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5 filmes para explorar o cinema independente brasileiro

De documentário à ficção, confira cinco filmes da cena independente brasileira para assistir pra já!
Por Jaiane Souza
cinema independente brasileiro
Cena do filme "A febre". Crédito: Vitrine Filmes

O cinema brasileiro resiste desde o início. Nos últimos anos, vem sendo desmantelado. Mesmo assim, os realizadores continuam colocando nas telas, seja nas grandes ou nas pequenas, pontos de vista, posicionamentos, reflexões sobre o mundo e sobre a sociedade. O cinema independente brasileiro contemporâneo é prova disso. Basta procurar um pouco e é possível encontrar várias pérolas que vão da ficção ao documentário, que mostram o Brasil em ângulos pouco vistos ou explorados na grande mídia.

Por isso, aqui vai um start para você se aventurar nesse mundo de narrativas que é o cinema independente brasileiro. Confira!

A febre, de Maya Da-Rin

Primeiro longa de ficção da diretora, roteirista e produtora Maya Da-Rin acompanha Justino (Regis Myrupu). Ele é um indígena de Manaus que vive há 20 anos no espaço urbano com a sua filha Vanessa (Rosa Peixoto). Enquanto ele trabalha como segurança em um porto, a filha é empregada de um posto de saúde e acaba de ser aprovada na faculdade de medicina na Universidade de Brasília. Dessa forma, ela vive um impasse entre seguir o sonho e ficar com o pai. Ao mesmo tempo precisa lidar com uma febre que aparece de repente paralela a ataques estranhos de animais.

Quando lançado, em 2019, o filme se destacou por retratar o protagonismo indígena de uma forma não estereotipada, mas sim humanizada. Estreou no Festival Internacional de Cinema de Locarno, levando o Leopardo de Ouro de Melhor Ator para Regis Myrupu. Além disso, passou por mais de 60 festivais e recebeu 30 prêmios em países como França, China, Portugal, EUA, Brasil etc. 

Veja na Netflix.  

Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós

Com direção e roteiro de Adirley Queirós, o filme se desenrola a partir de uma situação de violência policial. Conta a história de dois homens negros, Marquim da Tropa e Shockito, que eram integrantes de um grupo de dança enquanto jovens. Eles frequentavam um baile de black music nos anos 1980 até que uma noite a polícia invadiu o local e dividiu quem estava presente entre brancos e pretos. Dessa forma, os brancos deviam deixar o local e os pretos ficarem. É uma espécie de documentário com ficção científica que constrói uma crítica social contra a violência e o racismo. Também rodou vários festivais e levou 11 prêmios no 47º Festival de Brasília.

Veja na Netflix.

Temporada, de André Novais

É inegável que o cinema independente feito em Minas Gerais é potente e precisa ser prestigiado. Exemplo disso são as realizações da produtora Filmes de Plástico, com sede em Contagem. Tendo a periferia da região metropolitana como pano de fundo para as histórias, o quarteto de cineastas criam histórias que partem do local e atingem o universal. O filme Temporada, por exemplo, acompanha Juliana (Grace Passô), que chega em Contagem para trabalhar na prefeitura combatendo a dengue. Aos poucos vamos conhecendo um pouco mais da trajetória dela, o dia a dia no serviço público e relação com os colegas. Extensamente premiado, o longa passou por dezenas de festivais em países como França, Itália, Suíça, Brasil e EUA.

Veja na Netflix.  

As boas maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas

Ana (Marjorie Estiano) é uma mulher misteriosa e rica que se muda para São Paulo e contrata a enfermeira Clara (Izabél Zuaa) para ser babá do filho que está para nascer. No entanto, conforme a gravidez avança, Ana começa a apresentar comportamentos estranhos e hábitos noturnos que afetam Clara. O apreço dos diretores pelo gênero de terror existe há mais de uma década, desde quando eram colegas no curso de cinema na USP. Dessa forma, o longa transforma São Paulo em um cenário de fábula e a narrativa passa pelo mistério, aventura e humor sem deixar de tratar de questões sociais. Entre diversos prêmios, venceu cinco categorias no Festival do Rio e ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Locarno. 

Disponível no Telecine Play.

Los silencios, de Beatriz Seigner

Por fim, uma produção que retrata a condição de ser imigrante e como grandes empresas interferem na vida de pequenos vilarejos da região Amazônica. Essa história é protagonizada por Amparo (Marleyda Soto), que tem dois filhos e foge dos conflitos da Colômbia para o Brasil. Em seguida, na fronteira entre Peru, Colômbia e Brasil, os três se abrigam em uma ilha no Rio Amazonas e reencontram o pai (Enrique Diaz), que supostamente estava morto. O filme é uma coprodução entre Brasil, Colômbia e França e estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Além disso, percorreu festivais por todo o mundo e foi vencedor de prêmios em vários deles, como Festival de Brasília, por exemplo. 

Alugue no YouTube.

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Cena do filme “Branco sai, preto fica”. Crédito: Vitrine Filmes

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