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Jornalistas lançam livro sobre os dez anos da Lei de Cotas

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“Vidas Inteiras”, sobre os dez anos da Lei de Cotas, leva a autoria dos jornalistas Márcia Maria Cruz, Vinícius Luiz e Gabriel Araújo

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Será lançado nesta quarta-feira, na Livraria Jenipapo, o livro “Vidas Inteiras – Histórias dos 10 anos da Lei de Cotas” (Crivo Editorial), assinado pelos jornalistas Márcia Maria Cruz, Gabriel Araújo e Vinicius Luiz. Produzida com recursos da Lei Municipal de incentivo à Cultura de Belo Horizonte, a obra apresenta histórias de pessoas que foram beneficiadas pela lei de cotas (Lei nº 12.711/12), Do mesmo modo, reconstrói a trajetória de lutas até a aprovação da legislação.

Vinicius Luiz, Márcia Maria Cruz e Gabriel Araújo, autores de livro sobre dez anos da Lei de Cotas (Arquivo Pessoal)
Vinicius Luiz, Márcia Maria Cruz e Gabriel Araújo, autores de livro sobre dez anos da Lei de Cotas (Arquivo Pessoal)

De acordo com Vinicius Luiz, a ideia surgiu justamente a partir da constatação do marco de dez anos da Lei de Cotas, que reserva vagas para estudantes de escolas públicas. “E, dentro desse percentual, há uma parte reservada para estudantes negros e também para indígenas. No caso, a gente focou nos estudantes negros. Depois que já havia escrito parte do que seria o livro, conseguimos aprovação da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, por meio do Fundo Municipal de Cultural. Assim, a ideia foi contar a história de pessoas que tiveram as vidas transformadas, afetadas, impactadas, pela Lei de Cotas”.

Histórias Brasil afora

Desse modo, são histórias de pessoas de vários lugares do Brasil. “A gente tem da Bahia, do Pará, do Distrito Federal, do Rio Grande do Sul, daqui de Minas, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Logo, a ideia foi mostrar como essas histórias, de pessoas com potenciais riquíssimos, foram transformadas, como puderam seguir o curso desejado. Porque todo mundo tem um desejo, seja estudar cinema, engenharia ou pedagogia, para dar alguns exemplos. No entanto, nem sempre esses sonhos se realizavam por conta de todas as dificuldades que estão colocadas para pessoas pretas e pobres no Brasil. Assim, a lei de cotas permitiu que essas metas, que esses sonhos fossem concretizados”.

Luta pela continuidade

Dessa maneira, prossegue Vinicius Luiz, essas pessoas conseguiram construir, produzir os próprios caminhos, alcançar metas. “Assim, esse livro é um pouco para mostrar o valor desse projeto. Logo, de como ele impactou e, tal qual, mudou a sociedade brasileira a partir da mudança das universidades. Primeiramente, hoje a gente tem universidades mais igualitárias, com alunos de todas as cores. Antes (da Lei de Cotas), a gente tinha universidades basicamente brancas”. Acima de tudo, emenda ele, ao mostrar que esse projeto deu certo, o livro também enfatiza a importância de se mantê-lo.

“Nós tivemos aí centenas de anos de escravidão, séculos de escravidão. Em contrapartida, tivemos, como política afirmativa, uma política nacional afirmativa para a população negra, apenas dez anos. Assim, talvez dez anos não sejam o bastante para se produzir a diferença que nos foi tomada em séculos de escravidão. Então, esse livro traz esse alerta de que é importante a gente manter esse projeto. Ocorreram tentativas de modificá-lo, de suprimir a questão da raça. E sempre as ameaças estão por aí. Logo, é um livro importante por reunir essas histórias e mostrar como é que a lei de fato fez diferença”.

Processo

Márcia Maria complementa que, ao todo, foram 24 entrevistas realizadas com cotistas, professores, especialistas e militantes do movimento negro. “Também acompanhamos in loco, em Brasília, a votação do projeto de revisão das cotas”, acrescenta ela.

Conforme o material de divulgação da obra, para além das histórias individuais, os autores também recuperam as lutas travadas no parlamento e nas universidades por políticas de reparação para a população negra, em que aparecem personagens como Abdias Nascimento, Benedita da Silva, Zélia Amador e Carlos Alberto Oliveira dos Santos, o Caó.

Macaé Evaristo

“Os jornalistas Márcia Maria Cruz, Vinícius Luiz e Gabriel Araújo fazem um memorial das políticas afirmativas a partir de histórias de vidas e mostram como as cotas desencadeiam revoluções”, resume a deputada estadual Macaé Evaristo (PT-MG) em texto publicado na orelha de Vidas Inteiras.

Os autores

Márcia Maria Cruz é doutora em Ciência Política e mestre em Comunicação Social pela UFMG. Jornalista, coordena a comunicação da deputada estadual Macaé Evaristo. Foi coordenadora do núcleo de Diversidade do jornal Estado de Minas. Vencedora do Troféu Mulher Imprensa 2022 na categoria Diversidade.

Gabriel Araújo é graduado em Comunicação Social com formação complementar em Cinema pela UFMG, universidade onde entrou por meio da política de cotas. É redator e repórter freelancer da Folha de S. Paulo. Tal qual, idealizador da iNDETERMINAÇÕES, plataforma de crítica e cinema negro brasileiro. E, ainda, cofundador e curador do Cineclube Mocambo, iniciativa de exibição de filmes da cinematografia negra do Brasil, África e da diáspora africana.

Vinicius Luiz é jornalista e produtor de podcast. É formado em Comunicação Social pela UFMG, com especialização em Comunicação Pública da Ciência pela mesma instituição. Tem passagens pela Rádio UFMG Educativa, jornal Hoje em Dia e Núcleo de Assessoria de Imprensa do Centro de Comunicação da UFMG. Atualmente, trabalha com podcasts, como cocriador e produtor do Pelo Avesso – sobre fatos pouco explorados na história do país.

Serviço

Lançamento do livro “Vidas Inteiras – Histórias dos 10 anos da Lei de Cotas”

Data: 18 de outubro, às 19h.
Local: Livraria Jenipapo – Rua Fernandes Tourinho, 241 – Savassi.

Vidas Inteiras – Histórias dos 10 anos da Lei de Cotas (Crivo Editorial, 148 páginas, R$ 35)
Autores: Márcia Maria Cruz, Gabriel Araújo e Vinicius Luiz

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