fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

[CRÍTICA] ‘Insubstituível’ destaca o valor da vocação no mundo capitalista

Por Carol Braga

09/03/2017 às 16:03

Publicidade - Portal UAI

O médico de família Jean-Pierre atende na zona rural do interior da França. Crédito: Jair Sfez

Todas as vezes que me deparo com uma comédia francesa fico imaginando a força que o gênero tem por lá. Tanto que comédias como Insubstituível, Os Intocáveis, por exemplo concorrem com frequência ao Cesar, o principal prêmio do cinema francês.

François Cluzet, o protagonista dos dois filmes, concorreu em 2017 ao trofeu de melhor ator. Volto a dizer: por uma comédia.

Há quem defenda que essa combinação … comedia e prêmios não dê muita liga. Bobagem.

Os franceses não fazem comédias para o público rir. Distrair é um verbo melhor. São filmes leves, que se aproximam dos costumes do país. Colocam uma lente de aumento em determinados modos de vida. Não zombam ou ridicularizam.

Crédito: Jair Sfez

Insubstituível, longa que a Cineart Films traz as salas brasileiras, vai por esse caminho. O nome em francês é algo parecido como Médico de Família. Retrata sem peso –  com certo romantismo – o dia a dia de quem se dedica a cuidar da saúde da população de pequenas cidades.

Tudo começa quando Jean-Pierre, o médico de uma cidadinha, recebe o diagnóstico de câncer. Logo pensei “… ih lá vem aquele dramalhão”. Negativo. É um filme que foge do melodrama e paga um preço por isso. É bastante convencional ao retratar a vida no campo.

Para se tratar, o médico precisa diminuir o ritmo de trabalho. A contragosto, recebe e começa a treinar uma colega. Nathalie Delezia (Marianne Denicourt) é tão dedicada quanto persistente. O embate entre eles também não tem nada a surpreender. Ele é o sênior turrão que se mostra inseguro diante da aprendiz.

O longa tem pouquíssimas curvas de tensão. A história é linear. A psicologia dos personagens é simplória, mesmo diante da relação diária com a morte. Para resumir, um filme de sessão da tarde.

Insubstituível tem grandes planos, paisagens, estradas. Ao mesmo tempo, as cenas em que pessoas aparecem, o plano é fechado. Talvez porque o interesse maior do longa dirigido por Thomas Lilti seja destacar a humanidade de cada um dos personagens.

Aliás, não é a primeira vez que o diretor de 41 anos se aproxima deste universo. O ambiente hospitalar também era destaque em Hipócrates (2014). Insubstituível é o segundo longa da carreira. O recado, até agora, parece ser sobre a importância de se retomar a ideia de vocação.

De certa forma ela é contrária ao que prega o capitalismo e até o que pode se considerar a figura bem sucedida na profissão. O vocacionado não se importa com dinheiro. Faz aquilo porque não conseguiria fazer de outro jeito. Não vive sem. Que o mundo profissional – em especial a área da saúde – tenha mais pessoas vocacionadas como Jean-Pierre.

EM TEMPO

Insubstituível marca o início do trabalho da Cineart como distribuidora de cinema. A proposta é valorizar a produção local e extrapolar as grandes produções. O calendário de lançamentos previstos está  “O que queremos para o mundo”, do diretor mineiro Igor Amin,  a premiada produção que fala sobre a vida da poetisa americana Emily Dickinson, “Além das Palavras”, dentre outros.

 

photo

Cine Humberto Mauro comemora 40 anos com mostra de Buster Keaton

O grande cara de pedra ou o homem que nunca ri. Famoso pela agilidade acrobática e um dos grandes propulsores do cinema mudo. Este é Buster Keaton, quem marca o início das comemorações dos 40 anos do Cine Humberto Mauro. A mostra que resgata a história do artista ocupa o espaço até o dia 29 de março. […]

LEIA MAIS
photo

CineBH começa com o anárquico filme ‘Sol Alegria’

Cine O país está tomado por uma junta militar e por pastores corruptos. Dessa forma, o que restou para as freiras foi o cultivo da maconha. Elas são descoladas, usam armas e ficam nuas. São bem diferentes das que conhecemos. Nesse lugar ainda há travestis espalhadas pelas ruas, rapazes pelados no meio dos matos e […]

LEIA MAIS
photo

Stranger Things: impressões sobre a 3ª temporada

Que Stranger Things é umas das séries mais populares da Netflix não há dúvidas. No dia 4 de julho a produção ganhou a sua terceira temporada depois de dois anos de ansiedade dos fãs. Os irmãos Matt e Ross Duffer não pouparam esforços para fazer com que a nova temporada fosse tão bem produzida quanto […]

LEIA MAIS
photo

De MC Elis a Djonga: a Virada Cultural e o pertencimento social

Era uma vez um menino da periferia de Belo Horizonte. Ele é negro. Sempre soube dos shows que eram – e são – realizados na Praça da Estação. Nem sempre ia. Um dia decidiu comparecer. Disse que estava de bobeira em casa. Mas o que mais marcou, não foi exatamente o espetáculo que foi assistir. […]

LEIA MAIS
photo

Breves reflexões sobre a (minha) Virada Cultural

O que sempre me encantou na Virada Cultural é o fato de poder andar pela cidade com um olhar diferente do cotidiano. E foi assim, descendo a Rua Rio de Janeiro, da Praça Sete em direção à Guaicurus que mais uma vez me dei conta disso. Com o passo apressado, um senhor perguntou se era […]

LEIA MAIS
photo

Stranger Things 3: cinco apostas para a temporada

As férias de Julho estão aí. Aliás, para muitos, o período de férias também significa colocar os seriados em dia. E nada melhor do que começar por Stranger Things, um dos maiores sucessos de público da Netflix. Desde que foi lançada, em 15 de Julho de 2016, a trama de Matt e Ross Duffer criou […]

LEIA MAIS