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Conheça Eça de Queiroz, autor português que mudou a história da literatura

Ele foi um dos responsáveis pela introdução do Realismo, movimento estético que quebrou os padrões do Romantismo presentes até a segunda metade de século XIX

Por Jaiane Souza *

10/08/2020 às 16:32 | *Colaborador

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O autor Eça de Queiroz. Foto em Domínio Público

Ao lado de Machado de Assis, Eça de Queiroz é considerado o maior escritor em língua portuguesa do século XIX. O reconhecimento veio pela originalidade e pelas características do Realismo, um movimento estético que, na literatura, tem como um dos principais traços narrativos representar a realidade da forma mais fidedigna possível. Dessa forma, Eça de Queiroz foi uma dos grandes nomes do Realismo ao quebrar os ideais de subjetividade e individualismo presentes até então por causa do Romantismo. Além disso, é evidente na obra do autor um ponto de vista crítico sobre a sociedade e uma espécie de liberdade na construção dos textos.

Eça nasceu em 25 de novembro de 1845 e nos deixou há 120, no dia 12 de agosto de 1900. Por isso, aqui vão alguns pontos marcantes na carreira do escritor e de suas obras. Confira! 

Trajetória

José Maria Eça de Queiroz nasceu em Portugal, na cidade de Póvoa de Varzim. Era filho do brasileiro José Maria Teixeira de Queiroz e da portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça. Até os quatro anos de idade a sua existência foi escondida, já que os pais não era casados. Passou a infância e a adolescência com os avós paternos, estudou em um colégio interno na cidade do Porto e, depois, se formou em direito na Universidade de Coimbra em 1866. Depois, mudou-se para a casa dos pais em Lisboa e exerceu durante pouco tempo a advocacia. A carreira literária começaria logo em seguida.

Carreira na literatura

Após se formar em Direito, Eça de Queiroz começou a atuar também como jornalista. Dessa forma, foi diretor do periódico O Distrito de Évora e colaborou com a Renascença. O periódico, publicado em 1878, se apresentava como um órgão de renovação literária (surge na passagem do Romantismo para o Realismo e Naturalismo). Antes disso, durante a faculdade, conheceu e conviveu com Antero de Quental, um dos escritores que participou da “Questão Coimbrã” uma das primeiras manifestações em busca da inovação na literatura portuguesa no século XIX. Esse contato fez com que o gosto de Queiroz pela literatura se aprimorasse ainda mais. Inclusive, foi nessa época que começou a publicar os seus textos. 

Conferências Democráticas

Em 1871, fez parte das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, que tinham a intenção em discutir o panorama literário português e renová-lo e também refletir sobre questões sociais e políticas do país. Tudo isso para que o diálogo com o restante da Europa e com o que de novo emergia na época fosse expandido. Para isso, foram planejadas dez conferências no que hoje é conhecido como o largo Rafael Bordalo Pinheiro, em Lisboa. Apenas cinco delas foram realizadas até a proibição pelo governo. 

Nas conferências, além de Eça de Queiroz, que apresentou “A Literatura Nova” ou “O Realismo como nova expressão da arte”, participaram nomes como Antero de Quental, Adolfo Coelho e Augusto Soromenho. Em resumo, mesmo com a proibição da continuidade dos encontros, eles foram importantes para o desenvolvimento das ideias e interesse pelos temas propostos. Entenda mais sobre o assunto aqui

 

eça de queiroz

Capa do livro O crime do Padre Amaro. Crédito: Editora Best Seller 

Publicações

O mistério da Estrada de Sintra foi o primeiro romance de Eça de Queiroz, em parceria com Ramalho Ortigão. O título foi publicado no Diário de Notícias, de Lisboa, entre 24 de julho e 27 de setembro de 1870, em formato de cartas anônimas. O formato de livro saiu em 1884. Mesmo não sendo uma obra notável, essa foi a primeira narrativa policial da literatura portuguesa. 

Em seguida, em 1875, publicou O crime do Padre Amaro, uma das suas obras mais conhecidas mundialmente e a primeira produção do Realismo. A novela realista causou polêmica e até protestos por parte da Igreja Católica. O livro conta a história de um padre que chega em uma cidade e inicia um relação com uma devota. O objetivo foi mostrar como membros da Igreja podiam ser corruptos e hipócritas e discutir questões sociais ligadas à religiosidade.

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O autor Eça de Queiroz. Foto em Domínio Público

Os Maias

Outra obra amplamente conhecida é Os Maias (1888), que conta a trajetória de três gerações da tradicional família portuguesa Maia, focando na mais recente. Assim como nas outras obras, o escritor vai além da história do núcleo familiar. Ele explora o contexto da época, criticando a sociedade provinciana, os costumes e hábitos. Em 2001, o livro foi adaptado para a minissérie de mesmo nome produzida pela Globo em parceria com a SIC (emissora portuguesa). Outros grandes destaques são O primo Basílio (1878) e O mandarim (1880).

Em resumo, a habilidade de Eça de Queiroz em construir narrativas, que inclusive mesclavam características do Romantismo e do Realismo, como é o caso de Os Maias, retratar a sociedade fazendo críticas e utilizando a linguagem direta e, em grande parte, simples, o projetou a ser um dos maiores nomes da literatura mundial. Vale ressaltar, ainda, que o escritor também foi diplomata a partir de 1972, sendo nomeado cônsul de Portugal em Havana e passando também pela Inglaterra. A carreira no serviço público foi importante, pois as vivências como tal ajudaram na composição de cenários e narrativas. 

Toda a obra de Eça de Queiroz está disponível gratuitamente. Acesse pelo Domínio Público.

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