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The Railrodder com trilha executada ao vivo encerra Mostra Buster Keaton

Por Thiago Fonseca *

30/03/2018 às 12:05 | *Colaborador

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Foto: Thiago Fonseca

Foram 28 dias que Cine Humberto Mauro dedicou a Buster Keaton. Ele foi escolhido para marcar o início das comemorações dos 40 anos da sala. “Buster Keaton, o acrobata do Riso” exibiu mais de 50 filmes, com sessões diárias. O encerramento do evento foi épico: “The Railrodder”, no Grande Teatro do Palácio das Artes com trilha sonora executada ao vivo pelos alunos do Cefart.

O curta de 1965, é a última atuação do Keaton em produções mudas. É uma ode aos filmes que consagraram sua carreira ao longo dos anos. A obra é dirigida pelo próprio artista conta a história do personagem que ao sair de Londres, na Inglaterra, decide viajar de uma ponta à outra do Canadá, em um carro motorizado sobre trilhos.

Maestro André Brant e os alunos do Cefart – Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

CRIAÇÃO DA TRILHA

A trilha sonora do curta foi tocada ao vivo por 25 alunos do Centro de Formação Artística e Tecnológica – Cefart. Eles ficaram posicionados debaixo da tela de exibição e executavam as músicas ao decorrer do filme. A trilha foi composta por André Brant, coordenador da escola de Música do Cefart. Segundo ele, o processo, entre criação e ensaios, começou no mês de janeiro e foi desafiador.

“Assisti ao filme uma vez com a trilha sonora original e depois sem ela. Resolvi criar uma nova, homenageando a música brasileira. A ideia é que a nova não tenha nada haver com a original, até porque foi composta por poucos instrumentos e nós temos uma orquestra. Foi um processo de composição, com transições, arranjos e pesquisa para as músicas casarem com o filme”, explica André.

Durante o processo de criação, André percebeu que a orquestra não poderia realizar sozinha a sonoplastia do filme, então, o maestro convidou alunos do curso de percussão para integrar a orquestra. “Eles realizam os efeitos sonoros, enquanto a orquestra a trilha. Percebi que, se os regentes parassem para fazer os efeitos poderia atrasar e ficaríamos perdido”.

“Peixe Vivo”, “Nesta Rua”, “Terezinha de Jesus”, e “Ópera da Chiquinha Gonzaga” foram algumas das músicas tocadas  durante o filme. Era difícil saber para onde direcionar a visão. A orquestra chamou atenção por conta de sua percussão diversificada, não ficando apenas no erudito. Destaque para a sonoplastia. A maneira que os efeitos eram construídos fugiu do imaginário.

O filme “The Railrodder” foi asistido com trilha sonora executada ao vivo pelos alunos do Cefart – Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

ALUNOS NO PALCO

Para André, a parceria pôde proporcionar aos alunos uma experiência jamais vivida. Essa foi a primeira vez que muitos tocaram no Grande Teatro do Palácio das Artes. “A gente tenta sempre unir as áreas aqui da escola e valorizar a arte. Além disso, é um experiência muito interessante para os alunos. Espero que tudo isso possa contribuir pra vida profissional de cada um”, pontua.

A Amanda Barbosa é aluna do segundo ano do curso de percussão do Cefart. Ela ficou encarregada de realizar a sonoplastia, os efeitos sonoros e a ação do personagem com a utilização do tímpano, glock, caxixi, bongo e outros. Essa foi a primeira vez que a jovem tocou no Grande Teatro e estava nervosa. “Foi um desafio muito grande. Principalmente por que a parte da sonoplastia foi toda criada por nós. Essa é uma oportunidade muito especial. Aqui é uma vitrine para nós músicos e é muito gratificante”, conta.

40 ANOS DO HUMBERTO MAURO

A ideia de organizar a sessão no Grande Teatro do Palácio das Artes surgiu para homenagear os 40 anos do Cine Humberto Mauro e lembrar o começo dessa história. Lugar onde ele surgiu, há 40 anos, como um cineclube com exibições aos sábados e domingos.

Com a demanda da população, foi criado uma sala para o Cine. Hoje, após inúmeras reformas e adaptações, o cinema conta com uma sala mas intimista localizada em frente a galeria Genesco Murta e ao lado do Café. São 129 lugares, com tecnologia moderna capaz de exibir filmes em 3D e 4K.

O espaço é conhecido como um local de formação de novos públicos a partir de programação diversificada, bem como à criação de mecanismos de estímulo à produção audiovisual. Com sessões diárias e de graça o Cine Humberto Mauro recebeu mais de 70 mil pessoas em 2017.

“Foi lindo estar de volta no Grande Teatro, assim como era antes. Estamos acostumados com as sessões mais intimistas na sala do Cine Humberto Mauro e estar aqui, com casa cheia, foi emocionante. Incrível ainda ver como os alunos se adaptaram a narrativa sonora do filme e como nos conectou com nossa própria história, com as escolhas musicais reconhecidas do público mineiro”, conta Bruno Hilário, gerente do Cine e curador da mostra.

Buster Keaton foi o homenageado na abertura das comemorações dos 40 anos do Cine Humberto Mauro – Foto: Divulgação.

HOMENAGEM A BUSTER KEATON

Além do curta ,The Railrodder, na noite, o público pôde assistir o longa A General, de 1926. Diferente do primeiro filme, ele foi exibido com trilha sonora original mecânica. O filme foi o que mais deu trabalho para ser adquirido e compor a mostra. Ele foi exibido em 4K e tirou boas gargalhadas do público.

O longa conta a história de um homem, interpretado por Keaton, apaixonado pela sua locomotiva que durante a Guerra Civil precisa salvar sua amada que foi raptada pelo exército inimigo. Uma aventura movimentada, excitante e divertida por meio da locomotiva.

Buster Keaton foi escolhido para dar início as comemorações de 40 anos do Cine Humberto Mauro por ser um artista completo e um dos mais conhecidos. “O trabalho dele remete bem ao cinema, além de ser um personagem cativante. Ele ditava regras e inovava no cinema, trazendo as gags, os números de comédia, bem amarrados dentro da narrativa. Com a mostra dedicado a Keaton a gente homenageou a história e a vocação dele”, explica Bruno.

O artista é conhecido como o grande cara de pedra ou o homem que nunca ri. Famoso pela agilidade acrobática e um dos grandes propulsores do cinema mudo. Para a montagem, a produção teve que importar produções dos Estados Unidos e trabalhar com restaurações. Bruno ainda adianta que projetos, ideias e parcerias não faltam para homenagear os 40 anos do Cine Humberto Mauro ainda neste ano.

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