fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Os encantos da arte e da loucura são forças no monólogo ‘Bispo’ com João Miguel

Por Carol Braga

19/05/2017 às 17:23

Publicidade - Portal UAI

Cena do monólogo Bispo, com João Miguel

É muito bonito se deparar com um ator cuja ligação com o personagem é tão forte como acontece com João Miguel e Arthur Bispo do Rosário (1911-1989). Tanto é que, se a carreira dele no cinema deslanchou depois dessa montagem, foram poucos os retornos ao palco nos últimos 15 anos. O reencontro deles, em 2017, é significativo e emocionante.

Arthur Bispo do Rosário foi um artista plástico sergipano diagnosticado com esquizofrenia paranoide. Bispo viveu muito tempo dentro de um hospital psiquiátrico, a colônia Juliano Pereira, em Jacarepaguá. Era neste local – supostamente inóspito para qualquer senso criativo – que ele tecia, bordava, desenhava, criava mundos poéticos para si mesmo. Fez mais de 900 obras ao longo da vida.

João Miguel – cujo trabalho como ator surge no circo, precisamente na arte do palhaço – não conta a história de Bispo. No monólogo ele incorpora o personagem de tal forma que desperta a dúvida sobre limiares: ator/personagem, loucura/lucidez. Ao longo dos pouco mais de 60 minutos somos dominados por uma atmosfera lírica, pouco lúcida, extremamente poética.

Tem algo de transcendental nessa peça. Talvez porque o processo criativo de Arthur Bispo do Rosário se conecte mais com algo espiritual do que propriamente racional. Os criadores da montagem respeitam a natureza dele.

Elementos complementares

Pelo papel João recebeu uma indicação ao prêmio Shell em 2003. Mas não é só a atuação que merece louros. O cenário, de Doménico Lancelotti e Marepe Zuarte e Jr., é outro elemento importante. É praticamente uma instalação artística que acolhe João e Bispo. Não é apenas bonito, mas também funciona como dramaturgia. Até a plateia tem um papel a cumprir. (Não precisa preocupar porque a peça não é interativa eheheeheheh).

E o manto? Além da simplicidade e da beleza dos bordados, o grande tecido que o ator carrega o tempo inteiro é também personagem. Parceiro constante de João e Arthur.

A direção é do próprio João Miguel em parceria com o autor do texto, Edgard Navarro. É bonito ver como eles se distanciam da biografia tradicional e permitem que o público se aproxime – ainda que de maneira ficcional – da sensibilidade daquele homem. Como ele se relacionava com a arte, com a palavra, a poesia e com as pessoas em sua volta. A cumplicidade com a psiquiatra Rosângela Magalhães também é abordada.

Saí do teatro emocionada com potência do encontro entre ator/personagem e com muita vontade de conhecer mais sobre a obra de Arthur Bispo do Rosário.

photo

Apostas do Culturadoria entre as peças internacionais do FIT 2018

Realizado pela primeira vez em setembro, o FIT-BH estreia trazendo muitas novidades e, sobretudo, apostas! Sim, pois grande parte da programação é composta por espetáculos fora dos eixos tradicionais. Ou seja, esta edição promete. Para te ajudar a escolher, compartilhamos com você a nossa lista de espetáculos internacionais. São nossas apostas!   Arde brillante en […]

LEIA MAIS
photo

Culturadoria do fim de semana: 21 a 23 de abril

Aqui estão as tradicionais apostas do Culturadoria para o fim de semana prolongado. Se em Ouro Preto tem a tradicional entrega da Medalha da Inconfidência em honra do mártir Tiradentes a história ficcionalizada dele chega aos cinemas sob direção de Marcelo Gomes (Cinema, aspirinas e urubus). O filme exibido em competição no Festival de Berlim […]

LEIA MAIS
photo

Maria Cutia estreia Auto da Compadecida com direção de Gabriel Villela

É o diretor Gabriel Villela quem conta. Quando Ariano Suassuna esteve na plateia de Romeu e Julieta, com Grupo Galpão, ao final da apresentação na Paraíba, levantou-se de maneira abrupta. Naquele tom discursivo que lhe era peculiar, disse: “Essa peça não tem diretor não, quem dirigiu isso fui eu. É a peça que eu dirigiria […]

LEIA MAIS
photo

Grupo Pigmalião cresce no exterior sem perder conexão com o Brasil

Curitiba – Não restam dúvidas: Pigmalião Escultura que Mexe é o grupo mais internacional da atualidade no teatro mineiro. Com todo merecimento. São 12 anos de trajetória e a cada espetáculo a companhia se apresenta a novos desafios. Detalhe: sem abandonar as montagens mais antigas, nem o Brasil. Muito menos os temas que precisam ser […]

LEIA MAIS
photo

Peça ‘Banho de Sol’ faz convite à empatia após experiência em presídio

A arte pode ajudar a recuperar o que se perde nos piores momentos da vida. É esse recado que a peça ‘Banho de Sol’, da Zula Cia. de Teatro, pretende dar a cada um que for conferir o espetáculo em cartaz no CCBB até o dia 22 de abril. ‘Banho de Sol’ é um projeto […]

LEIA MAIS
photo

Galpão Cine Horto chega aos 21 anos repleto de novidades

São 21 anos de histórias. Muitas e lindas. Falar sobre o Galpão Cine Horto é o mesmo que percorrer com lente de aumento a história recente com o melhor do que foi produzido pelo teatro mineiro. É certo que não haverá nenhum grupo com menos de duas décadas que não tenha passado lá em algum […]

LEIA MAIS