Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Green Book: jornada coletiva contra preconceitos estruturais

Filme dirigido por Peter Farrelly recebeu cinco merecidas indicações e conta com interpretação magistral de Mahershala Ali

Por Carol Braga

23/02/2019 às 09:45

Publicidade - Portal UAI
Foto: Diamond Films / Divulgação

Lembra nos anos 90, daqueles filmes de comédia bem bestas? Se você quer dar esse exemplo pra alguém é bem provável que diga: “tipo Debi e Loide?”. Pois sabia que esse filme que é ícone do besteirol americano tem uma relação com o belo e sensível Green Book. Sim, o diretor é o mesmo: Peter Farrelly.

É por isso em que alguns – poucos, é verdade – momentos do longa que recebeu cinco indicações ao Oscar 2019 há um toque de humor. Um toque, porque fazer rir parece ser não a máxima desse filme tão sensível, baseado em uma história real. O objetivo de Green Book parece ser muito mais tocar, fazer refletir sobre problemas estruturais que ainda precisamos enfrentar.

Bem, é a história de Tony Lip. Em resumo: o papel de Viggo Mortensen é de um homem tosco em Green Book. Tão tosco que me irritou muito (Vigo, foi mal, eu sei que isso mostra a qualidade do seu trabalho, mas foi too much pra mim). O objetivo era esse mesmo: mostrar o quão babaca são muitos homens brancos, héteros e que se sentem superiores somente por serem, vale repetir, brancos e héteros.

Pois esse cara, sem trabalho, é quase obrigado a aceitar a proposta para ser motorista de um cara de um talento enorme, mas que é oposto dele. Ou seja: negro e gay. Estamos nos Estados Unidos dos anos 60 e eles precisam pegar a estrada juntos. Mas, como o patrão é negro, – pasmem – naquele tempo nem tão longínquo assim tinha um livro, o tal Green Book, que dizia os hotéis em que pessoas como ele poderiam se hospedar. Absurdo!

 

Foto: Diamond Films / Divulgação

 

Jornadas

O que Peter Farrelly em Green Book faz a partir dessa história é convidar a gente para uma jornada de transformação. Acho que por isso o filme é tão tocante. Ao mesmo tempo em que fala sobre como uma amizade é capaz de transformar alguém, nos faz pensar no tanto essa nossa sociedade ainda precisa evoluir. Mudar mesmo. O racismo que convivemos hoje é estrutural. Estrutural e isso precisa se transformar. Cada um tem que fazer a sua parte. Um filme que faz pensar sobre isso já é um passo.

Bem, nos aspectos cinematográficos não há como não começar destacando a potência de Mahershala Ali como Dr. Don Shirley. É um dos melhores atores da geração dele, sem dúvida. Viggo Mortensen também convence no papel do tosco que se transforma. Outro aspecto a se destacar em Green Book, é o roteiro. O filme vai apresentando o crescimento dos dois aos poucos. Sim, porque rola uma troca, né! Mérito também da montagem, que entendeu o tempo do filme. Sim tem isso: assim como a vida, nos filmes também há o tempo certo para cada um digerir as informações.

 

 

 

photo

CineOP: Precisamos falar sobre preservação dos arquivos digitais

A CineOP, Mostra de Cinema de Ouro Preto vem há 12 anos colocando as discussões sobre a preservação audiovisual em destaque. É curioso observar como até mesmo o debate em torno desse tema também evoluiu ao longo da última década. Se no início os processos de recuperação de películas históricas do cinema brasileiro dominavam as […]

LEIA MAIS
photo

O ano de ‘La La Land’. Confira os indicados ao Oscar 2017

Alguma dúvida de que vai dar La La Land no Oscar? Eu não tenho. Particularmente acho sem graça os anos em que há favoritos tão fortes. Acho que quebra o clima de surpresa, os burburinhos que tanto gosto em torno de indicados e vencedores. Pois La La Land se igualou ao número de indicações de […]

LEIA MAIS
photo

Prostituição é tema de encerramento da 4ª Mostra de Cinema Feminista

A exibição do longa “Dancing Whit Monica”, da diretora Anja Dalhoff, que mostra a vida de uma prostituta Colombiana, seguido do debate sobre prostituição e violência de gênero, marcaram a noite de encerramento do 4ª Mostra de Cinema Feminista, nessa sexta-feira, dia 16. Durante oito dias foram exibidos 69 filmes, produzidos por mulheres, e cinco […]

LEIA MAIS