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Documentários sobre Bethânia e Adoniran são ovacionados na CineOP

Por Thiago Fonseca *

18/06/2018 às 14:50 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Leo Lara / Divulgação

A CineOP é uma Mostra voltada para o cinema como patrimônio e faz um resgate histórico sobre o tema de cada edição. Assim, a maioria dos filmes em exibição não são inéditos. Mas há alguns. As pré-estreias destacadas nesta edição foram  ‘Fevereiros’, de Marcio Debellian, e ‘Adoniran – Meu nome é João Rubinato’, de Pedro Serrano. O primeiro não mostra diretamente o tropicalismo, tema do evento em 2018, já o segundo conta a história de um artista que marcou o período. Entretanto, se igualam na narrativa, uma vez que são documentários.

Assim que soube que a Mangueira iria homenagear Maria Bethânia no carnaval de 2016 o diretor Marcio Debellian ligou para o carnavalesco Leandro Vieira. Queria registrar tudo em um filme. Desde então, ‘Fevereiros’ só colhe frutos. Um dia antes de ser exibido na CineOP, neste domingo, dia 17, o documentário recebeu prêmio de melhor filme na competição nacional da décima edição do In-Edit Brasil. Na pré-estreia em Ouro Preto foi ovacionado.

O filme mostra o processo de construção do tema escolhido pela escola de samba. Bethânia foi homenageada a partir da sua religiosidade, uma vez que, é devota do catolicismo e do candomblé. Além da construção desse carnaval o documentário ainda viajou com Maria Bethânia para Santo Amaro da Purificação, na Bahia, e participou do seu ambiente familiar, religioso e das festas da sua cidade natal. A própria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Leandro Vieira, Luis Antonio Simas, Mabel Velloso e Squel Jorge compõem o elenco.

“Decidi que iria fazer um filme sobre essa homenagem porque achei interessante a escolha pelo caminho religioso. Uma vez que o carnaval tem ligações com a religião. Optei em construir um filme independente se a escola de samba fosse campeã ou não. Ainda mostrar os conectivos dessa história. ‘Fevereiros’ ainda fala sobre a convivência e tolerância”, explica Debellian.

 

Marcio Debellian, diretor de ‘Fevereiros’ – Foto: Leo Lara / Universo Produções

O carnaval, o samba e a religião

O interessante da história – e o que dá ritmo ao roteiro –  é o passeio pelo recôncavo baiano e o carnaval da Mangueira, estabelecendo assim, a conexão entre o Rio de Janeiro e a Bahia. Dessa forma, apresenta questões históricas como o surgimento do samba, intolerância religiosa e racismo. “A gente sabe que o samba lutou muito para existir. Assim também foram as religiões de matrizes africanas. Quis abordar isso no filme e mostrar que o samba, carnaval e religião estão ligados”, pontua Debellian.

A estrela do filme é Bethânia e a homenagem que recebeu no carnaval, mas a impressão que nos passa é de que toda a história é contada pela sua irmã, Mabel Velloso. É ela quem lembra do lado histórico e pessoal da família. Por mais que o filme não fale diretamente sobre o tropicalismo, tema da CineOP 2018, aborda-o mostrando respeito, diálogo, preconceito e inserindo personalidades do período como Caetano e Chico.

‘Fevereiros’ é um nome diferente. Se deu pelo fato do carnaval e as festas religiosas da terra de Bethânia acontecerem neste mês. Um documentário onde tudo é político e resistente. Desde o corpo, a pele, a beleza, a religião e o samba. O longa chegará aos cinemas no segundo semestre desse ano. Antes disso, abrirá a Mostra In-Edit em Salvador, na Bahia, e será apresentado em Barcelona, na Espanha.

 

 

‘Adoniran – Meu Nome e João Rubinato’ – Foto: Reprodução

Tributo a Adoniran

Já ‘Adoniran – Meu nome é João Rubinato’ é um filme poético, com narrativa que emociona. Quem é saudosista chora. O filme nada mais é do que a vida e a obra de Adoniran Barbosa contada por meio do acervo pessoal do artista, imagens de arquivo raras e depoimentos de amigos e familiares. Mesma vibe que segue ‘Fevereiros’. O interessante da narrativa e do recorte escolhido pelo diretor Pedro Serrano é que nela descobrimos um personagem multifacetado, que retratou a sua São Paulo em canções e personagens de rádio.

O documentário tem a cidade como coadjuvante, assim, faz um paralelo entra a atual cidade e aquela vivida pelo cantor. Em ‘Adoniran – Meu nome é João Rubinato’  podemos conhecer um aspecto da realidade de como era o cantor. Por meio de depoimento de familiares e outros artistas vemos  seu universo criativo, cheio de controvérsias. Além disso, revela-se, por trás da figura pitoresca e de fala engraçada, um artista profundamente sensível ao povo.

 

*O repórter viajou a convite da CineOP. 

 

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