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“Estamos num momento onde a religião se tornou uma arma política”, diz Fabiana Cozza

Artista participou do Show da Tarde e comentou sobre o novo disco. Ela lança o álbum em live em 17 de outubro e participa de entrevista no Sarau Minas Tênis Clube

Por Jaiane Souza *

08/10/2020 às 17:08 | *Colaborador

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Foto: José Holanda / Divulgação

Ancestralidade negra, ameríndia e principalmente o sagrado são temas do disco Dos Santos, novo trabalho de Fabiana Cozza. Ela participou do Show da Tarde, que vai ao ar todas as quartas-feiras no Instagram do Culturadoria, e contou mais sobre o oitavo disco da carreira. “É um disco das brasilidades, que fala muito da cultura de terreiro, mas não fica dentro do terreiro no sentido de ritual. O que trazemos são composições inéditas, de compositores de diversos estados brasileiros. Através disso dá pra pensar nessa ancestralidade por meio do sagrado”, explica Fabiana Cozza.

O álbum é composto por 19 músicas inéditas de autores como Paulo César Pinheiro, Zélia Duncan, Ceumar e Pedro Luís. Uma das poucas exceções é Senhora Negra, de Sérgio Pererê. A canção não é inédita, mas a primeira gravação foi de Cozza. 

O disco será lançado em live no dia 17 de outubro, às 21h, na Casa de Francisca. Adquira aqui o seu ingresso. Além disso, ela também se apresenta no encerramento do Sarau do Minas Tênis Clube, no dia 19 de outubro, às 20h. A transmissão é gratuita pelo YouTube. No entanto, o formato será entrevista, já que a pandemia não permitiu a seleção dos artistas para esta edição. 

Religião e cultura

Para Fabiana Cozza, a religião virou uma arma política, mercadológica e de interesse. Por isso, fala sobre cultura em Dos Santos. “Eu falo em fé, eu falo em cultura. Cultura de terreiro, afro-brasileira e ameríndia, porque é um outro lugar”, destaca a artista. 

A faixa de abertura, por exemplo, Oxalá um dia, foi um presente de Tiganá Santana. É um texto falando sobre a vida, o seus tempos e imagens, afetos, ancestralidade, de tambores e do cantar. O texto recitado dita o ritmo de todo o restante do álbum, pois são assuntos que precisam de respiro. “É um disco de silêncios, mais do que de muitas palavras. Tanto é que, musicalmente falando, ele tem os elementos principais conscientemente escolhidos”, destaca Cozza. 

fabiana cozza

Capa do álbum ‘Dos Santos’, de Fabiana Cozza. Foto: José de Holanda

O tempo de cada artista

Enquanto Sérgio Pererê está lançando cinco discos em 2020, outros artistas estão em caminhos diferentes. É o caso de Fabiana Cozza. Assim como ele, não está inserida na grande indústria musical. Isso permite ter tempo e liberdade para fazer trabalhos não moldados. “O Pererê me inspira e me inquieta muito com o processo dele. Primeiro que ele vem dizer que a criação não é um momento isolado da vida, mas faz parte do cotidiano. Por isso ele tem essa capacidade de fazer cinco discos em um ano”, observa Fabiana. 

Ainda de acordo com Cozza, a indústria está muito apegada ao modelo antigo de negócio, no qual há uma fórmula que precisa ser seguida. Além disso, discursos pré-moldados para que o artista se encaixar e fazer sucesso. “Há uma unicidade em cada um: como você reproduz uma Cássia Eller? Uma Clara Nunes ou uma Clementina de Jesus? Jamais!”, finaliza Fabiana Cozza.

Assista a conversa completa a seguir. Também participou do Show da Tarde a diretora Duda Maia, da montagem Jacksons do Pandeiro, da Barca dos Corações Partidos. Os disco Dos Santos está disponível nas plataformas de streaming.

 

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Programa de entrevistas com @barcadoscoracoespartidos e @fabianacozza

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