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Empreendedorismo feminino: desinquieta e pede coragem

A ONU celebra desde 2014 o 19 de novembro como o dia do empreendedorismo feminino. O que temos para refletir sobre isso?

Por Carol Braga

18/11/2019 às 08:59

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Ilustração de Poty Lazarotto para o livro Grande Sertão: Veredas. Fonte: Reprodução Cia das Letras

Todas as vezes que penso em empreendedorismo, Guimarães Rosa me vem à mente. “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”, diz um dos mais famosos trechos de Grande Sertão: Veredas.

No caso, Riobaldo elaborou isso pensando no sentimento que nutria por Diadorim. De toda forma, peço licença a Guimarães para fazer desse o meu mantra na lida diária do empreender.
Porque é exatamente isso. Acordar um dia se sentindo a mulher mais poderosa do planeta e neste mesmo dia dormir pensando, “será que vai dar?”. Aí, acorda de novo com outras ideias, vai colocando em prática e você tem certeza absoluta que a alma do negócio é não parar. Dorme e ao despertar, se pergunta novamente, “será que vai dar?”.

Penso na coragem de Riobaldo e também no “continue a nadar”, a recomendação de Dori a Nemo que vale para qualquer empreendedor.

Efeméride

Foi apenas em 2014 que a Organização das Nações Unidas instituiu o dia 19 de novembro como o Dia do Empreendedorismo Feminino. A data é comemorada em 153 países e entre eles o Brasil. Me surpreende o fato desse marco existir apenas há cinco anos. Por que será?

Acredito que a principal função dessas datas comemorativas seja a de ampliar a discussão sobre temas que são relevantes para a sociedade. Falar das mulheres que lideram negócios, que precisaram – ou escolheram- empreender é abrir espaço para debater as dificuldades, trocar experiências, avançar e ampliar frentes.

Dados

De acordo com o estudo Empreendedorismo Feminino, encomendado pelo Sebrae e divulgado em março de 2019, o Brasil tem a sétima maior proporção de mulheres entre os empreendedores iniciais. Ou seja, que estão nas primeiras fases do negócio. Entre aquelas que empreendem, em 2018, 44% fizeram por necessidade. No caso dos homens, o percentual é 32%.

Segundo a pesquisa, as mulheres respondem por 34% dos 27,4 milhões de donos de negócio existentes no Brasil. Elas são, em geral, mais jovens (43,8 anos contra 45,3 anos no caso dos homens), com maior escolaridade e 45% se dizem arrimo de família. Talvez por isso, 87% trabalha por conta própria e no local onde mora (47%). E mais: quase metade dos MEI (Microempreendedores Individuais) existentes no país são mulheres (48%).

Dominar o mundo

Os dados sobre empreendedorismo do Sebrae começam a confirmar a previsão feita pelo sociólogo italiano Domenico De Masi. Segundo ele, as mulheres vão dominar o mundo até 2030. Disse em entrevista ao jornal O Globo, por ocasião do lançamento no Brasil do novo livro, O mundo ainda é jovem.

Para o defensor do ócio criativo, nossa sociedade pós-industrial anda perdida em busca de novos modelos. Sendo assim, é preciso reelaborar a coexistência para organizar a paz. Infelizmente, o mundo parece seguir em sentido contrário. Mas, mesmo no atual contexto desbaratinado, De Masi acredita na força da mulher como solução.

Diz ele que, em 2030 viveremos em média três anos a mais do que os homens, teremos escolaridade maior e, por isso, assumiremos posição central no sistema social. “Serão tentadas a administrar seu poder com a dureza que deriva dos erros sofridos nos dez mil anos anteriores. Os valores “femininos” (estética, subjetividade, emoção, flexibilidade) também terão colonizado os homens. Fluidez sexual, pansexualidade e androginia se espalharão no estilo de vida”. Acredito e concordo com ele.

Minha história

Faço parte desses 34% de mulheres que possuem um negócio em fase inicial. Já foram inúmeros aprendizados. O primeiro foi não ter medo de errar. É ele, o medo, que paralisa a gente. Então, adote o mote “antes feito do que perfeito” e siga. Entenda os erros como etapas do jogo do aprendizado, corrija e faça de tudo para não repetir. Erre coisas novas.

No meu caso, também foi importante seguir a máxima popular no vale do Siício. Quem não gostaria de ter o porte das empresas de lá? Então, procure seguir a recomendação “don’t tell, do”, ou seja, não saia falando, falando e falando por aí. Vai lá e faz. Aprenda com os processos.

Nenhuma empreendedora – e empreendedor também – nasceu pronto. Dessa maneira, todo mundo se formou. Alguns pela família, outros pelo meio, pelo mercado e muitos pela necessidade. Acredito que a decisão mais importante nem seja começar um negócio, mas ser perseverante nele. Sendo assim, no meu caso, tem sido fundamental entender que aprender vai virar seu verbo guia. Não desista.
Agora, vale voltar a Guimarães Rosa e seu Grande Sertão tão múltiplo de significados.

“O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim de repente, na horinha em que se quer, de propósito – por coragem”. Que a coragem de Riobaldo também seja uma inspiração para você.

 

“Continue a nadar”, recomenda Dori a Nemo. Foto: Disney/Divulgação

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