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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Espetáculo Francesco

Publicidade - Portal UAI
Foto: Rodrigo Veneziano / Divulgação
[QUANDO]
28/11/2019 a 23/12/2019
[QUANTO]
Gratuito
[ONDE]
CCBB - Praça da Liberdade - Funcionários, Belo Horizonte - MG, Brasil
Comprar ingresso

Informações de divulgação:

Talentosa e de personalidade inquieta, a diretora Neyde Veneziano traz para Belo Horizonte sua mais nova criação artística, a peça de teatro “Francesco”. Último texto do Nobel de Literatura Dario Fo, o monólogo conta a vida de São Francisco de Assis, baseado nas histórias que o povo contava e não na biografia criada pela igreja. A obra entra em cartaz no dia 28 de novembro e segue até o dia 23 de dezembro, no Teatro 2 do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, de quinta a segunda, às 19h. O espetáculo conta com o patrocínio do Banco do Brasil.

Autoridade sobre a obra do dramaturgo contemporâneo mais encenado no mundo, a diretora – que passou um ano em Milão, entre 2000 e 2001 debruçada sobre a obra de Fo, pesquisando o acervo da companhia, vendo vídeos, espetáculos, ensaios e palestras – convidou Paulo Goulart Filho para a interpretação. O ator transita a todo momento entre o santo e os demais personagens, são 25 no total, criando gestos e tons de voz específicos para cada um deles. Além disso, cercou-se de uma equipe de criativos formada por Fábio Namatame (cenário e figurino), Daniel Maia (música) e André Lemes (iluminação).

“Eu tenho um carinho especial por Belo Horizonte por causa da UFMG, dos festivais de teatro e o Grupo Galpão. Nunca apresentei nada na cidade e estou adorando esta oportunidade que o CCBB nos deu. É uma casa importante e nos acolheu muito bem.”, conta a diretora.

No tempo em que passou na Itália, por conta de sua pesquisa de pós-doutorado, Neyde Veneziano – autora do único livro sobre Dario Fo publicado no Brasil, chegou a conviver com o autor, que considera a “figura mais emblemática de um tipo de teatro que não se esquece da plateia e das causas sociais”, inclusive frequentando sua casa. Quando Fo morreu, em 2016, Veneziano já havia traduzido o texto e tinha os direitos de montagem da peça. Na época, estava encenando MisteroBuffo, com Domingos Montagner e era desejo do ator interpretar o personagem. Mas Domingos morreria logo depois, no mesmo ano de Dario Fo. Ao encontrar o ator Paulinho Goulart, Neyde finalmente montou “Francesco”.

Paixão, a mensagem de paz que transmite e o ineditismo foram os motivos que levaram à encenação da peça. “Trata-se de um texto mais humano, sem perder a ironia e o humor. Por trás da comédia de Dario tem sempre uma tragédia, além de trazer toda uma mensagem política e social”. A diretora idealizou uma encenação calcada na arte do ator. Como Dario gostava. “O ator está no centro do palco, no centro da história, no centro das atenções. Porém, para deixar mais espetacular, como nosso público gosta, acrescentaremos música, cenário e figurino um tanto ousado”, conta.

Desafio de Paulo Goulart Filho

A respeito do convite para fazer o espetáculo, Paulo Goulart Filho recebeu a surpresa como um desafio. “Fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo, apavorado. Fazer um monólogo! E ainda mais do Dario Fo! Que desafio! Mas nossa profissão é assim, somos movidos por desafios”.

Bailarino, ator, cantor, ele reúne as habilidades e características desejadas para o papel. Em cena, além do próprio Francisco, interpreta todos os outros personagens que contracenam com ele. Além dos sete principais – Francisco, cardeal, narrador, o lobo, o papa (o antagonista), o Colona e o padre – Paulinho interpreta o pai, a mãe, as pessoas da igreja e os amigos, num total de 25 tipos diferentes.

“Uma gama de diversos tipos e características físicas, o que é um grande exercício de interpretação. Não estamos trabalhando com o naturalismo, mas sim com tipos, arquétipos e uma linguagem farsesca de contadores de histórias. Preciso utilizar todos os meus recursos e repertório físico, vocal e emocional para transformar o texto em um espetáculo divertido, performático e emocionante para o público. Mas isso que é bom em nossa profissão. Nunca estamos no lugar comum, na zona de conforto, sempre estamos na corda bamba sobre um precipício. Ser ator é isso, mergulhar num buraco negro sem saber o que está embaixo.”

Sobre ser dirigido por Neyde Veneziano, Paulinho não mede elogios: “É uma diretora que permite ao ator participar de todo processo criativo, aceitando sugestões e dando espaço para desenvolver criatividade tanto na construção dos personagens como na concepção cênica. Isso faz com que o ator se sinta parte integrante do processo criativo e, assim, o espetáculo se torna parte do ator também. É uma diretora extremamente criativa, generosa e sabe como dirigir um ator mostrando os caminhos no sentido de ritmo, compreensão do texto, fisicalidade e voz. Enfim, além de uma grande encenadora, é também uma excelente diretora de atores”.

Castelo de Ferrara e sessão de teatro

Dario escreveu o texto no final dos anos 90 e era um “cômico em revolta”. O autor encenou Francesco com o nome original de “Lu Sanctu Françesco Giullare”. “Francesco nasceu em Assis, uma cidade na Úmbria, por isso o nome está em dialeto Úmbaro. A primeira vez que assisti o Francesco foi em Ferrara. Participei da montagem da Mostra Pupazzi con Rabbia e Sentimento. Ele chegou depois e fez Francesco, no castelo de Ferrara. Quase morri”, conta a diretora.

Neyde seguiu o escritor durante todo o tempo em que morou na Itália. “Uma das apresentações interessantes foi em San Sepolcro, um vilarejo da Toscana, perto de Arezzo. Fui com ele mesmo no carro. E ele ia me explicando porque a cidade tinha esse nome. Depois que o Bergoglio foi escolhido Papa e adotou o nome de Francisco, Dario Fo fez significativas mudanças no texto. Este novo texto nunca foi publicado. Só eu tenho essa versão. E é a que vamos encenar”.

Sobre Neyde Veneziano

Especialista em Teatro Musical Brasileiro, Neyde Veneziano dirigiu 40 espetáculos em São Paulo e outros em Campinas, Florianópolis, Lisboa (PT) e Milão (IT). Recebeu vários prêmios por suas encenações, entre eles dois APCAs, dois Mambembes e uma indicação ao Shell-2013 como Melhor Diretora por MisteroBuffo, com o Grupo LaMinima (Domingos Montagner e Fernando Sampaio).

Em 1988/1989, seu espetáculo Revistando o Teatro de Revista conquistou mais de 15 prêmios, tendo permanecido dois anos em cartaz, apresentando-se em temporada no Rio de janeiro e São Paulo e em vários teatros do Brasil. Neyde é Professora Doutora em Artes Cênicas pela USP, professora orientadora na UNICAMP e autora de cinco livros sobre Teatro de Revista, sendo considerada a pesquisadora brasileira precursora na área de teatro musical.

Entre 2000 e 2001, viveu na Itália, fazendo seu pós-doutorado sobre Dario Fo, na Universidade de Bolonha. Desta importante pesquisa resultou seu livro A Cena de Dario Fo: O Exercício da Imaginação (Ed. Nobel).

Este é o único trabalho sobre Dario Fo escrito em língua portuguesa. Em 2019, está lançando o documentário intitulado Mamãe, eu quero ser vedete que apresenta atrizes do antigo Teatro de Revista ao lado de Silvio de Abreu e Claudia Raia, como representantes contemporâneos do gênero. Trata-se de mais uma obra de Neyde Veneziano com o propósito de valorizar a brasilidade em palcos paulistanos.

Sobre Paulo Goulart Filho

Estreou na televisão em 1976 na novela “Papai Coração” na extinta TV TUPI e no teatro em 1985 na peça “Dona Rosita, a solteira”, atuou em mais de sessenta espetáculos como ator e/ou bailarino, entre eles: “Cabaret”, “Não fuja da Raia”, “A Margem da Vida”, “Enfim sós”, “Sábado, domingo e segunda”, “O cavalo na montanha”, “Quartett”, “Adoráveis sem vergonhas”, “A Tempestade”, “Quarto 77”, “Os 39 degraus”, “As luzes do Ocaso”, “Chaplin, o musical”. Trabalhou com diretores como Antônio Abujamra, Bárbara Bruno, Abelardo Figueiredo, Jorge Fernando, Jorge Takla, Zé Renato, Vitor Garcia Peralta, Marcelo Lazzarato, Alexandre Heineck, Roberto Lage.

FICHA TÉCNICA – FRANCESCO

Direção e Adaptação: Neyde Veneziano. Texto: Dario Fo. Tradução: Sérgio Casoy. Interpretação: Paulo Goulart Filho. Assistente de Direção: Tony Germano e Mariana Mantovani. Iluminação: André Lemes. Trilha Sonora: Daniel Maia. Cenário e Figurinos: Fábio Namatame. Fotografia e Vídeo: Rodrigo Veneziano. Produção Executiva e Administração: Michelle Gabriel. Assistente de Produção: Ioneis Lima. Direção de Produção: Michelle Gabriel, Produção Local: Clarice Castanheira e Fredy Antoniazzi.

SERVIÇO

“Francesco”

Local: CCBB BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)

Data: 28 de novembro a 23 de dezembro

Horário: De quinta a segunda, às 19h

Ingresso*: R$ 30 e R$ 15 (meia) | Vendas a partir do dia 20/11 na bilheteria do CCBB ou pelo site eventim.com.br

*cliente Banco do Brasil paga meia entrada usando o cartão Ourocard na compra dos ingressos.

Classificação: 14 anos

Duração: 55 min

Informações: bb.com.br/cultura | ccbbbh@bb.com.br | (31) 3431-9400

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