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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Duo português Fado Bicha

Publicidade - Portal UAI
Foto: João Neto / Divulgação
[QUANDO]
30/11/2019
[QUANTO]
R$ 15 (até 0h), R$ 20 (após 0h), pessoas trans não pagam entrada
[ONDE]
R. Pitangui, 3613 - Horto, Belo Horizonte - MG, Brasil
Os ingressos estarão disponíveis na bilheteria!

Patrimônio da música portuguesa eternizado pela voz de Amália Rodrigues, o Fado ganha
nova interpretação pop e política com o Fado Bicha. A dupla composta por Lila Fadista e João
Caçador arrebatou a cena musical portuguesa e projetou-se internacionalmente ao debater
questões de gênero, intolerância e racismo em suas letras.
Artista parceiro da MIL Lisboa, uma das mais importantes convenções de música de Portugal, o
Fado Bicha vem ao Brasil para se apresentar na SIM São Paulo, e prepara uma homenagem a
Elza Soares, voz que eternizou a canção A Mulher do Fim do Mundo, presente em todas as
performances do Fado Bicha e regravada pela dupla. Além do evento, realizado no Centro
Cultural São Paulo entre 4 e 8 de dezembro, a dupla prepara uma série de atividades no Brasil
entre 26 de novembro e 17 de dezembro.
Elza Soares e o Brasil
Foi fora da terra natal que Tiago Lila encontrou a sua voz no fado. “Entre 2014 e 2016, morei
na Grécia. Trabalhava numa ONG em Atenas e, num encontro, pediram-nos para mostrarmos
alguma coisa dos nossos países, das nossas culturas. Eu disse ‘sou português, posso cantar
um fado’. Foi assim a primeira vez. Cantei o ‘Barco Negro’ e foi incrível”. Popularizada na voz
de Amália Rodrigues, esse fado é fruto de uma canção escrita por Caco Velho, um compositor
brasileiro.
De volta a Portugal, Lila buscou uma escola de fado, e percebeu que “não cabia por inteiro”
naquela música. Numa das duas aulas a que foi, cantou ‘Ai Mouraria’, em um questionamento
direto a um professor que lhe disse que não podia cantar “um fado de mulher”. Foi fora da
escola formal que o Fado Bicha ganhou vida: em uma casa noturna de Lisboa, Tiago Lila virou
Lila Fadista, e a sua apresentação solo foi vista por João Caçador, que lhe perguntou se queria
um guitarrista.
“O fado sempre teve poetas, fadistas e músicos homossexuais, só que, infelizmente, nunca se
puderam expressar, ou escolheram não o fazer, de forma explícita”, analisa João Caçador,
guitarrista da dupla. Ao colocar um olhar LGBTQI+ no Fado, a intérprete e letrista Lila Fadista e
o guitarrista João Caçador reinterpretam canções clássicas do estilo, como O Namorico da
Rita. O Chico, que é pescador, nesta versão, se envolve com André, o peixeiro. Disponível em
abril de 2019, O Namorico do André foi a primeira música lançada oficialmente pelo Fado
Bicha.
Elza Soares e o Brasil

No lançamento mais recente, uma versão da canção A Mulher do Fim do Mundo, de Elza
Soares, a dupla apresenta uma narrativa conceitual sobre História, lugares de invisibilidade e
opressão. A faixa começa com “Banzo”, um texto sobre escravização e o sistema colonial
português no Brasil, retirado do livro “Deus-Dará”, de Alexandra Lucas Coelho, escritora e
jornalista portuguesa que viveu vários anos no Rio de Janeiro.
Filmado pela diretora Raquel Freire no Salão Nobre da Prefeitura de Lisboa, o vídeo conta com
a participação da DJ brasileira Cigarra, responsável pelos beats, e quatro bailarinas
provenientes de Angola, Guiné-Bissau, Portugal e Brasil. Simultâneamente, Irina Leite Velho,
Maria Emília Ferreira, Joana d’Água e Tita Maravilha invadem e ocupam o salão, de decoração
imperial, dançam livremente e expressam a humanidade e a dignidade muitas vezes negadas a
si e às suas ancestrais. Os músicos do Fado Bicha interpretam a canção de olhos vendados e
a narrativa termina com uma revelação simbólica.
O vídeo e a música partem de uma crítica sobre a forma como se continua a encarar, em
Portugal, o período colonial da história portuguesa. Para o Fado Bicha, ainda não foi feita uma
reflexão coletiva sobre esse período, terminado oficialmente há apenas 45 anos. A violência
que o império português infligiu nas comunidades ameríndias e africanas colonizadas e
escravizadas tem relação com as desigualdades que se verificam até hoje. Segundo eles, cabe
também aos artistas brancos portugueses estimular essa reparação histórica por meio da arte.
Conheça
Instagram: instagram.com/fadobicha/
Facebook: fb.com/fadobicha
Youtube: bit.ly/FadoBichaYoutube
Spotify: bit.ly/FadoBicha
Deezer: bit.ly/DeezerFadoBicha
Campanha de lançamento do disco:
Lançamentos oficiais:
O Namorico do André (a partir do original O Namorico da Rita):

Marcha do Orgulho (a partir da original Marcha de Alfama): https://youtu.be/mCkPxNk5N50
Banzo + Mulher do Fim do Mundo: https://youtu.be/0HajRMkKDQE
Serviço
Artista convidado pela convenção MIL Lisboa, parceira da SIM São Paulo, o Fado Bicha se apresenta na convenção e cumpre agenda de shows do fim de novembro até segunda
quinzena de dezembro em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Agenda de Shows

 

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