Foto: Daniel Bianchini / Divulgação
31 out 2018

Teatros apostam em audiodescrição e Libras para inclusão

“Quando não tinha ninguém para ir comigo ao teatro, ficava na dúvida se deveria ir por conta da acessibilidade. Agora já vou sozinha e me sinto mais incluída”, conta Christiane Maria Moreira. É que a lei Nº 13.146, de 6 de julho de 2015, garante para as pessoas com deficiência direito à cultura em igualdade e inclusão. Principalmente, em eventos culturais com Lei de Incentivo. Sendo assim, é cada vez mais comum a inserção de Libras e audiodescrição em teatros do Brasil a fora. Em Belo Horizonte não é diferente.

Em 2013 o Cine Theatro Brasil, no centro da capital mineira, foi vencedor do Prêmio Acessibilidade, que é nacional. Segundo Cleidisson Dornelas, diretor de cultura do espaço, desde a reinauguração este é um tema primordial. Seja por meio da adaptação do espaço, com elevadores, assentos especiais, tradução em Libras, e por fim, com audiodescrição.

“No educativo temos a ação de visitas guiadas para surdos, mudos e cegos. Além disso, em todos os espetáculos produzidos pela casa há intérprete de Libras e audiodescrição, em pelo menos, um espetáculo da temporada. Temos uma equipe especializada para garantir a acessibilidade e inclusão. Isso é algo muito importante e muito significativo. O teatro tem que ser inclusivo e, dessa forma, todos tem que ter acesso a arte e cultura”, explica Dornelas.

 

Anita Rezende em uma audiodescrição em um espetáculo no Cine Theatro Brasil  – Foto: Arquivo pessoal

 

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Ouço, logo vejo

A peça mais recente que Christiane esteve e que tinha audiodescrição foi produzida pela Mostra de Teatro e Música do Cine Theatro Brasil, ‘Num Lago Dourado’. “Gostei muito da peça. Com a audiodescrição pude entender elementos que não perceberia sem ela. Assim como o figurino e o cenário. Deu para saber tudo e nem precisei perguntar o que estava acontecendo para as pessoas”, conta.

Quem realiza as audiodescrições dos espetáculos no Cine Theatro Brasil é a empresa Svoa. Para o trabalho, o audiodescritor recebe antes o texto ou assiste um ensaio. Assim, produz um roteiro a ser falado durante a apresentação. Dessa maneira, a audiodescrição é feita em tempo real. Quando o deficiente visual chega ao teatro recebe um aparelho com fone e pode se assentar em qualquer lugar. Dentro de uma cabine, o profissional dá um resumo de cenário e algumas informações complementares. Durante a peça, descreve os elementos assim que são inseridos.

“A gente fica dentro de uma cabine com visão para o palco e descrevemos o cenário, característica dos personagens, ação e figurino. Cada peça demanda um tipo de descrição. Os maiores desafios são tentar entrar no universo do teatro e no universo da pessoa com deficiência. É preciso estudo e técnica. A audiodescrição é algo muito importante. Além de ser inclusão, permite que o cego tenha acesso a cultura e se socialize”, afirma a audiodescritora da Svoa, Anita Rezende.

 

Marcella Alves, intérprete de Libras, no espetáculo ‘Baixa Terapia’ – Foto: Daniel Bianchini / Divulgação

 

Mãos que falam

Além da audiodescrição, outro recurso utilizado com maior frequência nos espetáculos de teatro é Língua Brasileira de Sinais. A Libras é um conjunto de formas gestuais utilizada por deficientes auditivos para se comunicarem. Um dos pioneiras na inserção do recurso nas peças de teatro em BH é o Festival Teatro em Movimento. Foi em 2015 que adotou o método de inclusão.

“Uma marca nossa é a formação de público e acessibilidade vai de encontro a isso. Começamos há dois anos sem ter público. Hoje já temos um número significativo. Sendo assim, a gente entende que como qualquer outro ambiente, o teatro é um espaço para todos”, explica Bárbara Amaral, supervisora de produção do Festival.

O Teatro em Movimento ainda não conta com audiodescrição nas peças, por conta do custo. Mas, segundo Bárbara, é um projeto para o ano que vem.

A intérprete de Libras Marcella Alves foi quem começou as primeiras traduções para o Festival. Para ela, é de extrema importância ter acessibilidade nos teatros. “Ela tem que vir antes de ter o público que necessita. Não é esperar para oferecer”, afirma.

Para interpretar os espetáculos, a profissional fica toda de preto, em um dos lados do palco e de frente para o grupo de surdos. Segundo Marcella, interpretar espetáculos de teatro é como interpretar qualquer outra coisa. Entretanto, é precisar ler o texto antes, e se possível, assistir ao espetáculo ou um vídeo. “Quando leio o texto vejo o que tem que ser adaptado para a linguagem de sinais. Quando se fala uma gíria, a gente adapta para a cultura do surdo. No início foi difícil, mas hoje já tenho prática”, conta.

Outros recursos

Além da audiodescrição e a Libras os teatros buscam, por conta da lei, oferecer as pessoas com deficiência um espaço adaptado para locomoção e acomodação. Ainda é garantida a meia-entrada nos eventos. Algumas produtoras ainda distribuem ingressos para entidades e instituições ligadas à pessoa com deficiência para promoveram a inclusão. Vale lembrar que as medidas além de serem importantes também são asseguradas por Lei. Principalmente quando o projeto é aprovado em alguma Lei de Incentivo.

 

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