Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Artistas assinam manifesto contra Festival de Literatura Marginal

Artistas da cena marginal de Belo Horizonte acusam organizadores do Festival de Literatura Marginal de não dialogar

Especial para o Culturadoria | Por Da Redação

21/02/2019 às 15:53

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Protesto de Leandro Zerê. Coletivo Terra Firme. Slammer do Slam Trincheira.

O Festival de Literatura Marginal, o FELIM, tem gerado muitas polêmicas desde o seu anúncio oficial. Depois da matéria divulgada no dia 20 de fevereiro pelo Culturadoria, uma série de artistas contrários à iniciativa se pronunciaram. Eles alertaram para o modo autoritário como o evento foi construído. Sendo assim, diversos escritores e poetas marginais de Minas assinaram um manifesto contra a existência FELIM que será realizado até o dia 21 de março.

Segundo o documento, não houve diálogo com os coletivos de Sarau e Slam’s de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Dessa maneira, a denúncia é que os organizadores teriam se apropriado de um espaço que não tem conhecimento e ignorado a relevância da cena local. Assinaram o manifesto poetas como Nívea Sabino, Rogério Coelho, Juliana Tolentino e diversos grupos, dentre eles o Coletiva Manas e a Academia TransLiterária.

O Felim é uma realização do rapper Flávio Renegado e de Danusa Carvalho, por meio da associação, Arebeldia. Até março, o festival terá atividades no Barreiro, Aglomerado da Serra e Alto Vera Cruz. Procurado pelo Culturadoria, Renegado gravou um áudio para responder às críticas feitas pelos movimentos contrários ao evento. Ele começa lembrando a todos que o rap é reconhecidamente uma forma de poesia falada. “Eu queria que o pessoal me explicasse o que o rap é e como ele atua nas comunidades. Eu canto rap desde os 13 anos e trabalho com ele há 12. Continuo acreditando no rap como instrumento de transformação da juventude periférica deste país”, diz.

Repúdio

“Repudiamos a construção desastrosa e desrespeitosa do Festival. É oportunista e utilitarista a construção deste evento que ignora a trajetória das pessoas que movimentam a cena de poesia falada na cidade. Nós existimos e exigimos respeito”, diz um trecho do texto que circula pelo Facebook.

Segundo Nívea Sabino, assim que ficaram sabendo do evento, os artistas da cena assustaram por não terem participado do processo de construção. Além disso, os idealizadores não vivenciam a cena de Poesia Marginal Falada. “Tentaram dialogar com o grupo, disseram que iam incluir mais pessoas da cena mineira e articulariam uma programação em conjunto, mas isso não foi feito”, afirma.

O manifesto é, ainda, um convite aos idealizadores do Festival parar construir coletivamente o evento. Os artistas criaram o grupo ‘Repúdio ao FELIM – Festival de Literatura Marginal de BH’ em uma rede social. Uma das postagens diz: “É uma ofensa para todos nós Poetas ter que nos defender dessa mercantilização da palavra”. João Paiva, Pieta Poeta e Dalva Maria, poetas de BH, que estavam na grade do Festival, decidiram se retirar em respeito aos movimentos de Poesia Marginal.

Construção coletiva

Segundo Renegado, foram identificadas falhas no processo de curadoria mas elas foram corrigidas a tempo. Dessa maneira, os movimentos foram convidados ao diálogo. “As pessoas não quiseram participar. Isso é uma posição delas. Sou a favor que as pessoas se posicionem, concordem ou não com os processos. É legítimo não concordar. Faz parte do processo democrático de construção”, afirma.

O rapper também faz questão de ressaltar o quanto acredita na construção coletiva. Segundo ele, o Felim é um espaço aberto. “Se as pessoas quiserem vir aqui trocar ideia, estaremos aqui”, completa. O que ele diz repudiar é o fato de haver certa coação por parte do movimento contrário. “O Felim segue. Não podemos parar porque a vida não para. Quero lembrar que os excluídos não excluem e sim agregam. Estou aqui para agregar valor e construir para as comunidades”, finaliza.

 

 

Protesto de Emily Roots publicado no Facebook. Crédito: Reprodução Facebook

 

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