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‘Era uma vez em Brasília’: o golpe pela lente de Adirley Queirós

Por matheusbongiovani

21/01/2018 às 19:43

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O cineasta Adirley Queirós no debate sobre "Era uma vez em Brasília". Crédito: Beto Staino/Universo Producao

O novo filme de Adirley Queirós, exibido na Mostra de Tiradentes, conta a história do agente intergaláctico WA4. A missão dele é vir à terra assassinar o presidente do Brasil. O plano inicial era chegar em 1960 e eliminar Juscelino Kubitschek. Algo deu errado durante a viagem e a nave chegou apenas em 2016.

Era uma vez em Brasília, exibido na noite de sábado no Cine-Tenda, está amplamente engajado na discussão política brasileira. A escolha do ano em que a história se passa não foi por acaso. Áudios dos discursos de políticos e da votação do impeachment no congresso se tornaram trilha sonora extremamente adequada.

Humilde e bem-humorado no debate após a exibição, o diretor brincou sobre a ocasião em que esteve cara a cara com Michel Temer. Não pensar no personagem e em sua missão de assassinar o presidente seria quase impossível.

 

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Atmosfera singular

Claustrofóbico seria um adjetivo adequado para o longa. A maioria das cenas se passam na minúscula cabine de uma nave espacial. O tema “prisão” é recorrente. Além das cenas de condução de presidiários e da presença de personagens que já viveram tais situações, o crítico convidado Raul Arthuso chamou atenção para uma ideia mais ampla que o longa propõe. Para ele, a atmosfera do filme retrata a forma com que o povo brasileiro se sente condenado a aceitar o caos do cenário político.

Devido ao seu caráter distópico, a ambientação tem sido muito comparada à de Mad Max. Mas as semelhanças param por aí. Ao contrário do blockbuster de George Miller, o filme de Adirley tem uma progressão lenta e sua compreensão demanda certa dose boa vontade do público. Para o diretor, isso não chega a ser um problema. No debate, Adirley elogiou a critica que se propõe a analisar suas obras, mas criticou a tentativa de traduzi-las e entregar explicações simplistas.

 

Cena de ‘Era uma vez em Brasília’. Crédito: Universo Produção/Divulgação

Método experimental

Um diferencial do método de Adirley é trabalhar com não-atores e investir na espontaneidade. “Não temos roteiro, apenas propomos uma aventura”, explica. O resultado é um híbrido de ficção científica com documentário.

Essa aventura serve com analogia para o cinema experimental, que não segue fórmulas e tem resultados imprevisíveis. O diretor se mostrou extremamente grato aos programas brasileiros de incentivo ao audiovisual. São o que possibilitam as constantes tentativas de inovar. “Tal liberdade jamais seria possível no mercado comercial”, desabafa.

*O repórter viajou a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes

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