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Film Commissions: MG e BH investem em ações para atrair produção audiovisual

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Entenda o papel dos municípios e governos no desenvolvimento do audiovisual através das Film Commissions.

Por Maria Luiza Cunha | Culturadora

Certamente você conhece a Times Square, a Torre Eiffel, o Coliseu, os vales da Nova Zelândia e outros pontos turísticos que foram cenários de longa-metragens, mesmo que não os tenha visitado. Porém, talvez não saiba que para a gravação das produções, é necessária a articulação entre diversos setores governamentais, produtoras e estúdios. Muitas vezes tais relações são mediadas pelas Film Commissions.

Desde 2021, Minas Gerais têm retomado políticas voltadas para o mercado audiovisual tanto na esfera estadual como também municipal. No final do ano passado, o estado começou a reestruturar sua Film Commission. A Minas Film Commission existia há cerca de dez anos quando teve suas atividades paralisadas.

No dia 24 de fevereiro de 2022, a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação Municipal de Cultura lançaram a Belo Horizonte Film Commission. O projeto foi instituído por meio dos Decretos Municipais 17.882 e 17.883, publicados no Diário Oficial do Município. A comissão faz parte do Programa de Desenvolvimento do Audiovisual de Belo Horizonte, o BH nas Telas, lançado em 2018.

As Film Commissions se dedicam a atrair e incentivar o desenvolvimento de produções audiovisuais em determinada localidade. Ela serve para desburocratizar os processos necessários para a gravação e facilitar a interação entre os produtores, os realizadores e as prefeituras. Dessa maneira, possibilita que o mercado se expanda.

A visão do realizador

As expectativas de Aryanne Ribeiro estão altas. Além de ser produtora cultural, também é vice-presidente do Conselho Estadual de Política Cultural e presidente do CONECTA – Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Cultura. “É muito importante porque muda a perspectiva de produções cinematográficas, tanto no interior como na capital. O apoio direto estimula e atrai as produções audiovisuais e, principalmente, por apoiar a produção audiovisual, atraindo as produções, bem como no apoio logístico-operacional dos produtores em vários formatos além de filmes, mas sobretudo em toda cadeia audiovisual, como publicidade, séries”, afirma.

Aryanne Ribeiro também ressalta que, para os profissionais do audiovisual no interior, o trabalho é cercado por percalços. As dificuldades são infinitas. A questão se inicia por qualificação, verba de execução, técnicos qualificados e isso tudo se contrapõe com a vontade de se produzir”. 

Conhecendo a Belo Horizonte Film Commission

A Belo Horizonte Film Commission irá apoiar as produções audiovisuais no município, autorizando, regulando e atraindo novas filmagens para a cidade. No site da iniciativa, é possível acessar um formulário de autorização para filmagens, um catálogo com cenários da cidade e uma lista e ficha de cadastro de profissionais e serviços. 

De acordo com Gabriel Portela, Secretário Municipal Adjunto de Cultura, o projeto começou pequeno. No final de 2017, a administração pública decidiu estruturar uma nova política de audiovisual. Na época, os gestores entendiam que o audiovisual mineiro e belo-horizontino estavam vivendo um bom momento, mas não tinham política pública à altura desse avanço. Assim, em 2018, surgiu BH nas Telas, Programa de Desenvolvimento do Audiovisual, que, posteriormente, se tornou responsável por implantar a Belo Horizonte Film Commission.

Antes da criação da comissão, o produtor interessado em filmar na capital poderia esperar até 20 dias para receber a autorização. Através da iniciativa, os prazos foram reduzidos. Para produções de publicidade, por exemplo, será necessário esperar até cinco dias úteis para a emissão da autorização. Já para filmagens de conteúdo, como longas, curtas, séries e programas de TV, será preciso aguardar por até oito dias úteis para a emissão de resposta. 

Estratégia

“Um papel fundamental da Film Commission é justamente esse de tornar a cidade, que é onde de fato as filmagens acontecem, amigável para o audiovisual. Então a gente tem esse trabalho de sensibilização permanente dos órgãos da Prefeitura, dos órgãos de fora da Prefeitura, do trade turístico, dos setores econômicos, para que entendam a filmagem como algo estratégico”, conta o secretário. Gabriel também ressalta a necessidade de agilidade, eficiência e funcionalidade, para que a função do programa seja cumprida.

O catálogo de cenários do site conta com locações tradicionais. No entanto, a intenção é ampliar a lista com locais periféricos, que também fazem parte do contexto urbano.

Gabriel Portela destaca que a expansão da produção audiovisual na cidade pode despertar a sensação de pertencimento e alegria. Além disso, pode criar uma conexão entre os moradores da capital e a própria cidade. “O cidadão belo-horizontino, quando vai ao cinema ou liga uma plataforma de vídeo por demanda… Enfim, vai ver um filme filmado aqui, quando ele reconhece o cenário e se identifica. Isso gera um sentimento de pertencimento e um orgulho, uma valorização desse cidadão pela sua própria cidade que não tem preço”. 

Por que a Minas  Film Commission voltou

Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), Minas Gerais pode ser considerado o terceiro maior pólo audiovisual do Brasil. Tal informação se baseia no número de empresas de audiovisual cadastradas na agência. 

O estado foi palco para diversos filmes, como “Meu Pé de Laranja Lima” (2009), “O Palhaço” (2011), “Zuzu Angel” (2006) e “Turma da Mônica: Laços” (2019), gravados nos distritos de Cataguases e Leopoldina, Santa Rita de Ibitipoca e Lima Duarte, Juiz de Fora e Poços de Caldas, respectivamente, entre outros. Sendo assim, nada mais justo do que ele contar com sua própria Comissão Fílmica, a Minas Film Commission, projeto vinculado à Empresa Mineira de Comunicação (EMC).

Cena de Turma da Mônica: Laços, gravada em Poços de Caldas. Foto: Divulgação/Turma da Mônica: Laços
Cena de Turma da Mônica: Laços, gravada em Poços de Caldas. Foto: Divulgação/Turma da Mônica: Laços

Por ser direcionada a todo o estado, a Minas Film Commission tem uma missão diferente da Belo Horizonte Film Commission. O projeto busca estruturar e capacitar os municípios e gestores de modo que eles se tornem capazes de criarem suas próprias comissões. 

O objetivo é que existam ao menos uma dessas organizações em cada uma das regiões de Minas Gerais, porém as diferenças socioeconômicas entre as cidades dificultam a conquista dessa meta. Na primeira fase de inscrição na Minas Film Commission, esperava-se que 192 municípios fossem cadastrados. O número de inscritos, no entanto, surpreendeu: 255. A forte adesão ao cadastro comprovou que o interior deseja se capacitar e atrair novos investimentos. Para impulsionar o interesse das cidades, o governo lançou o selo Cidade Amiga do Audiovisual, destinado aos municípios que se comprometerem com o projeto.

Bom anfitrião

Para Flávia Moreira, Diretora de Desenvolvimento e Promoção do Audiovisual do estado, a Minas Film Commission é fundamental para que o estado seja reconhecido como um bom anfitrião para produções audiovisuais. No entanto, alguns desafios prejudicam essa consolidação. A falta de continuidade de políticas públicas, capacitação e estrutura, principalmente no interior, dificultam esse processo.  

As Film Commissions criam empregos e renda ao fortalecerem economias locais, além de impulsionarem o turismo. “Quando uma produção audiovisual está na cidade, movimenta hotel, restaurante. A cidade fica alvoroçada. A equipe de produção audiovisual é grande. Então, a galera vai consumir ali, vai ativar o comércio.”, conta Flávia Moreira. 

A produtora elenca regiões que têm se destacado no audiovisual. “Minas Gerais tem um pólo cinematográfico em Cataguases, na Zona da Mata. Contagem, na RMBH, também tem servido de locação para várias produções premiadas. Cidades como Poços de Caldas (filme Turma da Mônica), Carrancas (novela Império), Tiradentes e Ouro Preto são cenários de novelas, séries. Minas Gerais tem vocação para o audiovisual!”

Analisando o cenário

É inegável que a indústria audiovisual, além de ser uma parte importante da cultura e do entretenimento, pode beneficiar economicamente os locais onde é fomentada. O incentivo movimenta setores da logística, da hotelaria, dos serviços e até mesmo de alimentos. Quando isso acontece em uma cidade pequena, é ainda mais claro. Basta olhar para os Estados Unidos, Nova Zelândia e até mesmo para a Coreia do Sul para notar como o turismo e a economia floresceram – e continuam crescendo – através dessa estratégia.

Minas Gerais é repleta de locações interessantes e peculiares. Há lugares marcados pela história e natureza. No entanto, sem um esforço consistente, esse potencial não pode ser aproveitado com profundidade. Nesse sentido, a retomada das Film Commissions é positiva e pode render bons frutos, mas apenas se resistir ao tempo. 

Maria Luiza Cunha é jornalista em formação e colaboradora do Culturadoria. Ama entrevistas, ler e colecionar curiosidades.

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