Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Por que os discos de vinil são tão caros no Brasil? Entenda as razões

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O preço dos discos de vinil no país estão cada vez mais caros, podendo custar a partir de cinco reais e sem nenhum limite para o valor máximo.

Por Adonai Elias | Culturador

Os discos de vinil estão se popularizando a cada ano que passa, a nível global. Nos Estados Unidos, maior mercado consumidor, a venda já ultrapassou a dos CDs, desde de 2020. Aqui no Brasil, a febre também está voltando com tudo, porém a indústria nacional ainda engatinha para atender a demanda. E isto torna o preço dos bolachões altíssimos.

Infelizmente, na história do Brasil, existem vários casos onde um costume foi morto para que outro surgisse. Foi assim com a indústria musical. Quando os CDs apareceram, todas as fábricas de LPs fecharam, encerrando completamente toda a produção nacional.

Diferentemente do que foi nos Estados Unidos e em diversos países europeus, onde a produção nunca foi encerrada e as tecnologias (LPs, CDs, streaming, etc.) puderam conviver muito bem! Sendo assim, agora são esses países que exportam disco para nós.

Alto custo de impostos

As taxações sobre a importação de discos de vinil são bastante elevadas. E não estamos falando aqui apenas de discos internacionais. Muitos LPs de artistas brasileiros estão sendo comercializados apenas por selos gringos. Para adquirir, por exemplo, um “Marcos Valle 1983” novo, você precisa pagar 60% de imposto de importação, somados a mais 18% (média) de ICMS. Além disso, existe também uma taxa alfandegária de 10 dólares.

Por isso, se você não tiver um alto padrão financeiro, é muito difícil adquirir o mais novo lançamento da Dua Lipa, que custa em média R$410, aqui no Brasil. Ou o “Let it Be”, do Beatles, que custa R$500, em média.

Vinil de Marcus Vale
Foto: MR. Bongo

Alta demanda e pouquíssima oferta

Pensando nos discos nacionais, que foram fabricados aqui, essa questão é uma das mais influentes no preço do LP. No Brasil, existem apenas cinco fábricas, sendo duas que produzem a nível industrial e três como oficinas. Ou seja, comparado às 81 fábricas nos Estados Unidos, dá pra entender que temos muito pouca produção para atender à demanda.

Especulação

O disco “Sinto Muito”, da Duda Beat, foi um dos novos LPs que marcaram essa nova febre. Para quem era assinante da Revista Noize, o maior clube de assinaturas de discos do Brasil, pagou apenas R$75 por uma das poucas cópias fabricadas, em setembro de 2019.

Acontece que o álbum da cantora pernambucana viralizou nos streamings e a demanda pelo físico aumentou exponencialmente. Sendo assim, hoje, quase três anos depois, uma cópia de “Sinto Muito”, custa facilmente R$700. E mais: de longe “sinto muito” não é um dos mais caros do país.

Foto Noize Divulgacao

Bom, como precificar um objeto que, provavelmente, você nunca mais irá achar para comprar?

O álbum “Paêbiru”, de Zé Ramalho e Lula Cortês teve 1.300 cópias produzidas em discos de vinil. Uma enchente no Recife, na época, levou 1.000 dessas cópias. Sendo assim, esse é o disco mais valioso do Brasil. Ele chega a custar facilmente mais de 10 mil reais.

O desejo e o hype são tão grandes por esse disco, que ele virou documentário. Veja trailer abaixo:

Ou seja, você já deve ter entendido que o disco virou objeto de especulação. Dessa maneira, vários colecionadores compram discos novos e os seguram para vender depois por um preço exorbitante.

Virou fetiche

Como você está percebendo, alguns discos valem mais do que ouro e são tão difíceis de achar quanto uma pepita. Sendo assim, isso criou uma moda cool, que extrapolou a comunidade de amantes da música e audiófilos. Para o jornalista Leonardo Rodrigues, uma hora essa moda iria cobrar a conta. E a hora é agora!

Calma, ainda é possível fazer sua coleção sem pagar um rim

É preciso deixar claro que o valor do disco não tem relação com a qualidade musical. São diversos outros fatores, como vimos aqui, que interferem no preço final. Acontece que alguns álbuns estão fora dessa lógica por não pertencerem – ainda – ao hype.

Facilmente é possível encontrar, nos sebos de todo o país, discos em ótimo estado por R$5. Particularmente, é a sessão que mais gosto! Foi lá que descobri algumas paixões: Mireille Mathieu, Bienvenido Granda, Fafá de Belém, Simone, Françoise Hardy, etc.

Fico extremamente feliz quando descubro algo fantástico, depois de pôr o disco para tocar, e lembro que paguei barato por isso (risos).

Portanto, a principal dica, é estar aberto para fugir do hype. Buscar coisas novas e andar por sebos. Ter paciência também é uma excelente aposta. Se o disco que você procura não é um “Paêbirú” da vida, provavelmente você vai achar uma oportunidade mais barata para comprá-lo.

Este conteúdo foi produzido por Adonai Elias

Sobre o autor: Adonai Elias é redator e web radialista. Graduando em Publicidade e Propaganda (UNA), escreve para o Culturadoria e para a revista eletrônica Lugar Artevistas. Todo sábado, às 15h, apresenta o programa “Nasci Para Bailar”, na Matula Web Rádio. Seu Instagram é @adonaielias.m.

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