizando Chucky, o boneco assassino.

Algo que tem chamado atenção é a abordagem de temas como não-binaridade de gênero logo no início dos anos 2000. Este é um debate que só se popularizou nos últimos anos. A explicação está no criador do personagem, Don Mancini, que também é roteirista de todas as produções e é parte da comunidade LGBTQIA+.

Segundo ele, esse é um dos motivos pelo qual o personagem consegue se manter relevante até hoje. “Uma das coisas que sempre fizemos para reinventar o Chucky foi encontrar novas tensões na cultura pop para explorar e acho que um dos trabalhos do terror é expressar o que está acontecendo no mundo”, afirmou.

O primeiro episódio da série já está disponível no Star+ e os demais serão lançados semanalmente. 

CANDYMAN

Um dos grandes apelos de filmes de terror é poder abordar temas que fazem parte da sociedade de forma mais criativa e cheia de simbolismos. Em O Mistério de Candyman (1992), o diretor se inspirou em um conto do escritor Clive Barker para contar a história do que seria o primeiro vilão negro do gênero slasher.

Totalizando três filmes na franquia, Candyman trouxe debates sobre a desigualdade racial e, ainda, sobre marginalização de pessoas pretas. Sendo assim, o tema, que permanece atual, foi utilizado recentemente pelo diretor Jordan Peele em seus dois primeiros aclamados longas de terror Corra (2017) e Nós (2019). 

Agora, é ele quem toma a frente do novo filme A Lenda de Candyman. Lançado em 2020, a nova trama continua a trazer inquietações e críticas sociais. Além de uma boa dose de sustos, é claro. 

Bônus: SUSPIRIA

Tudo bem, Suspiria não é bem uma franquia. Mas para os fãs de terror, o filme – ou filmes – são obrigatórios na lista, especialmente no dia das bruxas. Na obra original de Dario Argento inspirada no movimento giallo italiano, temos uma versão muito extravagante em todos seus elementos. Ou seja, da história de uma dançarina americana que recebe uma bolsa de estudos para estudar balé na Europa, e descobre que foi parar em um coven de bruxas.

Em 2018, Luca Guadagnino nos trouxe sua versão mais subversiva da protagonista e ainda mais bizarra da história, com cenas mais explícitas. Além disso, tem clímax inesquecível. Dessa maneira, é um dos raros casos em que o reboot consegue homenagear o original, trazendo uma releitura única e de qualidade. Ambos estão disponíveis no Amazon Prime.

Conteúdos extra pra quem curte o tema do Halloween

  • Episódios da série Filmes que marcam época, na netflix.
  • Podcast Esqueletos no Armário.
  • Livro Men, Women and Chain Saws, de Carol J. Clover. 

Outras dias para aproveitar o Halloween.

Entre os tantos filmes para este Halloween tem, por exemplo, Candyman. Foto: Universal Pictures

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