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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Dona Onete chega a BH para cozinhar e cantar

Rainha do Carimbó cozinha comida típica do Pará na quarta e na quinta lança disco no Sesc Palladium

Por Carol Braga

01/07/2019 às 12:14

Publicidade - Portal UAI
Dona Onete. Foto: Walda Marques/Divulgação

“Ai meu Deus, agora inventaram isso”, suspirou Dona Onete, a rainha do Carimbó, assim que soube do que se tratava a ligação que acabara de receber. “Agora vou ser mestre Cuca”, brincou antes de soltar um dos inúmeros “meu amor”. No caso, o afeto também é permanente para se referir ao “cooking show” que fará em Belo Horizonte nesta quarta, dia 03 de julho no Distrital. No dia seguinte, dia 04, tem lançamento do novo disco, “Rebujo”, no Sesc Palladium.

Dona Onete, que acaba de completar 80 anos, não esconde em momento algum que a parte do palco a que mais gosta. A cantora paraense traz a Belo Horizonte o espetáculo que mistura repertórios do primeiro e do terceiro discos, lançados, respectivamente em 2012 e agora, em junho de 2019. Seja na parte musical ou na cozinha, vai ter jambu, claro!

Cozinha Show

“No norte cozinhamos de uma maneira diferente de todo o país. Nossos temperos são outros”, explica ela sobre as raízes indígenas dos pratos que vem fazer pra gente. É claro que a cozinheira de mão cheia deixa escapar a preocupação caso não encontre algum ingrediente imprescindível.

Oficialmente o menu terá “Peixada ao Molho Caboclo” e “Pudim Parauara”. Bem, isso se Dona Onete encontrar por aqui todos os ingredientes que precisa. Por isso, a cantora prefere não fazer promessas sabe que certos temperos do Pará são raridade por aqui. Mas, ma verdade, o menu é o que menos importa.

O que vai valer mais é o bate-papo e as histórias dessa experiente cozinheira/cantora. A ideia é que a medida em que vai cozinhando, Dona Onete vá conversando com quem estiver presente. Comida cabocla, segundo ela, é aquela tradicional da beira de rio. É o que vai fazer.

Dona Onete lançou o primeiro disco aos 73 anos após se aposentar na carreira de professora de história. Desde então, tem traçado uma carreira que faz sucesso inclusive no exterior. Para se ter uma ideia, em 2017 ela foi a capa da Songlines, considerada a maior revista de world music do planeta, por ocasião da quarta turnê pela Europa.

 

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“Onde tem tucupi o jambú vai temperar”

A peixada à moda Dona Onete é uma receita de família que ela mesma foi modificando de acordo com o que tem disponível. A receita que conseguiu executar em evento semelhante em São Paulo levou tucupi do Pará, tacacá e, obviamente, o jambu que a própria cozinheira fez questão de fazer mais famoso na canção “Jamburana”.

Dessa maneira, dada a diferença de culturas, o pudim Parauara também terá alterações. Dona Onete diz que habitualmente faz com uma mistura de pupunha e jerimum, mais conhecida aqui por nossas bandas como abóbora moranga. Segundo ela, também dá para fazer com milho. Em resumo: tem que ir para experimentar porque não adianta nem jogar no Google para procurar a receita. Eu tentei!

 

Dona Onete. Foto: Estúdio Tereza & Aryanne/Divulgação

 

Criatividade com as sobras

Dona Onete conta que começou a inventar na cozinha a partir das sobras das refeições da família. “Pego algumas coisas da cozinha paraense e vou aprimorando, fazendo as misturas”, conta. Na opinião da cantora, as melhores culinárias do Brasil são a mineira e a paraense. De acordo com a cantora, as tradições gastronômicas, curiosamente, têm pontos em comum. “As raízes por exemplo. Vocês aqui têm o açafrão da terra que tem tudo o que o urucum tem”, ensina.

Novo disco

“Eu tô fazendo um rebujo nessa música paranese”, diz Dona Onete, sem modéstia, no clipe da canção que dá nome ao terceiro disco de inéditas da carreira. Da mesma forma que os discos anteriores tem apenas composições autorais. Uma curiosidade destacada pelo crítico Mauro Ferreira, por exemplo, é o fato de Dona Onete cair no samba e contar com a participação de BNegão.

As letras das 11 canções do álbum mantém as características que fazem o sucesso de Dona Onete. Ou seja, o humor misturado com um grande respeito pela cultura popular, sobretudo a cultura do Pará. Aliás, é o que ela faz, seja cantando ou cozinhando.

 

Serviço

A Cozinha Maravilhosa de Dona Onete

[O QUE] A cozinha Maravilhosa de Dona Onete [QUANDO] 03 de julho, 20h [ONDE] Distrital – Rua Opala s/n (Mercado Distrital do Cruzeiro) [QUANTO] R$90 ( (individual) e R$160 (casal) (comida incluída) [COMPRE AQUI]

Lançamento do disco Rebujo

[O QUE] Show de Dona Onete para lançamento do disco Rebujo [QUANDO] 04 de julho, 21h [ONDE] Sesc Palladium – Avenida Augusto de Lima, 420, Centro  [QUANTO] 1º LOTE: R$ 50 (inteira) R$ 40 (usuário conveniado) R$ 25 (meia) R$ 20 (trabalhadores do comércio); 2º LOTE: R$ 60 (inteira) *Os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo terão 60% de desconto, limitados a 200 lugares [COMPRE AQUI]

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