Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cyntilante estreia na Campanha de Popularização com “Rapunzel”

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A Cyntilante também levará, à iniciativa, outros dois espetáculos, “João e Maria – A Opereja” e “Os Saltimbancos”

Patrícia Cassese | Editora Assistente

A partir deste sábado, dia 13 de janeiro, a Cyntilante Produções entra em cartaz na 49ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Desta vez, a companhia apresenta uma ópera e dois musicais voltados para o público infantil. A estreia na Campanha acontece com “Rapunzel”, que, assim, terá sessões no sábado e domingo, dias 13 e 14. Do mesmo modo, nos dias 20 e 21, também sábado e domingo, a trupe apresenta “Os Saltimbancos”. Ambas as peças terão, como palco, o Centro Cultural Unimed-BH Minas. Já o musical “João e Maria – A Opereja” ocupa o Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. No caso, é a primeira vez que este espetáculo é apresentado na Campanha.

Cena de "João e Maria - A Opereja", espetáculo da Cyntilante que estreia na Campanha (Guto Muniz/Divulgação)
Cena de "João e Maria - A Opereja", espetáculo da Cyntilante que estreia na Campanha (Guto Muniz/Divulgação)

Em “Rapunzel”, a personagem principal é interpretada pela atriz Raíssa Alves, que carrega em seu figurino uma trança de 25 metros. O conto de fadas foi escrito pelos Irmãos Grimm e publicado pela primeira vez em 1812. Narra a vida de uma jovem de longos cabelos, aprisionada no alto de uma torre por uma bruxa vingativa. Há 25 anos em cartaz, a versão mineira de “Os Saltimbancos” revive a saga de quatro animais que partem para a cidade para tentar a carreira musical. Durante o percurso, porém, se dão conta que a metrópole não é exatamente o melhor lugar para se viver. 

Já adaptação de João e Maria da Cyntilante vem da ópera alemã de Engelbert Humperdinck. Assim “João e Maria – A Opereja” leva a fábula dos irmãos que se perdem na floresta, escrita pelos Grimm, para o contexto do sertão brasileiro. A partitura original de “Hänsel und Gretel” foi transcrita para o xote, xaxado e baião. Conforme o material de divulgação, em cena, os atores são acompanhados por orquestra popular, formada por instrumentos como violão, rabeca, sanfona e zabumba. 

Trilogia

Ao Culturadoria, Fernando Bustamente, diretor artístico da Cyntilante, lembra que já há muito tempo a companhia trabalha com teatro musical. “Mas a gente nunca havia adaptado ou feito uma ópera E essa ópera é muito conhecida, muito montada no exterior, especialmente no Natal. No entanto, no Brasil, ela foi montada pouquíssimas vezes. Inclusive, acho que em Belo Horizonte, nunca. Não posso falar com toda certeza, mas, pela nossa pesquisa nesse sentido, não. Nesse sentido também veio a ideia de fazer essa transposição da ópera original para o universo da cultura brasileira, especialmente a cultura do sertão”, conta.

Na verdade, o projeto surgiu no espectro de fazer uma trilogia de óperas adaptadas para a infância e a juventude. Assim, a história de João e Maria é a primeira. Fernando conta que, na sequência, virá “A Guitarra Mágica”, adaptação de “A Flauta Mágica”, de Mozart, que a Cyntilante estreia em fevereiro. “Do mesmo modo, em 2025 a gente vai fazer ‘Aida’, adaptação da ópera de Verdi para o contexto do samba. Então, foi dessa maneira que veio essa ideia de adaptar óperas para teatro musical para a infância e a juventude”.

Universo do sertão

Fernando Bustamante lembra ainda que um dos primeiros espetáculos produzidos pela Cyntilante foi “Lampiãozinho e Maria Bonitinha”, que angariou nada menos que 19 prêmios, tento circulado pelo Nordeste, além de passar pelo Rio de Janeiro e São Paulo. “Foi um dos espetáculos mais bem sucedidos da produtora no que diz respeito a ser um espetáculo autoral, um espetáculo que difunde a cultura brasileira”. Assim, desde 2020, havia a vontade de retomar a ideia de montar espetáculos que, de alguma forma, possam contribuir para a ratificação da identidade nacional. “E a história de João e Maria vem ao encontro a essa atmosfera do sertão. Porque a gente está se referindo a uma história que fala sobre fome, mas, ao mesmo tempo, também de alegria”.

O diretor artístico da Cyntilante prossegue: “Assim, fala desse imaginário. Quando a gente fala da casa de doces, no nosso caso, são doces típicos. Tal qual, a riqueza da música, do artesanato. Então, tudo isso, a gente leva para a cena. No entanto, não é aquele lugar comum do Nordeste, árido e com fome. Claro, tem também esse lugar, mas, em contraponto, a gente também traz toda uma riqueza cultural que existe não só no Nordeste, mas também no Norte de Minas, que abrange o sertão brasileiro”.

Turnê pelo Nordeste

A recente turnê da Cyntilante pelo Nordeste foi, segundo Fernando Bustamante, muito importante para a companhia. “Porque hoje em dia é muito diferente a forma de você montar um espetáculo da época em que fizemos o ‘Lampiãozinho e Maria Bonitinha’. Na época, os atores eram mineiros, falavam com sotaque. Eram outros tempos. Hoje em dia, a gente tem uma preocupação muito maior em trazer, para a equipe, profissionais que de alguma forma tenham esse lugar de fala. E foi daí que veio essa vontade de, ao falar de sertão, não tratar só do Nordeste, mas também do Norte de Minas, que tem a ver com a nossa mineiridade, com a nossa história”.

Sendo assim, prossegue ele, a Cyntilante ir para o Nordeste significou validar toda essa pesquisa feita pela companhia. “Desse modo, cidades como Salvador, Fortaleza e Recife, foram importantes. E a gente teve a participação do público, através de debates no final de todos os espetáculos. Assim, o feedback que a gente teve foi realmente essa validação do que foi apresentado. Essa identificação do povo com essa história adaptada para a cultura brasileira”.

Expectativas para a Campanha

Da mesma forma Fernando Bustamante ressalta “Opereja” fez duas apresentações em Belo Horizonte no ano passado. “Ambas tiveram casa cheia, então, isso nos deu esse ânimo aí, de, esse ano, fazer duas apresentações no Palácio das Artes a preços populares. É uma oportunidade muito boa de o público familiar, de as famílias, irem a um teatro tão importante, em Minas Gerais, assistir a um espetáculo para todos os públicos, com uma orquestra popular de dez músicos. Não é todo dia que um evento assim acontece. Porque é um evento voltado para o público infantil, então, acho que vale a pena assistir. A nossa expectativa é a melhor possível”.

Novos projetos

Sobre novos projetos, ele diz: “Bem, já mencionei a trilogia de óperas, que, além de ‘João e Maria’, inclui ‘A Guitarra Mágica’, que estreia dia 24 de Fevereiro, no Cine Theatro Brasil Vallourec. É uma adaptação para a cultura do rock, para a infância e juventude. E em 2025, a ópera ‘Aída’, de Verdi. Nós vamos fazer uma adaptação para a cultura do samba, também direcionada ao público infantojuvenil. Será uma oportunidade muito bacana de o público conhecer essas óperas. Para quem trabalha com ópera, os cantores são grandes ícones. E a gente traz essa pitada de brasilidade. Assim, rendendo uma homenagem à nossa cultura popular”.

Serviço

“Rapunzel”

Dias 13 e 14 de janeiro, sábado e domingo, 16h

Centro Cultural Unimed-BH Minas (rua da Bahia, 2.244)

“Os Saltimbancos”

Dias 20 e 21 de janeiro, sábado e domingo, 16h

Centro Cultural Unimed-BH Minas (rua da Bahia, 2.244)

“João e Maria – Opereja”

20 e 21 de janeiro, sábado, às 18h, e domingo, às 17h

Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro)

Quanto: Ingressos a partir de R$ 25, no Posto do Sinparc, no Aplicativo e Site Vá ao Teatro e na bilheteria dos teatros.

Mais informações: www.cyntilante.com.br

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