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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Por que você deve ir ao show de David Byrne (e não é por causa de “Psycho killer”)

Por Carol Braga

16/03/2018 às 17:30

Publicidade - Portal UAI
Foto: divulgação

Por Mariana Peixoto*

Rio, 20 de março de 2009, show de estreia do Radiohead no Brasil. Bem posicionados na Praça da Apoteose, aguardávamos ansiosos (como todo mundo) a entrada da banda.

O show começou e logo ao fim da primeira canção, “15 Step”, ouvi um grito: “Creeeeeep!”. Histérico, agudo demais, levantou risos na primeira vez. Depois da segunda e da terceira, sempre nos intervalos de cada música, viramos (já havia um grupo de incomodados) para o infeliz e mandamos calar a boca.

Afinal, havia tantas outras músicas. “Creep?” Se viesse (como veio), seria lindo. Se não, definitivamente não faria falta.

Esta história me veio na cabeça desde que foi anunciado o show de David Byrne no KM de Vantagens Hall: 29 de março (presentão de Páscoa) dentro da programação de side shows do Lollapalooza.

Já ouvi mais de uma pessoa: “Só conheço “Psycho killer!” Bem, de primeira, posso citar pelo menos meia dúzia de grandes músicas de David Byrne com os Talking Heads: “Burning down the house”, “Once in a lifetime”, “And she was”, “The lady don’t mind”, “Wild wild life”, “(Nothing but) Flowers”.

Isto só para falar da época que comandou uma das bandas mais importantes do chamado pós-punk. Os Talking Heads, cria da Nova York da década de 1970 (o grupo estreou no palco no CBGB, abrindo para os Ramones em 1975) já não existem como banda desde 1991.

Mas Byrne, hoje com 65 anos, nunca parou. Prova é de que chega aqui na esteira do lançamento de “American utopia” (lançado em 9 de março), seu primeiro álbum solo de inéditas em 14 anos. Há algumas grandes músicas no trabalho, “Everybody’s coming to my house” a melhor delas.

Byrne também deu início a uma turnê mundial, que já tem datas em dois dos maiores festivais mundiais: Coachella (EUA) em abril e Roskilde (Dinamarca) em julho.

Há muitas razões entrar de cabeça no universo dele. Algumas estão abaixo. E para os que insistem, até a data de publicação deste texto ele não havia tocado sequer uma vez “Psycho killer” na nova turnê.

 

Foto: divulgação

Não fica deitado em berço esplêndido

Ao contrário de muitos tiozões que vêm a BH, David Byrne nunca parou de produzir. Além de chegar à cidade semanas após ter lançado novos disco e turnê ele, desde o fim dos Talking Heads somou parcerias das mais interessantes.

Fez a ópera “Here lies love” sobre Imelda Marcos (sim, a psycho colecionados de sapatos) com Fatboy Slim; é um dos parceiros mais constantes de Brian Eno (que compôs algumas das novas canções de Byrne); gravou com St. Vincent (o álbum “Love this giant”, super bem recebido pela crítica).

É contra revivals – afirmou recentemente à “Rolling Stone” que eles são “um tipo de exercício de nostalgia” e que não está interessado numa volta dos Talking Heads.

Foto: divulgação

Foi o responsável pelo renascimento de Tom Zé

No final dos anos 1980, amargando um ostracismo que já caminhava para duas décadas – pensava até em voltar para a cidade natal Irará, na Bahia – Tom Zé foi procurado por David Byrne, que havia se encantado com o álbum “Estudando o samba” (1976), descoberto num sebo.

Em 1990, lançou “The Best of Tom Zé” por seu selo, Luaka Bop. O mundo descobriu o tropicalista – e o Brasil, na esteira, o redescobriu.

A relação de Byrne com a música brasileira, por sinal, é das melhores. Dirigiu o documentário “Ilê Ayê”, colocou Margareth Menezes como atração de abertura de uma turnê internacional, gravou com Marisa Monte, Tiê, Caetano Veloso, Olodum e Forró in the Dark, entre outros.

 

Foto: divulgação

Usa bike como meio de transporte há mais de 30 anos

Sua atuação na música vai muito além de álbuns e turnês. Byrne  tem carreira no cinema – dirigiu, atuou e ainda levou, em 1987, um Oscar e um Globo de Ouro, com Ryuichi Sakamoto e Cong Su, pela trilha de “O último imperador”, de Bernardo Bertolucci–; nas artes cênicas – trabalhou com o diretor Bob Wilson, conhecido nome da vanguarda, entre outros.

E sempre escreveu muito. Tem nove livros publicados, entre eles “Diários de bicicleta” (no Brasil, lançado em 2011 pelo selo Amarilys, pode ser encontrado hoje em sebos), que o fez participar da Festa Literária de Paraty – Flip.

No relato ele conta suas experiências sob duas rodas. Byrne adotou a bicicleta para se locomover em Nova York – não raro, explora cidades onde faz shows também em cima de uma bike dobrável. Nos “Diários”, ele também utiliza os passeios como pontos de partida para reflexões sobre urbanismo e arquitetura.

 

Foto: divulgação

É protagonista do mais importante registro de show da história

Carregar o título de “o filme-concerto mais importante da história” não é pouca coisa. Ainda mais passados mais de 30 anos de sua realização. Pois foi Jonathan Demme (aquele que muita gente conhece por causa de “O silêncio dos inocentes”) quem filmou, ao longo de três apresentações, um dos melhores momentos dos Talking Heads.

Rodado em dezembro de 1983 no Hollywood’s Pantages Theater (teatro art déco dos anos 1930) e lançado no ano seguinte, “Stop making sense” foge de todos os clichês das produções do gênero (o público, por exemplo, mal aparece). É de uma estranheza marcante, que busca se concentrar na performance da banda e não no show em si.

A partir de “Psycho killer” (sim, é o hit que abre o show), vemos a figura de Byrne se modificar a cada música. Ora parece uma marionete, ora parece possuído, fazendo uma performance que completa cada música – o repertório inclui “Once in a lifetime”, “Burning down the house” e “Life during wartime”.

Ainda que Demme responda pela realização, os Talking Heads podem ser vistos como correalizadores. A banda bancou o projeto (US$ 1,2 milhão) e foi Byrne quem concebeu tanto a performance quanto a iluminação.

Playlist com 51 canções de Byrne

Quer se preparar para o show? Meu amigo Leonardo Soares, que sabe como ninguém o que é boa música, preparou uma playlist com 51 canções de Byrne. A lista está em ordem cronológica e, por isto, é bem didática para os não iniciados. Na parte final estão algumas versões que ele fez – “Asa Branca”, com o Forró in the Dark, é irrepreensível.

 

 

Colaboração especial para o Culturadoria

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