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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Dilili em Paris: uma grata e engajada surpresa no universo da animação

Longa de animação dirigido por Michel Ocelot tem mistura de técnicas no desenho e aborda temas relevantes para a sociedade

Por Carol Braga

18/02/2020 às 09:31

Publicidade - Portal UAI
Dilili em Paris. Foto: Imovision/Divulgação

Na falta de um vocabulário mais técnico na área da animação, vou dizer que Dilili em Paris, dirigido por Michel Ocelot, em um primeiro momento, causa certo estranhamento. É um desenho diferente. Os personagens se movimentam de um jeito esquisito. A narrativa é mais lenta. As primeiras cenas de Dilili em Paris também geram uma sensação incômoda. Vale avisar: isso é só no começo.

Depois do distanciamento causado pelo desenho em si, a ideia de uma família indígena sendo observada como se fossem animais no zoológico também provoca. Mas começa a fazer mudar a chavinha. Opa, tem uma discussão interessante aqui. Não se trata de uma animação qualquer. Há ironia, política nesse tempero. E como tem.

Dilili é uma garotinha estrangeira. Veio de longe, escondida em um navio, até chegar a Paris. É graças ao interesse de Orel, um entregador dono de um triciclo, pela origem dela, que os dois se tornam amigos. É o espectador que mais ganha com essa amizade. Isso porque Dilili também é muito interessada pelo mundo das artes. Com a ajuda do rapaz, faz um super passeio pela Belle Époque (1871 – 1914). Ela quer conhecer todo mundo pessoalmente!

O desenho

A técnica de ilustração utilizada chama a atenção por misturar cenas reais da arquitetura de Paris com as animações. Segundo o ImdB, o diretor Michel Ocelot fotografou cenas com a cidade vazia durante quatro anos. Ele acordava de madrugada para fazer isso. As fotos, claro, depois foram retrabalhadas na construção do filme.

Os artistas

O filme dirigido por Ocelot tem pelo menos duas grandes linhas temáticas. A primeira, bem divertida, é justamente o passeio de Orel e Dilili por Paris em busca dos grandes nomes daquela época. Ou seja, eles conversam com Picasso, Pasteur, Toulouse-Lautrec, Camile Claudel, Renoir, Sarah Bernhard, Debussy, Degas, Monet, Eiffel, Rodin, Emma Calvé e até o brasileiro Santos Dumont.

Muito esperta, Dilili cativa todos eles, se interessa pelas obras e pelo papel que a arte desempenha na vida das pessoas. Na dela, inclusive. É impossível não se encantar por essa menina. E mais: ela também tem seus dotes artísticos. Dilili pula corda como ninguém.

Ou seja, é muito simpática a forma como o diretor apresenta – e contextualiza – cada um dos personagens. Mas ainda bem que o filme não fica nisso.

 

Dilili em Paris. Foto: Imovision/Divulgação

 

Discussões contemporâneas

O posicionamento político do longa aparece justamente na parte “thriller” da história. Isso porque naquele contexto de tanta arte e ostentação parisiense, sequestros de jovens garotinhas como Dilili ganham a mídia. Para contar sobre isso, o filme dá uma guinada completa.

Dilili é uma garotinha negra. Vale lembrar que o “emprego” dela é justamente expor a própria diferença. O que é um absurdo. Sempre muito bem vestida, a cor da pele dela também é frequentemente contrastada com o vestido que usa. Ou seja, uma sutil forma de denunciar o racismo.

Entre todos os artistas que conhece, a cantora de ópera Emma Calvé é quem mais se afeiçoa a Dilili. Além de afeto, por exemplo, há sororidade. A medida em que Dilili e Orel vão investigando por conta própria os crimes em Paris, acabam se deparando com uma questão que permanece ainda hoje. É surreal, mas tem muito homem que ainda se sente ameaçado pelas mulheres. É surpreendente como o filme consegue chegar a essa discussão depois de um começo de tanto estranhamento. Mas é impossível não se render aos encantos de Dilili.

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