Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Peça virtual de Sara Antunes conta a história da guerrilheira Dora

Espetáculo online fica em cartaz de 06 de março a 04 de abril com retirada de ingressos via Sympla. 
A atriz Sara Antunes na peça Dora. Foto: Alessandra Nhovais/Divulgação
A atriz Sara Antunes na peça Dora. Foto: Alessandra Nhovais/Divulgação

O desejo de levar a história da guerrilheira Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, para o teatro já acompanhava a atriz Sara Antunes desde 2016. Ela conheceu a mulher que desafiou a ditadura militar quando participou do documentário Alma Clandestina, dirigido por José Barahona. Mas, até a pandemia estourar, a atriz confessa que revisitar a personagem era apenas uma vontade. “Mas, a gente é muito inquieto”, reconhece.

Sendo assim, Sara começou a gravar ensaios e experimentos dentro de casa. Aos poucos foi se dando conta de que a narrativa de Dora seria mais do que somente uma peça, mas também um curta-metragem. Dessa maneira, “De Dora, por Sara“, filmado e dirigido em parceria com Henrique Landulfo, estreou em janeiro de 2021 na Mostra Tiradentes. “Mas o filme também não dava conta de tudo que queria fazer e agora a peça nasce. Acho que eles se complementam.”

A peça

Dora, o espetáculo digital, faz temporada de 6 de março a 4 de abril pela plataforma Vimeo. Sempre aos sábados e domingos, às 20h. Ao longo de 40 minutos, direto da casa da atriz em São Paulo, a peça narra a história de Dora como um caleidoscópio. Sara Antunes, que escreveu e dirige a montagem, mescla trechos de cartas, imagens de arquivos e próprios relatos autobiográficos. 

A peça dá continuidade à pesquisa da atriz sobre história e representação das mulheres no Brasil. O tema a acompanha desde a montagem de Hysteria, que fez com o Grupo XIX de Teatro, passando, por exemplo, pelo solo Negrinha e, mais recentemente, Leopoldina, Independência e Morte

“A Dora nasceu em  Minas Gerais, terra dos meus pais, nasceu no ano da minha mãe e como meu pai se envolveu na luta contra a ditadura.  É um corpo que entendeu naquela época a gama de violências que sofremos num corpo de mulher, num país tão desigual com uma sensibilidade altíssima. Essa conjunção me atraiu”, conta a atriz.

A personagem

Maria Auxiliadora Lara Barcelos entrou para a luta armada contra a ditadura militar aos 23 anos. Foi presa, torturada, exilada e suicidou-se na Alemanha em 1976, aos 31 anos. Ao longo da pesquisa Sara recebeu da família de Dora fotos e documentos oficiais. A partir disso, então, a atriz costura áudios, vídeos, fotos, recortes de jornais e revistas. 

No curta-metragem, também bastante experimental, a diretora já mescla de uma maneira bastante peculiar a objetividade dos documentos com a fluidez e a poética dos elementos audiovisuais. No teatro, fios vermelhos viram vestidos, cartas em diversas plataformas. A água também é um elemento presente e que surgiu a partir das indicações nas cartas de Dora. Dessa maneira, as músicas que ela ouvia e que marcaram o período coberto pela peça (1965 a 1976) compõem a trilha sonora. Ou seja, Tropicália, Violeta Parra e Torquato Neto. 

Transmídia 

“O curta foi um ensaio desse mergulho que queria fazer no corpo de Dora”, revela. De acordo com Sara, o processo do cinema partiu de uma construção minuciosa dos detalhes. Por exemplo, na narrativa audiovisual foi utilizada apenas uma foto da personagem. “Na peça conseguimos jorrar outras cores, fotos e possibilidades poéticas desse diálogo e explorar essa linguagem híbrida que estamos descobrindo entre o teatro, vídeo arte, cinema. Eu poderia dizer que aprofundamos ou dilatamos a pesquisa, mas seria mais justo dizer que expandimos esse desejo de contar a história em outra plataforma expressiva”, explica.

Como se trata da expansão da narrativa de uma linguagem a outra, todo o projeto de Dora pode ser considerado transmídia. De acordo com Sara, o momento é de descoberta da força de expressão em diferentes plataformas e que abarque diversos públicos. “Sinto como se eu compartilhasse um grande diário de criação a partir dessa necessidade de contar, sentir e fazer reviver Dora para o Brasil. O desafio é sempre equilibrar as possibilidades poéticas e narrativas para a história chegar no coração de quem vê e não algum virtuosismo de representação ou de linguagem”, complementa.

[O QUE] Dora, espetáculo digital com Sara Antunes [QUANDO] De 6 de março a 4 de abril – Sábados e domingos, às 20 [ONDE] Plataforma Vimeo com retirada de ingressos pelo Sympla. O link de transmissão e instruções para acesso do espetáculo serão enviados para o email cadastrado, junto ao ingresso adquirido. [QUANTO] Contribuição voluntária.

 

A atriz Sara Antunes na peça Dora. Foto: Alessandra Nhovais/Divulgação
A atriz Sara Antunes na peça Dora. Foto: Alessandra Nhovais/Divulgação

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