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Filme gravado em quilombo mineiro retrata conflito de gerações e matriarcado

Cenas de 'Não sei qual cidade se passa aos olhos dele' foram feitas sob a perspectiva de um menino de cinco anos com um celular

Por Thiago Fonseca *

27/11/2019 às 17:22 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Paula Melo / Divulgação

É pela perspectiva e curiosidade de um menino que o filme Não sei qual cidade se passa aos olhos dele se desenvolve. O longa, que foi filmado em 2015 em um quilombo, em São Gonçalo do Rio das Pedras, aborda temas como família, afeto, conflito de gerações e matriarcado. Agora chega pela primeira vez a BH com exibição única no dia no dia 1 de dezembro, às 17h, no MIS Santa Tereza.

Tudo surgiu quando a diretora Thais Inácio foi gravar um vídeo para o espetáculo Áurea, a lei da Velha Senhora. O ator, João Bernardo, na época com cinco anos, propunha e fazia as coisas de uma forma diferente do que estava no roteiro. Sendo assim, decidiu que iria fazer seu próprio filme com celular. A diretora, claro, incentivou.

“Já tinha em mente gravar algumas imagens além do que ia usar no espetáculo. Mas não imaginava que seria esse o filme. Um menino que observa o mundo e a relação das mulheres ao entorno dele”, conta a diretora Thais.

 

 

Narrativa

Sendo assim, a narrativa do filme é conduzida entre o campo ficcional e real. Tudo é em preto e branco. Há, por exemplo, cenas planejadas, personagens performados pelos próprios moradores, as casas-cenários, as ruas e a estrada, crianças brincando na natureza, os corpos dançantes, as histórias contadas em roda e a paisagem de sons vindos de São Gonçalo. Contudo, espectador é surpreendido por planos e movimentos captados do celular do menino João.

“Gostei do filme porque conheci um cão chamado Caju. Também gostei de correr, comer um pouco do chocolate de lá e de saber onde ficavam os brinquedos lá da cidade. Eu lembro de uma pessoa ainda, que era a Vovó Bisa. Ela fazia comida para mim e minha mãe e tinha feito 100 anos”, relembra João, hoje com 10 anos.

Essa riqueza do lugar e os habitantes do quilombo também chamaram a atenção de Thais para a produção do longa. A vovó Bisa, que João cita, é a Dona Ilídia, moradora de 100 anos que faz parte da história e ajuda a construir a mensagem que Thais queria passar. As mulheres na construção da história. A presença das mulheres no filme é muito forte. Elas mostram o papel delas na construção do espaço. O corpo é território. E essa relação é contada pelo ponto de vista da criança”, ressalta Thais.

 

Não sei qual cidade se passa aos olhos dele – Cena do filme – Foto: Paula Melo / Divulgação.

Participações

Gravar no quilombo foi uma ideia do preparador de dança afro Evandro Passos, que já desenvolvia trabalhos na região. Ele também faz parte do curta, assim como, o multiartista Sérgio Pererê, que recebeu um convite da direção para fazer uma participação especial. No longa, Pererê interpreta ele mesmo em um momento em que se encontra com o personagem principal.

“Canto uma música para o Negrinho. Fiquei muito feliz com essa participação que para mim é afetiva. Já tinha uma relação com o espetáculo que deu origem ao filme. Além disso, o matriarcado é uma das causas negras. Venho de origens africanas que tem muita relação com o tema”, comenta.

Também fazem parte do longa os atores Cláudia Barbot, Marcus Liberato, a mãe de João, Adriani Romária, também estão no filme. Corealização dos coletivos Cia Banquete Cultural, Xique Xique Neon e 01010101. O filme foi realizado sem nenhum tipo de financiamento de incentivo e já rodou Portugal e festivais brasileiros.

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