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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Mostra de animação Katsudo Shashin – Imagens em Movimento

Publicidade - Portal UAI
Foto: Shochiku Films
[QUANDO]
12/11/2019 a 22/11/2019 às 14:00
[QUANTO]
Gratuito
[ONDE]
Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro - Centro, Belo Horizonte - MG, Brasil
Os ingressos estarão disponíveis na bilheteria!

Informações de divulgação e programação:

Pioneiro no Brasil, o festival exibirá 26 filmes de animação nipônicos raros, entre longas, curtas e médias-metragens, pela primeira vez em uma sala de cinema na capital mineira. O evento conta com entrada gratuita e a retirada de ingressos deve ser feita meia hora antes na bilheteria do Sesc Palladium. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, com patrocínio da MGS – Minas Gerais Administração e Serviços e apoio da Fundação Japão e do Consulado do Japão em Belo Horizonte.

Em 2017, o cinema de animação japonês completou 100 anos, mas foi apenas no período do pós-guerra, entre 1945 e 1970, que essa produção, hoje tão popular, se consolidou como uma das maiores indústrias do ramo. Apesar de o foco ser o pós-guerra, o nome da mostra, Katsudo Shashin, que significa Imagens em Movimento, é o termo que denomina as primeiras animações que fundam a cultura da animação japonesa e que nesta mostra foram fundamentais para o escopo curatorial. “É uma mostra inédita no Brasil, fruto de uma pesquisa de três anos, onde tentamos criar uma ponte de diálogo entre os filmes e a história do cinema. Esse olhar é inédito no campo dos estudos dos animes ao se concretizar em uma mostra sem precedentes no Brasil”, conta Nina Gazire, idealizadora e uma das coordenadoras do festival.

Na abertura da mostra, dia 12/11, a partir das 19h30, o público poderá assistir ao primeiro longa-metragem em animação japonês, “Momotaru Umi no Shinpei”/“O Deus dos Soldados do Mar”(1945), propaganda de guerra dirigida por Mitsuyo Seo, um dos precursores dessa arte. Também haverá a apresentação do professor de Cinema da Universidade de Brasília, João Lanari Bo, autor do livro “Cinema Japonês: Histórias, filmes e diretores”, comentando o primeiro longa-metragem de animação, “Momotaru Umi no Shinpei”, de Mitsuyo Seo, e, posteriormente, a palestra  “Reinventando o Japão: cinema na encruzilhada da guerra e do pós-guerra – Mizoguchi Kenji, Naruse Mikio e Mitsuyo Seo”. A ideia é examinar, ainda que de modo breve, a produção de dois diretores com grande capacidade produtiva antes, durante e depois da Guerra – Mizoguchi e Naruse – a fim de elaborar um conjunto de referências útil para a compreensão da inserção histórica de Mitsuyo Seo, o grande pioneiro da animação japonesa.

João Lanari Bo explica que não é necessário enfatizar a radicalidade das mudanças políticas e sociais que o Japão experimentou nessa juntura histórica – o país embarcou em uma aventura bélica sem precedentes na década de 30, e terminou sendo fragorosamente derrotado em 1945. “Na história moderna o Japão é o único país que foi alvo de bombas atômicas. O cinema incorporou essa historicidade e tornou-se, ele mesmo, palco para exposição e negociação de ideologias e comportamentos, sendo por isso mesmo um registro acurado dessas vertiginosas transformações”, relata.

Também serão exibidas obras pioneiras do pai do anime, Osamu Tezuka, e trabalhos do diretor Noburo Ofugi, considerado o pai do mangá/anime modernos, além de curtas que datam de 1933-1941. Noburo Ofuji é autor da primeira animação em cores do Japão, “Katsura Hime”/“Princesa Katsura”. Também será exibido o making off deste trabalho. O mestre Ofuji também é conhecido pela técnica Chyogami, que deu origem ao estilo Chyogami Movies, onde as colagens das figuras e background são feitas diretamente na película. O diretor utilizou essas técnicas no período entre guerras, antes de ser fortemente influenciado pela animadora alemã Lotte Reiniger.

Para o público infantil, será exibido o anime “Panda Kopanda”, produzido pelo aclamado diretor e ganhador do Oscar Hayao Myazaki antes de fundar o famoso estúdio Ghibli. Este filme deu início à popularização dos ursos Pandas como mascotes e se tornaram febre no Japão.

Outro destaque da programação são os filmes da trilogia Animerama: “Senya Ichiya Monogatari”/“As mil e uma noites” e “Kureopatora”/“Cleópatra”, concebidos por Osamu Tezuka. Os dois filmes pertencem à série de animações experimentais para adultos, com temática psicodélica e erótica. As animações foram produzidas no estúdio de animação Mushi Production, de Tezuka, entre 1969 e 1973. As obras são inspiradas pelo gênero Pink Films (Filmes Cor de Rosa), produção cinematográfica japonesa assim denominada pelo apelo levemente pornográfico (softporn). Esses filmes foram feitos por pequenas produtoras independentes para serem exibidos exclusivamente no cinema. As animações da trilogia de Osamu Tezuka, além da temática erótica, são conhecidas, também, pela mistura de técnicas de mais animações tradicionais com sequências do design moderno, como as animações do estúdio norte-americano UPA – United Productions of America e pelo traço do cartunista Yoji Kuri.

O primeiro filme, “As Mil e Uma Noites”, é um longa-metragem de animação erótica, com 130 minutos, e que, durante muitos anos, foi considerado uma das animações mais longas da história do cinema. Tanto “As Mil e Uma Noites” (1969) quanto “Cleópatra” (1970) têm trilha sonora assinada pelo famoso compositor e precursor da música eletrônica Isao Tomita. Serão exibidos apenas dois filmes da trilogia.

 

No dia 16 de novembro, a artista e quadrinista Ing Lee, responsável pela identidade visual da mostra Katsudo Shashin- Imagens em Movimento, vai lecionar a oficina “Pensamento Gurafiku” no workshop “Usina da Cultura”, que tem como ponto de partida a construção imagética das composições e formas das representações gráficas no contexto histórico e político da Era Showa no Japão (1926-1989). No dia 19 de novembro, Ing Lee comentará a sessão “National Film Politics”, sobre o nacionalismo e fascismo no Japão durante a era Showa e a Segunda Guerra Mundial. “É preciso buscar entender o passado para que não se esqueça e jamais aconteça novamente; para se entender a cultura pop japonesa é inevitável que se discuta os efeitos do pós-guerra”, enfatiza.

Filha de pai norte-coreano, Ing atua em coletivos de militância e estudos asiático-brasileiros, sendo a co-fundadora do Selo Pólvora, coletivo feminista asiático de publicações independentes. Para o processo de construção da identidade visual do festival Katsudo Shashin, ela trouxe um olhar crítico sobre o contexto histórico que permeia as raízes da animação japonesa: o do sofrimento e a violência da guerra. “Escolhi uma cena do primeiro longa-metragem de animação japonesa,  ‘Momotaro: Umi no Shinpei’ (‘Mitsuyo Seo’, 1945), em que dois personagens contemplam um campo florido ao mesmo tempo em que sons de aviões de guerra e bombas ecoam ao fundo; fundindo-a com a paisagem dos escombros da cidade de Nagasaki após ser bombardeada pelos EUA”, explica.

PROGRAMAÇÃO

12/11 – TERÇA-FEIRA 

19h30 – FILMES DE POLÍTICA NACIONAL  – CINEMA DO PÓS-GUERRA NA ERA SHOWA

Momotaru: Umi no shinpei (O Deus dos Soldados do Mar), Mitsuyo Seo, 1945, 74’, 10 anos

Palestra com João Lanari Bo  – “Reinventando o Japão: cinema na encruzilhada da guerra e do pós-guerra – Mizoguchi Kenji, Naruse Mikio e Mitsuyo Seo” – com interpretação em libras

13/11 – QUARTA-FEIRA

19h30 – FILMES DE POLÍTICA NACIONAL – CINEMA DO PÓS-GUERRA NA ERA SHOWA

Momotaru no Umiwashi (As Águias Marinhas de Momotaru), Mitsuyo Seo, 1943, 37’, 10 anos

Namakegitsune (A Raposa Preguiçosa), Sanae Yamamoto, 1941, 11’, 10 anos

Kyodai koguma (Os Três Irmãos Ursos), Sanae Yamamoto, 1932, 11’, livre

Ahiru rikusentai (A Infantaria dos Patinhos), Mitsuyo Seo, 1941, 11’, livre

21h10 – FILMES DE POLÍTICA NACIONAL – CINEMA DO PÓS-GUERRA NA ERA SHOWA

Fuku Chan no Sensuikan (O Submarino de Fuku Chan), Ryuichi Yokoyama e Isoji Sekiya, 1944, 33’, 10 anos

Arichan (A Formiga), Mitsuyo Seo, 1941, 11’, livre

Kokka Kimigayo (Kimigayo), Noburo Ofuji, 1931, 3’17”, livre

14/11 QUINTA-FEIRA

19h30 – MOSTRA NOBURO OFUJI – FILMES CHYOGAMI

Kujira (A Baleia), Noburo Ofuji, 1952, 09’, 12 anos

The Making of Color Animation (Como fazer uma animação em cores), Noburo Ofuji e Shingeji Ogino, 1937, 03’, livre

Kastura Hime (Princesa Katsure), Noburo Ofuji, 1937, 02’, livre

Kokoro no chikara (Força de Vontade), Noburo Ofuji, 1931, 18’, livre

Yuurei Sen (O navio Fantasma), Noburo Ofuji, 1956, 11’, 14 anos

21h45 – ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

New Treasure Island (A Ilha do Tesouro), 1965, 53’, 10 anos

15/11 – SEXTA-FEIRA

19h – ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

Senya Ichiya Monogatari (As Mil e Uma Noites), Eiichi Yamamoto, 1969, 128’, 18 anos

21h30 –  ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

Ningyo (A Sereia), Osamu Tezuka, 1956, 08’, livre

Cigarettes and Ashes (Cigarros e Cinzas), 1965, 03’, 18 anos

Souseiki (Genesis), Osamu Tezuka, 1968, 03’, 18 anos

Memory (Memória), Osamu Tezuka, 1968, 05’, 16 anos

Male (Macho), Osamu Tezuka, 1962, 03’, 16 anos

Aru Machi Kado no Monogatari (Histórias de uma Esquina), Osamu Tezuka, 1962, 38’, livre

16/11 – SÁBADO

16h – FILMES CHIBI – HERANÇA DISNEY

Panda Kopanda (As aventuras de Panda e Seus Amigos), Isao Takahata/ Hayao Myazaki,, 1972, 75’, livre

18h – ANIMARAMA –  OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA – sessão com audiodescrição

Tenrankai no E (Quadros de Uma Exposição), Osamu Tezuka, 1966, 32’, 12 anos

Yasashii Lion (O Leãozinho Gentil), Osamu Tezuka, 1969, 27’, 12 anos

20h – ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

Kureopatora (Cleopatra), Osamu Tezuka e Eiichi Yamamoto, 1970, 112’, 18 anos

17/11 – DOMINGO

16h – FILMES CHIBI – HERANÇA DISNEY

Panda Kopanda (As Aventuras de Panda e seus Amigos), Isao Takahata/Hayao Myazaki, 1972, 75’, livre

18h –  FILMES CHIBI – HERANÇA DISNEY

Ie Naki Ko (Remi, o Garoto Abandonado), Osamu Dezaki, 1977, 91’, livre

20h – FILMES DE POLÍTICA NACIONAL – CINEMA DO PÓS-GUERRA NA ERA SHOWA

Momotaru: Umi no shinpei (O Deus dos soldados do mar), Mitsuyo Seo, 1945, 74’, 10 anos

19/11 – TERÇA-FEIRA

18h30 – ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

New Treasure Island (A Ilha do Tesouro), Osamu Tezuka, 1965, 53’, 10 anos

20h – FILMES DE POLÍTICA NACIONAL – CINEMA DO PÓS-GUERRA NA ERA SHOWA

Momotaru no Umiwashi (As Águias Marinhas de Momotaru), Mitsuyo Seo, 1943, 37’, 10 anos

Namakegitsune (A Raposa Preguiçosa), Sanae Yamamoto,1941, 11’, 10 anos

Kyodai koguma (Os Três Irmãos Ursos), Sanae Yamamoto, 1932, 11’, livre

Ahiru rikusentai (A Infantaria dos Patinhos), Mitsuyo Seo, 1941, 11, livre

Sessão comentada por Ing Lee – com interpretação em libras

20/11 – QUARTA-FEIRA

17h – FILMES DE POLÍTICA NACIONAL – CINEMA DO PÓS-GUERRA NA ERA SHOWA

Fuku Chan no Sensuikan (O Submarino de Fuku Chan), Ryuichi Yokoyama e Isoji Sekiya, 1944, 33’, 10 anos

Arichan (A Formiga), Mitsuyo Seo, 1941, 11’, livre

Kokka Kimigayo (Kimigayo), Noburo Ofuji, 1931, 3’17”, livre

18h30 – FILMES CHIBI – HERANÇA DISNEY

Ie Naki Ko (Remi, o Garoto Abandonado), Osamu Dezaki, 1977, 91’, livre

20h30 –  ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

Kureopatora (Cleopatra), Osamu Tezuka e Eiichi Yamamoto, 1970, 112’, 18 anos

21/11 – QUINTA-FEIRA

19h30 – ANIMARAMA –  OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA (sessão em audiodescrição)

Tenrankai no E (Quadros de Uma Exposição), Osamu Tezuka, 1966, 32’, 12 anos

Yasashii Lion (O Leãozinho Gentil),  Osamu Tezuka, 1969, 27’, 12 anos

21h –  ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

Ningyo (A Sereia), Osamu Tezuka, 1956, 08’, livre

Cigarettes and Ashes (Cigarros e Cinzas), 1965, 03’, 18 anos

Souseiki (Genesis), Osamu Tezuka, 1968, 03’, 18 anos

Memory (Memória), Osamu Tezuka, 1968, 05’, 16 anos

Male (Macho), Osamu Tezuka, 1962, 03’, 16 anos

Aru Machi Kado no Monogatari (Histórias de uma Esquina), Osamu Tezuka, 1962, 38’, livre

22/11 – SEXTA-FEIRA

18h30 – ANIMARAMA – OS FILMES EXPERIMENTAIS DE OSAMU TEZUKA

Senya Ichiya Monogatari (As Mil e Uma Noites), Eiichi Yamamoto, 1969, 128’, 18 anos

21h30 – MOSTRA NOBURO OFUJI – FILMES CHYOGAMI

Kujira (A Baleia), Noburo Ofuji, 1952, 9’, 12 anos

The Making of color animation (Como fazer uma animação em cores), Noburo Ofuji e Shingeji Ogino, 1937, 03’, livre

Kastura Hime (Princesa Katsure), Noburo Ofuji, 1937, 02’, livre

Kokoro no chikara (Força de Vontade), Noburo Ofuji, 1931, 18’, livre

Yuurei Sen (O Navio Fantasma), Noburo Ofuji, 1956, 11’, 14 anos

SERVIÇO

Mostra de animação Katsudo Shashin- Imagens em Movimento

Data: 12 a 22 de novembro

Abertura: 12/11 a partir das 19h30 com exibição do primeiro longa em animação japonês, “Momotaru Umi Shinpei”, Mitsuyo Seo (1945), sessão comentada e palestra com João Lanari Bo  – “Reinventando o Japão: cinema na encruzilhada da guerra e do pós-guerra – Mizoguchi Kenji, Naruse Mikio e Mitsuyo”

Local: Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro – Belo Horizonte/MG)

Ingressos: retirada meia hora antes das sessões na bilheteria

*Entrada gratuita

 

 “National Film Politics” – Sessão comentada por Ing Lee

Data: 19 de novembro

Horário: 20h

Oficina “Pensamento Gurafiku” no workshop “Usina da Cultura”

Oficineira: Ing Lee

Data: 16 de novembro
Horário: 
das 14h às 18h
Inscrições gratuitas até 13/11:

bit.ly/gurafikushowa (12 vagas)

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