Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

BH Capital dos videoclipes: os profissionais que fazem a diferença

A valorização dos videoclipes nas estratégias dos artistas fomenta também o surgimento de um mercado qualificado de profissionais – e artistas – para atender à demanda.
Orlando Junior Foto Gabi Soutto Mayor
Orlando Junior Foto Gabi Soutto Mayor

Por Aldine Mara | Participante do 1º Laboratório Culturadoria de Jornalismo e Crítica Cultural videoclipes

Que o mercado de videoclipes é crescente, já está claro. Também é certo que trata-se de um cenário marcado por artistas independentes e que conseguem resultados surpreendentes com baixos orçamentos. Mas sem turma de profissionais (e artistas!) interessados e comprometidos com o resultado nada seria feito.

É isso que você confere aqui. Todas as entrevistas realizadas com os criadores do mercado de videoclipes de BH mostram pessoas interessadas em fazer acontecer, em buscar novas linguagens, com criatividade incansável e, sobretudo, um amor pela música.

Chegou a hora de conhecer quem faz a cena dos videoclipes de BH uma realidade. 

Orlando Junior

Produtor artístico, executivo e cozinheiro, Orlando Junior atua na cena BH-SP. Entre uma receita e outra, dá uma aula sobre o processo de produção de um videoclipe (da ideia À pós-produção), além de falar sobre referências, álbum x single e da insolação que teve durante uma gravação. 

Primeiro a chegar e último a sair no set, ele também é nosso primeiro convidado na série de entrevistas do “Ficha Técnica”.

“O mais desafiador de um trabalho de produção é você ter a sensibilidade para poder lidar com as pessoas. O artista vai estar com uma série de sentimentos, por exemplo. Ele estará muito feliz, e, ao mesmo tempo, muito ansioso. É preciso fazer a gestão dessas pessoas, para que tudo aconteça da forma planejada, ou o mais próximo possível do planejado, de maneira bastante sensível, mesmo”, comenta.

Camila Buzelin

Não se assuste se encontrar Camila, diretora de arte e cenógrafa, pelas ruas de BH, à caça de relíquias e objetos criativos. Afinal, tudo pode virar elemento para um cenário, por que não? 

Fundadora da “Cenografia Sensível”, o projeto já assinou a direção de arte de 25 videoclipes, em dois anos. Haja objetos, criatividade e muito estudo para dar vida e imagem às músicas. Nesse episódio do ‘Ficha Técnica’, ela conta sobre o processo de montar a direção artística dos videoclipes e como, acredite, um picolé acabou virando fonte de inspiração.

“Fico muito feliz com esse processo, de os artistas perceberem a importância de pensar a imagem, assim como o som. Era uma coisa que, há pouquíssimo tempo, só os artistas que tinham gravadora, conseguiam dar conta”, diz.

Natalie Matos, Gabriela Matos e Denise Santos da Renca Produções

Natalie Matos, Gabriela Matos e Denise dos Santos juntaram suas potências audiovisuais e montaram a Renca Produções, produtora audiovisual e de interações culturais inclusivas e representativas. 

No terceiro episódio do “Ficha Técnica”, elas contam como é fazer um trabalho colaborativo, que busca democratizar o acesso à produção audiovisual dentro, atrás e à frente das câmeras. Além disso, comentam todo o processo de “Raiz”, clipe de Elisa de Sena, assinado por elas – da produção ao conceito artístico, do roteiro à direção de fotografia e à edição. 

Camila Duarte

Figurinista, Camila une a formação em moda, a experiência em confecção e a paixão pelo set de filmagem. Resultado: presença, nos últimos seis anos, nos bastidores e na ficha técnica do mercado audiovisual de BH.

Neste episódio, nossa conversa passa pelo encontro de Camila com o audiovisual, o papel do figurinista em decodificar a identidade visual do artista, além da importância de pensar os elementos que hão de compor essa narrativa. De brinde, uma aula sobre o processo de criação do figurino do clipe “Procuro alguém”, do Djonga.

“Você tem que ter muita responsabilidade quanto à imagem que está transmitindo ali, e propondo àquela pessoa. Afinal, um símbolo errado pode afundar a carreira de alguém, sem querer”.

Ulisses Passos

Produtor de eventos, cultural e executivo, Ulisses passa pela música e pela ficha técnica de ponta a ponta. Hoje, além de participar da gestão da carreira da sambista Adriana Araújo, em BH, ele assina a produção executiva e participa do roteiro, da edição e das imagens dos dois clipes da cantora.

Dá para exercer todas essas funções? Em nosso quinto episódio, conversamos sobre como surgiu a ideia e como foi produzir esses videoclipes, além de mostrar as experiências de Ulisses no trabalho com grandes e pequenos orçamentos.

“O visual, principalmente durante a pandemia, acabou sendo uma necessidade para as pessoas, que precisam enxergar algo, pois estão sentadas para ver. Não estão mais só no fone de ouvido. Elas, inclusive, têm o celular na mão, para assistir”, destaca.

Gabriela Chiaretti

Artista, professora e coreógrafa de dança contemporânea, Gabriela acabava de assinar sua quarta ficha técnica enquanto marcávamos essa conversa. As experiências e experimentações da dança contemporânea em sua trajetória tornam-se possibilidades imagéticas corporais nos sets de filmagem.

Como pensar uma coreografia para quem não é bailarino? Em nosso último episódio, Gabriela conta sua vivência no universo da dança, como tem sido criar a atuar em videoclipes, além da influência das redes sociais nesse processo. 

“No videoclipe, talvez, ponhamos uma lupa em algo que já existe. A letra já diz algo que o músico vivenciou, pensou ou refletiu sobre a sociedade. Meu trabalho é pôr uma lupa nisso e falar: olha o que você fala! Você já fala! Vamos partir para a pesquisa do movimento”, afirma.


Aldine Mara é jornalista formada pela UFJF. Já atuou em assessorias de comunicação, produção de eventos, audiovisual e fotografia. Hoje, está a frente da Sorriso CRIA, produtora de conteúdo digital. Participou do 1º Laboratório Culturadoria de Jornalismo e Crítica Cultural.

Gabriela Chiaretti Foto Arquivo Pessoal
Gabriela Chiaretti Foto Arquivo Pessoal

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