Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

“Zam Zam”: confira entrevista sobre o novo álbum da banda mineira Lamparina

Gostou? Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Cotô Delamarque, integrante do grupo Lamparina, conversou com o Culturadoria sobre o lançamento do novo álbum “Zam Zam”.

Por Bruna Lima da C. Amparo | Culturadora

Uma mistura de diferentes estilos musicais: R&B, NeoSoul, reggae e pagodão baiano. O resultado? Um trabalho moderno e com uma personalidade única. Assim nasce “Zam Zam”, segundo álbum da Lamparina, grupo formado em Belo Horizonte, Minas Gerais. 

Composto por onze faixas e um interlúdio, o lançamento acompanha também uma sequência de visualizers, disponíveis no Youtube, que contam a história de cada música. Uma experiência completa e pra lá de inovadora para escutar e assistir.

Para entender mais sobre este novo trabalho, conversamos com Cotô Delamarque, integrante do grupo. 

Por que “Zam Zam”? Qual o significado do título do álbum? E qual a principal mensagem vocês desejam transmitir com esse novo trabalho?

“Zam Zam” são várias coisas. Era a princípio um neologismo nosso, mas depois descobrimos uma sequência de sincronicidades: é o nome de um poço em Meca (coincidentemente homônimo do festival que abriu portas para nós), o poço da abundância. O ano de 2022 é o ano da abundância. “Zam Zam” é também uma palavra que traz consigo o número 3. Ela tem três letras, dentre elas, a primeira, a última e a letra do meio do alfabeto. O número 3 aparece em vários momentos no conceito do álbum. 

Podemos perceber que em cada faixa de “Zam Zam” há uma mistura de estilos e arranjos musicais. Como surgem essas ideias e como funciona o processo criativo de composição?

Eu, Calvin e Marina somos os compositores das músicas, então, em geral, compomos no violão. Criamos entre nós até levarmos para banda e começarmos a trabalhar os arranjos e etc. Mas há também aquelas músicas que surgem de formas diferentes, no estúdio, a partir de um beat ou de uma proposta. 

Além disso, quais foram as principais influências para a criação do álbum?

Musicalmente nós caminhamos por diversos gêneros, por isso é até complicado fazer um apanhado das referências. Mas estávamos ouvindo muitas músicas com uma pegada de Neo Soul, R&B e já vínhamos de um contexto com o pagodão baiano. Gostamos mais de aprender com referências específicas, como o bumbo reto na música Pop, os violões de aço no Pop Rock Nacional, a frase rítmica marcante de algum instrumento e por aí vai. 

Aproveitando, conta pra gente qual/is o/os principal/ais diferencial/ais desse lançamento, em relação ao primeiro álbum, o “Manda Dizer”?

O primeiro disco da vida é uma fase especial, mas ainda muito imatura em relação à particular relação com a música ou ao mercado musical. Acredito que a principal diferença seja a forma de pensar na hora de fazer as músicas. No “Manda Dizer”, pensamos nas músicas que queríamos fazer em “Zam Zam”, pensamos nas músicas que poderíamos fazer e que as pessoas gostariam de ouvir. Um foi de dentro para fora e outro de fora para dentro.

Compartilhem um pouco também sobre como foi o processo de criação e gravação do novo álbum durante este período de pandemia, principalmente sendo uma banda independente.

Temos a sorte de ter um estúdio. Calvin fez esse investimento antes da pandemia e nós o ocupamos durante esse tempo. Então quase tudo foi elaborado ali no quintal da casa. Depois fizemos uma imersão com o Cidoca em uma casa no Morro do Chapéu (Nova Lima/Minas Gerais). De lá partimos para o estúdio Minério de Ferro para gravar. A pandemia atrapalhou bastante os encontros, então tinha que ser tudo bem planejado, mas no fim deu tudo certo. Como dizem: quem quer dá um jeito.  

É notório a presença de brasilidades no som de vocês, em “Zam Zam” isso fica ainda mais claro com a faixa “O Saci”. Qual a importância de trazer essa temática à tona?

Na verdade, neste disco não nos preocupamos muito com a brasilidade. Pelo contrário, nos preocupamos em trazer referências de fora, afinal, a brasilidade, como você diz, já é muito notória em nós. É de extrema importância que a gente aprenda sobre a música e a cultura brasileira, existe muito mais possibilidades sonoras do que se pode imaginar só aqui no Brasil. Mais do que isso, é importante também pensarmos o que é “brasilidade”, porque esse termo está aparecendo tanto agora? O que ele quer dizer? São perguntas que eu ainda, particularmente, não tenho resposta, mas já desconfio de muitas coisas. 

Além do lançamento das faixas, os visualizers, disponíveis no Youtube, também são novidades. Eles contam a história de cada música e no interlúdio as cenas se juntam, acontecendo até uma interferência entre as histórias. Como surgiu essa ideia e como rolou a gravação, os bastidores? 

Essa foi nossa ideia de trabalhar as perspectivas, os pontos de vista. A princípio, queríamos falar sobre descolonização sem que soasse clichê. Então a gente se apegou aos símbolos, e tivemos a sacada do espelho, que conta a história que foi um objeto trocado por ouro. O espelho, revela uma imagem virtual e tudo que é virtual significa “aquilo que existe em potencial”. Então tentamos mostrar que várias coisas acontecem ao mesmo tempo e é difícil contar a história de todas. Fizemos a gravação no Luiz Estrela, uma ocupação que faz um trabalho fantástico. Contratamos alguns atores, dentre eles a Teuda, uma grande e consagrada atriz da cidade. A equipe foi maravilhosa e conseguimos gravar tudo em um único dia. Experiência incrível. 

O que não pode faltar na playlist dos integrantes da banda? Fiquem à vontade para fazer recomendações!

Nossa, a gente ouve realmente de tudo. De Barões da Pisadinha a Djavan. 

Para finalizar, 2021 foi um ano com diversos lançamentos da Lamparina, inclusive o do álbum. Quais são os planos para o próximo ano?

Os planos são fazer a maior quantidade de shows que conseguirmos e continuar lançando música boa. Há também, além disso, uma busca por conquistar um espaço escasso hoje no Brasil, o espaço de bandas. Tem muito pouca banda na praça, para todo lado é artista solo, então as referências de bandas estão ficando velhas. Nós pensamos bastante sobre conseguir morder pelo menos uma beiradinha desse bolo.

Confira o álbum “Zam Zam”, da banda Lamparina, nas plataformas digitais e deixe nos seus comentários a sua opinião. Foto: Sarah Leal
Confira o álbum “Zam Zam”, da banda Lamparina, nas plataformas digitais e deixe nos seus comentários a sua opinião. Foto: Sarah Leal

Gostou? Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!