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“Esperando Godot” marca a brilhante retomada do Teatro Oficina

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Com direção de José Celso Martinez Corrêa e Monique Gardenberg, Esperando Godot retrata a dramaturgia de Samuel Beckett com cenários e problemas atuais, como a pandemia da Covid-19.

Por Adonai Elias | Culturador

O novo trabalho do Teatro Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa e Monique Gardenberg, é o longa-metragem “Esperando Godot”. Ou seja, é baseado no grande clássico homônimo, de Samuel Beckett. O filme está disponível até 31 de dezembro, no Sympla Play.

A relação do Teatro Oficina com o texto de Beckett não é nova. Há vinte anos, o grupo já havia realizado uma encenação do mesmo, em uma versão para teatro, com direção do Zé Celso e produção da Monique. Agora, a ideia de retomar o trabalho em audiovisual, foi da produtora e diretora. Monique viu na pandemia da Covid-19 completa similaridade entre a nossa realidade e a ficção de “Esperando Godot”. 

“Durante a pandemia, em uma de nossas ligações por telefone, eu vi o Zé muito abalado. Comecei a falar para ele que eu tive várias ótimas experiências remotas, por vídeo-chamada, e decidimos, ali mesmo, fazer o Godot”, contou Monique.

Para ela, o texto, naquele momento, ganhava um significado novo. “Nós ficamos, assim como as personagens, esperando algo que nos tirasse dessas pragas que enfrentamos (referindo-se à pandemia e aos problemas sociais, que se agravaram no país). Mais do que nunca, esse cenário de isolação, de miséria humana, de não ter o que fazer, nos deu uma nova visão sobre o Godot”, completou.

“Nada a Fazer”

A peça, escrita por Beckett, é um dos maiores clássicos da Literatura e do Teatro no mundo. Nela, o dramaturgo nos apresenta Estragão (Gogo) e Vladimir (Didi), duas personagens perdidas no tempo e espaço. Ambas confinadas, sem perspectivas, que não fazem nada além de esperar por “Godot”. Detalhe: não se sabe quem é ou o que é.

Os diretores Zé Celso e Monique Gardenberg reproduzem o texto até com bastante fidelidade, durante a maior parte do filme. No entanto, o cenário é a cidade de São Paulo, mais precisamente, o Teatro Oficina e seus arredores, no bairro do Bexiga.

De início, já somos fisgados pelas imagens das ruas vazias, do teatro vazio e das duas figuras isoladas, perdidas, Vladimir (interpretado por Gui Calzavara) e Estragão (Marcelo Drummond). 

O modo como se movimentam e falam, nos fazem lembrar do início da pandemia, quando estávamos confinados, olhando para as paredes e o teto de casa, afirmando “nada a fazer”, texto repetido diversas vezes pelas personagens.

Em um dos momentos mais simples, porém bonito e forte, Estragão acena para o teatro “abandonado” e pergunta “isso te basta, Didi?”. Sem tomarem qualquer atitude, era aquilo que possuíam.

Sendo assim, o filme nos faz refletir sobre essa espera por algo que não sabemos ao certo o que é. E, por isso, ficamos reféns. Incapazes de fazermos nossas próprias escolhas. Assim, revela, também, o sentimento do grupo de angústia, ao se depararem, mês após mês, com o teatro sem plateia. 

Reflexo de nosso tempo

O filme, inevitavelmente, faz lembrar Cacilda Becker e a montagem histórica de Esperando Godot. Afinal, ela, que que é considerada uma das maiores atrizes do teatro brasileiro, morreu no intervalo do 1º para o 2º ato da peça. Cacilda é uma das musas do diretor e faria 100 anos em 2021.

“Ela era muito boa, eu me lembro muito bem, de uma dramaticidade impressionante. E, claro, eu levo em conta o que vi. Mas nós estamos muito mais ligados ao momento que estamos vivendo, a pandemia, a solidão, o isolamento (…). Assim como a peça da Cacilda foi reflexo daquele, a nossa é reflexo do nosso tempo”, contou.

Em resumo, o diretor não é otimista sobre o nosso tempo. Sendo assim, além do que é retratado no filme, Zé Celso fala com tristeza sobre todos os problemas políticos que o país vive e, também, sobre as questões climáticas. “O mundo está para acabar”, resume.

Cena de Esperando Godot. Foto: Eduardo Knapp
Cena de Esperando Godot. Foto: Eduardo Knapp

Esperando Godot: onde e como assistir

O filme está disponível no Sympla Play, desde 05 de novembro e fica “em cartaz “ até 31 de dezembro de 2021. Sem dúvida, uma experiência incrível, que retoma todas as angústias que vivemos, enquanto indivíduos e sociedade, durante o isolamento e demais problemas sociais agravados pela pandemia da covid-19.

Se você já assistiu, conta pra gente o que achou 🙂

Onde? Sympla Play

Quando? de 05 de novembro a 31 de dezembro de 2021

Quanto? 30 reais

Este conteúdo foi produzido por Adonai Elias

Adonai Elias é redator, web radialista e atualmente é Estagiário de SEO no Diários Associados (Jornal Estado de Minas). Graduando em Publicidade e Propaganda (UNA), escreve para o Culturadoria e para a revista eletrônica Lugar Artevistas. Todo sábado, às 15h, apresenta o programa “Nasci Para Bailar”, na Matula Web Rádio. Seu Instagram é @adonaielias.m.

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