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Itamar Assumpção ganha museu virtual dedicado à sua obra

O artista, um dos responsáveis por desbravar a música independente no Brasil, ganhou um museu dedicado à sua vida e obra. É o primeiro museu virtual de um artista negro brasileiro

Por Jaiane Souza *

26/11/2020 às 19:27 | *Colaborador

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Foto: Marcos Penteado / CEDOC FPA

Celebrar a vida e obra de grandes artistas é sempre uma linda forma de homenagem. Quando os registros ficam reunidos em um só local, então, melhor ainda. Foi o que aconteceu com o cantor, compositor, instrumentista, escritor, ator e produtor Itamar Assumpção, que acaba de ganhar um museu inteirinho dedicado à obra dele.

Anelis Assumpção, filha do artista, é responsável pela direção geral do Museu Virtual Itamar Assumpção, o MU.ITA. É o primeiro museu virtual de um artista negro brasileiro. Foi inaugurado no dia da Consciência Negra com o show Oferenda: Anelis Assumpção canta Itamar, transmitido pelo canal do YouTube da artista.

O MU.ITA tem vários espaços. No acervo há itens como, por exemplo, fotos, vídeos, jornais, anotações, cadernos e objetos de Itamar Assumpção. No espaço Afro Brasileiro Puro está exposta a trajetória do artista, dialogando narrativas negras com o Acervo. Além disso, há lugar para exposições temporárias e uma seção exclusiva para a discografia. 

Além de Anelis, assinam a curadoria Frederico Teixeira e Ana Maria Gonçalves. Em resumo, o museu tem objetivo de mostrar uma perspectiva afrofuturista e preta da história de Itamar, o principal nome da Vanguarda Paulista. O movimento cultural brasileiro propunha produzir algo diferente do que tocava no rádio e na TV. Por isso, com caráter alternativo, não ganhou tanto prestígio. Apesar disso, tem reflexos na música brasileira até hoje. O movimento ocorreu entre 1979 e 1985. Também participaram nomes com Arrigo Barnabé, Grupo Rumo, Tetê Espíndola e Ná Ozzetti. 

Visto isso, a seguir apresentamos um pouco mais da trajetória de Itamar Assumpção.

Origem e autodidatismo

Nasceu em 13 de setembro de 1949 em Tietê, interior de São Paulo, e cresceu no meio musical. Primeiro porque estava inserido no contexto do candomblé por causa dos avós. O avô era músico. Aos 12 anos se mudou para Arapongas, no Paraná, e, já mais crescido, começou a estudar contabilidade. No entanto, não se formou e passou a aprender sozinho baixo e violão.

Entre as referências estavam grandes nomes como Jimi Hendrix. Também tentou ser jogador de futebol, mas sem sucesso. Anos mais tarde, começa a atuar em espetáculos musicais, peças de teatro e a fazer shows em Londrina. Em 1973, se muda para São Paulo para se dedicar exclusivamente à música. 

Atuação na música e Vanguarda Paulista

Estabelecido na capital paulista, Itamar Assumpção participou de diferentes festivais de música. Em 1975, saiu vitorioso de Campinas com a canção Luzia. Ainda no mesmo ano, participou no festival da Feira da Vila Madalena com a música Nego Dito, sucesso atemporal. 

Nesse mesmo momento, começou a ter contato com outros artistas que formariam a Vanguarda Paulistana. Arrigo Barnabé foi um dos principais parceiros nesta caminhada. Inclusive, em 1979, Itamar participou do festival da TV Cultura com a música Diversões eletrônicas, composição do amigo. Também ganhou.

A partir daí, nasce um grande movimento pela música independente. O Teatro Lira Paulistana era palco dos espetáculos e, posteriormente, nome de um selo que lançou os trabalhos dos artistas frequentadores do lugar. Os três primeiros discos de Itamar Assumpção foram lançados por lá. São eles Beleléu, Leléu e Eu (1980), feito com a banda Isca de Polícia, Às Próprias Custas S/A (ao vivo, 1983) e Sampa Midnight (1986).

 

itamar assumpção

Foto: Glória Flugel / Museu Itamar Assumpção

Legado

Sua música de Itamar Assumpcão era uma união entre funk, samba, rock, reggae, MPB e jazz. As letras sempre permeavam com acidez assuntos como a situação das pessoas negras, a perseguição sofrida pela polícia e diversas outras questões sociais. A banda que o acompanhava se chamava Isca de Polícia, fazendo alusão às críticas. 

Mas, por não fazer a música que a indústria musical esperava, Itamar Assumpção ficou rotulado pela crítica como um artista “maldito”. Outros grandes nomes também receberam rótulo, como Jards Macalé, Sérgio Sampaio e Walter Franco. Sendo assim, é importante destacar o quão relevante foi Itamar para a música brasileira. Pois ele se desvinculou das amarras e mecanismos impostos pela indústria e focou na arte. Além disso, sempre buscou novos discursos, linguagens e narrativas musicais. 

Vale destacar que grande parte da ascensão de Itamar Assumpção ocorreu no meio da ditadura militar. Então, a vanguarda, a independência e a busca por novas narrativas também demonstrava a insatisfação com o cenário político. 

Família e morte

Foi casado com Elizena Brigo de Assumpção, com quem teve Anelis Assumpção e Serena, falecida em 2016. Serena também ganhou homenagem no MU.ITA. A Sala Serena é um espaço voltado para pessoas que se debruçam nas pesquisas de religiões afro-brasileiras ou ameríndias. 

Itamar Assumpção morreu em 2003, no dia 12 junho, devido a complicações de um câncer intestinal que enfrentava desde 2000. Lançou nove álbuns em vida e ganhou três volumes póstumos. Acesse a Enciclopédia do Itaú Cultural e confira a biografia completa com análise da obra do artista. 

 

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