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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Espetáculo Vinte, formatura do Cefart

Publicidade - Portal UAI
Foto: Paulo Lacerda / Divulgação
[QUANDO]
27/11/2019 a 19/12/2019
[QUANTO]
Gratuito
[ONDE]
Palácio das Artes - Avenida Afonso Pena - Centro, Belo Horizonte - MG, Brasil
Os ingressos estarão disponíveis na bilheteria!

Informações de divulgação:

Como pensar modos coletivos de existência, mergulhando no conceito de multidão, para refletir questões do mundo atual. Partindo dessa perspectiva que o espetáculo de formatura do 3º ano do Curso Técnico de Teatro do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart, da Fundação Clóvis Salgado – VINTE – foi concebido. Com direção de Marcio Abreu, diretor e dramaturgo da Companhia Brasileira de Teatro – sediada em Curitiba –, a peça é composta por cenas individuais e, em sua maioria, estruturas coletivas que se desdobram para afirmar diferenças e singularidades, perpassando pelas dimensões de público e privado, com o que vem de dentro e o de fora, com o que é real, mas também com o que é impossível.

Convidado pelos alunos para dirigir a peça, Marcio Abreu também assina a dramaturgia, constituída por textos criados por ele e outros integrantes do espetáculo. “Eu queria que essa experiência não partisse de um texto pronto, pois me daria menos chance de trabalhar a criação da dramaturgia, que acredito ser fundamental para o grupo”, comenta Marcio Abreu.

No palco, 20 artistas utilizam elementos da música e da dança – um modo potente de ativação do coletivo – para criar cenas que dialogam com a performance e que, em determinados momentos, exigem um certo grau de esforço físico dos atores. “Em se tratando de teatro contemporâneo, havia um desejo de experimentar uma linguagem conectada radicalmente com a ideia de performatividade. Um teatro que vai ao encontro da performance. E o Marcio Abreu trouxe isso. A ideia de acontecimentos cênicos mais do que representações e situações dramáticas”, explica o ator Pedro Henrique Pedrosa.

Durante o processo de concepção do espetáculo, as atrizes e os atores, com orientação de Abreu, criaram núcleos de trabalho responsáveis por acompanhar cada etapa de criação: Núcleo de Dramaturgia, Núcleo de Direção, Núcleo de Corpo, Núcleo de Figurino, Núcleo de Cenografia, Núcleo de Trilha sonora, Núcleo de Projeto Gráfico e Núcleo de Produção. “Esta peça é uma experiência profissional, mas pelo fato de ser também um espetáculo de formatura, é fundamental que haja um caráter pedagógico. E a formação desses núcleos foi uma forma de estimular a criação nos artistas. Eu queria muito que a criação viesse deles e que os atores experimentassem outras funções dentro de um modo de produção”, revela Abreu.

Cartografia de Belo Horizonte – A cena central de VINTE é composta por uma cartografia, com mapas, ruas e histórias ocultas – as não oficiais – da capital mineira. “A peça é dividida entre o que acontece antes e depois desta cartografia. Antes, os atores formam um grupo padronizado, inclusive visualmente. Depois, as singularidades começam a aparecer”, explica Abreu.

Esta cena da cartografia, segundo o ator Tomás Sarquis, pode simbolizar três críticas. A primeira é a forma como a história oficial do Brasil é contada, por meio de nomes de ruas, avenidas e praças, como Afonso Pena e Floriano Peixoto, que homenageiam personalidades políticas do passado. “Quem foram essas figuras, de fato? O que elas representaram para o país? Em que tipo de articulações e poderes elas estavam envolvidas?”, questiona Tomás.

Em seguida, a cena central traz importantes acontecimentos de Belo Horizonte e histórias de pessoas que habitam a cidade, em locais como a rua Guaicurus, o bairro Lagoinha e a Feira Hippie, e que não são narradas de forma oficial. “Até chegar à crítica geográfica, que trata de uma ideia ilusória da Avenida do Contorno como espaço de poder, circunscrito em um conceito de cidade elitista, que não dá conta de chegar nem perto da complexidade das relações sociais que ocorrem em regiões como Barreiro ou Venda Nova. As vidas nesses lugares não podem ficar invisíveis”, completa o ator.

Força do coletivo – Marcio Abreu vive no Rio de Janeiro, mas, ao longo de sua carreira, estabeleceu uma relação profunda com a cena teatral de Belo Horizonte, ao dirigir a artista Grace Passô e dois espetáculos do Grupo Galpão. Por isso, era natural que surgissem nomes mineiros para integrar a equipe de VINTE. Lydia Del Picchia, atriz do Grupo Galpão e coordenadora pedagógica do Galpão Cine Horto, assumiu a assistência de direção ao lado de Rafael Lucas Bacelar, fundador e diretor da Companhia Toda Deseo. “O Rafael e a Lydia conduziram um trabalho muito importante de levantamento de material para a construção da peça. Sem eles, seria impossível a construção do espetáculo”, afirma Marcio Abreu.

Paulo André, ator, e Gilma Oliveira, produtora e figurinista, ambos integrantes do Grupo Galpão, ficaram responsáveis por criar o figurino. Com a utilização de uma paleta de cores mais escuras, o desafio foi pensar uma indumentária que retratasse, com um certo padrão, a pulsação única de um coletivo que representasse a multidão e, ao mesmo tempo, revelasse as individualidades dos 20 artistas. “É a tentativa de um ato de convivência que vai se transformando. É como se fosse uma pequena multidão se movendo nas microrrelações e no coletivo”, comenta Gilma. “Além disso, o Marcio sempre trabalha com as fronteiras meio borradas entre o social e o esportivo, o público e o privado, o ator e o personagem. Na verdade, é mais um processo de observação que de construção, uma vez que é necessário perceber mais a pessoa – o ator – do que o personagem. E isso reflete muito na feitura do figurino porque a gente brinca com essas fronteiras”, completa Paulo André.

Sinopse:

Transitando entre referências de teatro, performance e dança, o processo criativo desse trabalho busca descrever trajetórias entre a consciência e o enfrentamento do impossível e a construção de campos reais de partilha e de convivência. A peça caminha do individual para o coletivo, do privado para o público, de dentro para fora. VINTE pessoas articulam em cena uma dramaturgia que se desenvolve em relação aos movimentos de transformações do mundo atual.

 

Marcio Abreu – Ator, diretor e dramaturgo, natural do Rio de Janeiro sua formação tem passagens pela EITALC (Escola Internacional de Teatro da América Latina e Caribe) e pela ISTA, (Escola Internacional de Antropologia Teatral). Nos anos 1990, em Curitiba, fundou o Grupo Resistência de Teatro, com o qual trabalhou por 6 anos. Diretor da Companhia Brasileira de Teatro desde 1999, sediada em Curitiba, desenvolve pesquisas, processos criativos e intercâmbio com artistas de várias partes do país e também de outros países.

Em 2012, foi escolhido como personalidade teatral do ano pelo jornal Folha de São Paulo. Recebeu o Prêmio SHELL RJ de melhor direção pelo espetáculo Esta criança. A peça Isso te interessa?, de Noëlle Renaude, recebe em 2012 o Prêmio APCA e o Prêmio Bravo! de melhor espetáculo do ano, além de 5 indicações ao Prêmio Questão de Crítica, levando o prêmio de melhor diretor. Em 2013 colaborou na direção da peça Cine Monstro, de Daniel MacIvor, dirigida e interpretada por Enrique Diaz. Dirigiu Núsferozes e antropófagos, em colaboração com a companhia francesa Jakart/Mugiscué e o Centro Dramático Nacional de Limousin. Em 2015 dirigiu KRUM, de Hanock Levin, numa segunda parceria de produção com a atriz Renata Sorrah, que renderam muitos prêmios como os de melhor espetáculo (Cesgranrio e Questão de Crítica). Em 2015, também escreveu e dirigiu PROJETO bRASIL com os parceiros da companhia brasileira de teatro. Em 2016 dirigiu o renomado Grupo Galpão no espetáculo Nós, texto escrito em parceria com Eduardo Moreira. Em 2017 coordenou e dirigiu o projeto Preto, da Companhia Brasileira de Teatro, parceria com a atriz e dramaturga Grace Passô e com a atriz Renata Sorrah. Orienta regularmente desde os anos 1990, oficinas, cursos, seminários e palestras relacionados ao trabalho do ator e à criação dramatúrgica. Atualmente é orientador do Núcleo de Direção do SESI PR. Segue ministrando oficinas de dramaturgia em diversas partes do país, além de atividades de curadoria e intercâmbio com outros artistas nacionais e internacionais. Em 2012, teve seu texto Vida, publicado na França, pela Maison Antoine Vitez, numa coletânea de Énova dramaturgia latino-americana. Em 2016, publicou pela Editora Cobogó os textos: PROJETO bRASIL e MARÈ.

 

Ficha Técnica

Direção geral e concepção dramatúrgica

MARCIO ABREU

Diretores assistentes

LYDIA DEL PICCHIA E RAFAEL LUCAS BACELAR

Elenco

ALEXANDER FIDELIS, ANA LIGEIRO, ANDRÉ LUIS VICENTE, ARTHUR BARBOSA, CAMILA FURTUNATO, CAMILA MARTA ROSA, DAVDS LACERDA, DEYDSON TCHARLES, GABRIEL VENTURA, JESSICA RICCI, KAKÁ CORREA, LEANDRO BOLINA, LETICIA BEZAMAT, NAYARA SALLES, PEDRO HENRIQUE PEDROSA, RAFAEL SANTOS, RENATA ROCHA, TIAGO COLOMBINI, TOMÁS SARQUIS E VINNY SÁ

Trilha Sonora / DAVI FONSECA

Cenografia: Marcelo Alvarenga / PLAY ARQUITETURA

Assistente de cenografia / LAÍS MARTINS

Figurino / GILMA OLIVEIRA E PAULO ANDRÉ

Visagismo / TIAGO COLOMBINI

Coordenação de produção / LARISSA SCARPELLI

Assistente de produção / LARA GAMA

Iluminação / KAKÁ CORREA

Colaboração e operação de luz

RODRIGO MARÇAL (PRISMA SOLUÇÕES CÊNICAS) E LUCAS MATIAS

Projeto gráfico / HERMANO LAMAS E LETÍCIA BEZAMAT

Fotos / PAULO LACERDA

Apoio: LUIZ CLÁUDIO SILVA E LEÔNIDAS RODRIGUES COELHO (APARTAMENTO 03) E GRUPO GALPÃO

 

 

 

Divisão dos Núcleos

 

 

ü  Núcleo de Dramaturgia

LETÍCIA BEZAMAT

NAYARA SALLES

PEDRO HENRIQUE PEDROSA

TOMÁS SARQUIS

VINÍCIUS DE SÁ MONTEIRO

ü  Núcleo de Direção

RENATA ROCHA

ü  Núcleo de Corpo

GABRIEL VENTURA

ARTHUR BARBOSA

ANDRÉ LUIS VICENTE

ü  Núcleo de Figurino

ARTHUR BARBOSA

CAMILA FURTUNATO

DEYDSON TCHARLES

ANA CLARA LIGEIRO

ü  Núcleo de Cenografia

ARTHUR BARBOSA

ü  Núcleo de Trilha sonora

CAMILA ROSA

DEYDSON TCHARLES

JÉSSICA RICCI

GABRIEL VENTURA

TIAGO COLOMBINI

ü  Núcleo de Produção

DAVDS LACERDA

RAFAEL SANTOS

ü  Núcleo de Projeto Gráfico

LETÍCIA BEZAMAT

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