Foto: Paulo Barbuto / Divulgação
08 ago 2018

‘Pagliacci’ é um dos destaques do Festival Mundial de Circo

Uma grande homenagem à arte do palhaço e uma das montagens mais elogiadas do ano passado em São Paulo. Só por essa combinação, Pagliacci a mais recente montagem da Cia LaMínima, já deveria estar na programação do Festival Mundial de Circo de 2018. Porém, existe uma série de outros fatores afetivos que fazem a presença do grupo paulista entre as atrações ser ainda mais especial. A companhia criada por Fernando Sampaio e Domingos Montagner (1962 – 2016) participa do evento desde a primeira edição. Este ano, marca presença com duas montagens, um filme e também uma merecida homenagem a Domingos.

A 18ª edição do Festival Mundial de Circo terá nove atrações em cartaz, do Brasil e da França, até o dia 18. ‘Pagliacci‘, em cartaz no feriado do dia 15 de agosto, é uma das mais esperadas. O espetáculo estreou em 2017 dentro das comemorações dos 20 anos da LaMínima. É uma adaptação teatral para a ópera “I Pagliacci”, de Ruggero Leoncavallode, com dramaturgia assinada por Luis Alberto de Abreu e direção de Chico Pelúcio. Sendo assim, o texto permanece o tempo inteiro no limite entre o riso e a melancolia em uma honrosa homenagem ao circo-teatro.

Pagliacci

“O Espetáculo conta a trajetória de uma trupe de comediantes que, um belo dia, decide se aventurar pelo drama.  Tudo contado com graça, leveza e lirismo. Trazemos para cena uma mescla bastante forte entre humor e o drama. A palhaçaria deixa sua marca. A perda do Montagner foi muito sentida por todos nós mas decidimos continuar com o projeto. Uma obra que demorou meses para ficar pronta e o resultado conforta”, relata o ator Fernando Sampaio.

Chico Pelúcio é amigo de longa dada de Fernando e Montagner. Se conheceram em festivais de teatro pelo país a fora. Era antigo o desejo da companhia ter uma peça dirigida pelo mineiro. “Toda vez que iriamos fechar uma parceria ou eu não podia ou não havia recurso. Mas em ‘Pagliacci’ deu certo. Foi um processo difícil, mas com um resultado bacana. Dessa forma, a maior dificuldade foi como fazer de uma tragédia um espetáculo de palhaços. No fim das contas, o público ri e se emociona com a história”, conta Chico.

 

 

História

Está não é a primeira vez que a LaMínima dá as caras no Festival Mundial de Circo. Na primeira edição do evento, em 2001, venceu a mostra competitiva que o festival realizou com o primeiro espetáculo em repertório ‘Cia de Ballet’. Desde então, é figura carimbada no evento. Neste ano, por exemplo, além de Pagliacci, a companhia apresentará o espetáculo ‘À La Carte‘, no dia 12, às 17h, no Galpão Cine Horto. Ainda tem a exibição do filme sobre o processo de construção de ‘Pagliacci’.

A La Carte foi um trabalho determinante na consolidação da dupla Fernando e Domingos. Foi o primeiro espetáculo de sala da LaMínima, criado em 2001.  A peça não tem texto e sim um roteiro baseado em magias, técnicas circenses e números musicais. Com direção de Leris Colombaioni, a montagem é homenagem à clássica arte do palhaço.

 

O grupo Francês ‘Les Rois Vagabonds’ é uma das atrações do Festival – Foto: PRappeneau / Divulgação

 

As várias faces do circo

Chico vê a passagem da companhia como uma riqueza para o Festival Mundial de Circo. “A presença da ‘La Mínima’ mostra um reencontro mais que afetivo e artístico, e sim, um encontro de continuidade. O espetáculo trabalha a linguagem do teatro e do circo de uma forma muito bacana”, pontua. Ainda estarão em cartaz no Festival espetáculos do Brasil e da França, criados a partir de técnicas variadas e que dão a dimensão do quão diverso é o panorama do circo contemporâneo.

A abertura será no dia 09 de agosto, às 21h, no Galpão Cine Horto, com os franceses da cia ‘Les Rois Vagabonds’. Eles trarão ao evento o concerto pour deux Clowns é uma montagem que propõe um olhar diferenciado para a palhaçaria. O lúdico ‘A Sanfonástica Mulher Lona’, da Bahia e ‘OTETO’, do Coletivo Na Esquina, de Minas Gerais, são as duas produções de rua do 18º Festival Mundial de Circo. O evento ainda conta com mostra de cinema voltado para o circo, como de por exemplo a exibição do filme ‘Jonas e o Circo sem lona’.

O Festival Mundial de Circo foi o primeiro grande evento internacional na América Latina dedicado exclusivamente a arte circense. Iniciou a sua trajetória em 2001 reunindo em Belo Horizonte, artistas brasileiros e de vários cantos do mundo para celebrar o circo. O grande diferencial está na diversidade e multiplicidade de linguagens e estéticas que o próprio circo oferece. A programação completa do Festival você confere clicando aqui.

 

Gostou? Compartilhe!

Artigos Relacionados

Da cidade do mar à cidade do bar: conheça o Boteco da Alaíde

Cadeiras e mesas de plástico no passeio. Estufa. Cartazes com propagandas de bebidas alcóolicas, músicas tocando ao fundo, cheiro de fritura, luzes baixas. Todas as características de um boteco tradicional da grande BH. Mas algo faz com que este seja diferente dos demais: a Alaíde Carneiro. Por muito tempo, o Bar Bracarense, localizado no Leblon […]

Leia Mais

Confira as dicas para o seu fim de semana: 19 de outubro

A presença de Roger Waters em BH não é a única atração de peso em nossa Culturadoria. Temos ainda, estreia do novo espetáculo do Grupo Galpão, musical sobre Chaplin e a estreia da biografia de Neil Armstrong. ROGER WATERS Apesar de ser freguês do Brasil, será a primeira vez que Roger Waters estará em Belo […]

Leia Mais

FETO 2018 amplia espaço e discussão sobre teatro estudantil

Vivência pessoais, luta e o documento mimeografado de Carlos Marighella foram as inspirações dos alunos do CEFART – Centro de Formação Artística e Tecnológica – para a criação do ‘Manual dx Guerrilheirx Urbanx’. O espetáculo de formação da turma de 2017 chega ao Teatro Francisco Nunes, no dia 23 de outubro, como parte das ações […]

Leia Mais

Comentários