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Filmes de Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um longa no Brasil, para ver no YouTube

Diretora disponibilizou oito produções entre longas, médias e curtas gratuitamente em seu canal do YouTube

Por Jaiane Souza *

07/01/2021 às 08:30 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Diretora Adélia Sampaio. Foto: Guilherme Santos / Sul21

Apesar de ser um nome pouco difundido, Adélia Sampaio marcou a história do cinema brasileiro. Ela foi a primeira mulher negra a dirigir um longa metragem no país, o filme Amor maldito, de 1984. Fazer cinema do Brasil, como sabemos, não é tarefa fácil. Entretanto, quando falamos de uma mulher negra, o desafio é ainda maior. Vários fatores influenciam nessas dificuldades, a começar pelo machismo. Somando o fator raça, as mulheres negras ficam ainda mais para. Depois de 1984, apenas em 2019 outra diretora negra estreou nas telonas comandando um longa de ficção. Viviane Ferreira, que em 2020 foi eleita Presidente do Comitê Brasileiro de Seleção do Oscar 2021, lançou no ano passado o filme Um dia com Jerusa

Origens e Adélia Sampaio no cinema

Adélia Sampaio é de origem humilde. Filha de Guiomar Joana Ferreira, empregada doméstica, teve o primeiro contato com o cinema aos 13 anos, quando morou com a irmã no Rio de Janeiro. Eliana Cobbett trabalhava na Tabajara Filmes, empresa que distribuía produções russas. Dessa forma, a partir da experiência como espectadora, se interessou pelo ramo e começou a buscar trabalhos na área. Em resumo, trabalhou como telefonista em produtoras, organizou cineclubes e projetou filmes. Além disso, atuou em várias funções técnicas até, enfim, ter a sua primeira experiência como diretora.

Agora, com objetivo de democratizar o acesso a alguns filmes que dirigiu e produziu, Adélia Sampaio, disponibilizou alguns no no YouTube. Sete no total. Em entrevista ao UOL, ela comentou sobre o canal e sobre o sumiço dos originais das obras. Os arquivos foram entregues à Cinemateca do MAM e até hoje não foram encontrados no acervo.

Então, confira três títulos que estão no canal da diretora.   

Denúncia vazia (1979)

Baseado em uma história real, o curta mostra um casal de idosos que vê como única saída o suicídio por não ter condições de pagar o aluguel. Denúncia vazia, que da nome ao filme, é uma lei de despejo pelo locatário do imóvel. Adélia nunca tinha ouvido falar no assunto até ser despejada com os filhos pequenos. Já estabelecida em outro apartamento no Rio, viu viu a notícia de um casal que tinha cometido suicídio por receber uma denúncia vazia. Por isso, resolveu fazer o filme.

Veja aqui

Adélia Sampaio

Cena do filme “Amor maldito”. Foto: A . F. Sampaio Produções Artísticas e Gaivota Filmes

Amor maldito (1984)

Também baseado em um história real, narra a relação amorosa entre duas jovens mulheres, Fernanda (Monique Lafond) e Sueli (Wilma Dias), uma ex-miss, que se apaixonam e resolvem morar juntas. Entretanto, em determinado momento, Sueli se cansa do relacionamento e se envolve com um jornalista. Grávida e abandonada pelo homem, ela se joga da janela do apartamento de Fernanda. Ou seja, Fernanda passa a ser acusada de homicídio. 

Na época do lançamento o longa gerou polêmica e antes mesmo de estrear, precisou ser enquadrado no gênero pornochanchada e não recebeu financiamento do governo. Com muito custo, ficou pronto e estreou em poucas salas de São Paulo. Mesmo assim conseguiu boa repercussão.

Veja aqui

Scliar, a persistência da paisagem (1991)

É um documentário sobre o pintor brasileiro Carlos Scliar. Ele também atuou como cenógrafo, ilustrador, desenhista, roteirista e design gráfico. O curta é bastante poético. Ao mesmo tempo que mostra Scliar desenvolvendo alguns trabalhos e usando técnica de pintura com terra, narra sobre a sua paixão pelas artes visuais. Além disso, é composto por algumas partes, como a formação e a disciplina do documentado. Em resumo, como diz a descrição, mostra “um pintor do mundo, mergulhado no tempo de seu silêncio. Tudo que o artista buscava trazer para a pele e o coração de sua pintura é a vibração interior de cada habitante do mundo”. 

Veja aqui

 

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