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Evolução do brega funk, o ritmo nordestino que ganhou o Brasil

O gênero existe há, pelo menos, dez anos em Recife e chegou ao restante do país por meio de MC Loma e as Gêmeas Lacração

Por Jaiane Souza *

02/04/2020 às 08:40 | *Colaborador

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MC Loma e as Gêmeas Lacração Foto: Gabriel Cardoso/SBT

Vindo diretamente do Nordeste brasileiro o brega funk chegou fazendo alvoroço e ficou. A explosão do estilo no Brasil ocorreu a partir do lançamento do hit Envolvimento, protagonizado por MC Loma e as Gêmeas Lacração. O vídeo foi gravado de forma totalmente amadora pelo irmão de Loma e foi sucesso (já soma 50 milhões de visualizações no YouTube). A música em si ficou por conta do produtor DG, que acreditou no sonho da jovem. Assim, gravou e produziu gratuitamente para ela. 

Menos de um mês depois, o produtor Kondzilla gravou com as artistas uma versão ostentação do clipe. No caso, a bicicleta que a protagonista do clipe pegava carona, deu lugar a um carro conversível, os cenários simples foram trocados por condomínio e mansão. Resultado: mais sucesso e visibilidade para as nordestinas. Vale lembrar: eram anônimas até então. O vídeo no canal do produtor conta com mais de 270 milhões de reproduções.

No entanto, brega funk já existia no Recife há, pelo menos, dez anos. Ganhou reforço e reconhecimento quando a música se alastrou país afora e virou hit do carnaval de 2018. Quem aí não deu uma dançadinha que seja durante a folia ao som da canção? Confira a evolução do ritmo e sua trajetória. 

Origem e características

Como o nome diz, o brega funk é uma mescla de dois estilos. Mas não é simplesmente uma junção da característica romântica do brega com a batida do funk. A história do ritmo envolve questões sociais, estéticas e econômicas. Tudo começou com as diversas festas realizadas na capital pernambucana, reunindo pessoas de todos os bairros. Além das equipes de som e DJs, que faziam a trilha sonora da festa, também começaram os concursos e shows com os MCs locais. Foi aí que surgiram os primeiros nomes do funk local, como, por exemplo, o MC Leozinho. Inspirados em artistas do estilo carioca, como DJ Marlboro, MC Galo, Cidinho e Doca.

O artista sempre marcou presença nos bailes cantando para representar o seu bairro. No entanto, as festas reuniam pessoas de regiões rivais. Na tentativa de unificar todas as comunidades, MC Leozinho lançou a música Rap da Cyclone, um funk que falava para diferentes tribos. Não deu certo e a violência só cresceu, o que resultou no fechamento do principal baile da época, o Baile do Rodoviário.

Reinvenção

Assim, com o funk marginalizado foi preciso se reinventar. Leozinho, então, se baseou no brega pop que estava sendo produzido nos anos 2000. As composições articulavam sonoridade local (Reginaldo Rossi e Chama do Brega, por exemplo), com a do Ceará (Aviões do Forró e Saia Rodada) e do Pará (tecnobrega e calypso). Como ele precisava ganhar dinheiro resolveu gravar um brega também. Assim, surgiu, a música Dois corações, feita em parceria com o DJ Serginho, outro nome do funk da época. 

Aproveitando o sucesso com a canção, a dupla criou a música DNA, considerada como a fundadora do brega funk ao mesclar os dois estilos. Infelizmente, ela foi removida do YouTube e não está mais disponível na internet.

Nem precisa dizer que a partir daí surgiu um nova era, não é? Outros MCs entraram na onda e continuaram desenvolvendo o estilo e adicionando outras características e influências. 

Expansão para outros estados

MC Loma e as Gêmeas Lacração abriram a porta para o brega funk no Brasil. Em poucos dias, Envolvimento já estava tocando todas as festas, grandes e pequenas, inclusive no carnaval de 2018. Mas, se voltarmos um pouquinho no tempo, outras manobras de inserção do ritmo já estavam sendo realizadas. Dadá Boladão, por exemplo, em 2017, foi o primeiro MC pernambucano a assinar contrato com a Sony Music, uma das maiores gravadoras da atualidade. Ele compôs para nomes importantes do eixo Rio-São Paulo, como MC Livinho, e teve a música Revoltada regravada por Solange Almeida, ex-Aviões do Forró, e Ivete Sangalo.

Após a expansão para o restante do Brasil, diversos artistas partiram rumo ao Nordeste para unir os seus ritmos ao brega funk. Um exemplo é a música Surtada, de Tati Zaqui com OIK e o já citado Dadá Boladão. O hit alcançou o primeiro lugar no Spotify no fim do ano passado e no YouTube já chega a quase 200 milhões de visualizações. 

brega funk

Foto: Felipe Larozza / Divulgação

Os hits e o carnaval

Surtada consolidou de vez o ritmo no país. Em seguida, outros notáveis como Hit contagiante (que traz o hit no próprio título) apareceram. A canção, de Felipe Original em parceria com Kevin o Chris, é uma das músicas mais executadas dentro do gênero brega funk no Spotify. E é claro que essas composições não ficariam de fora do carnaval 2020. Contatinho, parceria entre Anitta e Léo Santana tocou nas festas, nos trios e nos blocos provando como é possível versatilizar o brega funk, pois usa elementos do estilo aliados ao swing do axé Bahia.

Em resumo, o brega funk foi o ritmo do carnaval. Isso pelo menos de acordo com o Spotify. Entre os dias 22 e 25 de fevereiro, a faixa Tudo OK, de Thiaguinho MT, Mila e JS o Mão de Ouro, foi a mais ouvida no Brasil, seguida de Sentadão, de Pedro Sampaio, Felipe Original e JS o Mão de Ouro, e Surtada

Adaptação de músicas prontas e memes

O ritmo se expandiu tanto que produções prontas estão sendo reeditadas no estilo. Confira algumas: 

A clássica Boate Azul.

Beat it, de Michael Jackson. 

Man down, de Rihanna. 

Até Kpop: Kill this love, BlackPink.

Nem os memes ficaram de fora. O vídeo da artista Cardi B comentando sobre o coronavirus virou meme rapidamente e ganhou a versão brega funk

 

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