Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cordel do Fogo Encantado apresenta show “Água do Tempo” em BH

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O grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado volta a mostrar sua formação original em única apresentação nesta quinta, no Sesc Palladium

Patrícia Cassese | Editora Assistente

E assim se passaram 20 anos. Na verdade, um pouco mais. Foi em 1997 que, do sertão de Pernambuco, precisamente de Arcoverde, despontava o Cordel do Fogo Encantado, grupo cênico-musical que foi galgando espaço até chegar, dois anos depois, no Festival Rec-Beat, na fervilhante Recife.

O grupo Cordel do Fogo Encantado, em foto de Fred Jordão/Divulgação
O grupo Cordel do Fogo Encantado, em foto de Fred Jordão/Divulgação

Dali, logo o burburinho se amplificou nacionalmente. Formado por José Paes de Lira (o Lirinha), Clayton Barros e Emerson Calado, junto aos percussionistas recifenses Nego Henrique e Rafa Almeida (de Morro da Conceição), o Cordel do Fogo Encantado lançou seu primeiro disco (homônimo à banda) em 2001.

Detalhe: o álbum trazia nada menos que a produção musical de Naná Vasconcelos (1944-2016), que também participava do petardo. A partir daí, vieram outros capítulos memoráveis, até a banda decidir dar um tempo, em 2010.

De volta aos palcos

No início de 2017, o Cordel do Fogo Encantado voltava a se reunir para a criação de um novo disco e turnê. Mas eis que, em 2020, vem a pandemia (sempre ela).

Com a situação mais sob controle, no ano passado o Cordel voltou aos palcos com o show “Água do Tempo”.

E é justamente no bojo da turnê que a formação original chega agora à capital mineira para única apresentação, nesta quinta-feira, véspera de feriado, no palco do Sesc Palladium.

Para saber mais sobre este novo retorno e sobre o espetáculo, a reportagem do Culturadoria conversou com Clayton Barros. Confira, a seguir, alguns momentos do bate-papo.

Espetáculo

Clayton Barros conta que o Cordel do Fogo Encantado estreou “Água do Tempo” no primeiro semestre do ano passado. “Circulamos por várias capitais e cidades do Brasil e temos sido muito bem recebidos”, afirma.

Ele que conta que, a partir da temática escolhida, o Cordel reformulou repertório, cenário, figurino, fez novas fotos. “Toda uma criação única para este espetáculo, que, aliás, já, já vai fazer um ano. E um ano de espetáculo intermediário, sem disco, já sugere a concentração para a preparação, para a composição de um novo trabalho”, avisa ele.

“A Água e o Tempo”

Barros conta que a estrutura do espetáculo, os pilares água e tempo, foram bem debatidos, discutidos, entre os integrantes do Cordel . “É um título que conta bem a nossa história, das águas que já rolaram, do que ainda vai rolar. Possibilidades para o futuro, também poeticamente a água como um fator que modifica tudo por onde passa”.

“A água dos rios, a água das chuvas, a água dos mares. Enfim, tudo isso está embutido nesta visão poética desse novo show”, prossegue.

“E o tempo também da nossa história. O tempo atual, que vivemos, e o tempo que queremos construir para um futuro. Um mundo melhor que idealizamos e que buscamos passar através das nossas apresentações por meio de letras, música, poemas, poesia”, arremata Clayton.

Sendo assim, os dois pilares, prossegue o “cordelista”, estão o tempo todo “nos arrodeando e provocando a gente a usar a criatividade”.

Duas décadas

“Pois é, 20 anos de estrada, duas décadas do surgimento do Cordel do Fogo Encantado”, explana Clayton, lembrando que as comemorações praticamente coincidiram com o advento da pandemia.

“E ela veio de uma forma muito difícil para todo mundo. Muitas famílias, muitas pessoas padeceram. Hoje, podemos dizer que somos sobreviventes desse episódio que ainda não findou, mas ao menos passamos do pico”, analisa Clayton.

Ele lembra que mesmo a arte tendo sido um alento durante os momentos mais difíceis do flagelo (“a arte foi muito consumida, digo em termos de livros, discos, audiovisual, enfim…”), a classe foi a primeira a parar e a última a voltar.

“Então, a gente tinha trabalhos para lançar nesta época, sim. Mas não valeria a pena, a pandemia estava no seu auge. Mas o Cordel não vai deixar este marco passar em branco, não. Vão vir algumas coisas celebrativas destes 20 anos de banda mesmo não sendo na data. Em breve”, afiança.

Balanço

Fazendo uma análise da trajetória, ele diz que “foi uma estrada muito bonita de trilhar”. “Desde Arcoverde, desde os primeiros encontros, quando a gente começou a se conhecer e a se entender artisticamente, musicalmente, ainda nos ensaios, nas criações”.

Em sua fala, Clayton abarca as pessoas que passaram pela trajetória do Cordel “e que também foram muito importantes”.

“As lições que ficam são principalmente as que Naná nos deu. Que a música é uma entidade viva, que merece todo o cuidado, toda a concentração, todo o respeito para ser feita. E a arte em si, da mesma forma”.

Naná Vasconcelos, reitera ele, deu um “tremendo impulso” ao Cordel do Fogo Encantado. “Além de produzir e participar do primeiro disco, ele nos deu várias lições que a gente pratica até hoje, tanto na construção da nossa vida pessoal quanto na carreira, nos nossos espetáculos, discos”.

Energia encantada

Clayton entende que o tempo que os integrantes do Cordel passaram na pausa forçada (pela pandemia) também foi positivo para dar uma renovada em cada um. “Então, quando a gente se reencontrou, veio com uma carga de saudade, de vontade, de energia, que permanece até hoje. Essa energia de continuarmos juntos, construindo juntos. Uma energia encantada que nos cerca, que nos arrodeia”.

Renovação do público

Perguntado sobre a renovação do público, Clayton vai logo dizendo: “Isso é importantíssimo falar, porque quando a gente parou, em 2010, a internet estava começando. Não tinha redes sociais. Realmente, ficamos de fora no surgimento desses novos aplicativos, das redes sociais, que hoje a gente utiliza”.

O integrante do Cordel reconhece que os integrantes levaram um tempo para aprender como se posicionar nas novas tecnologias. “Porque ficamos ausentes, mas, quando decidimos voltar, a gente já estava buscando um entendimento disso com um meio de diálogo com as novas gerações. E tem acontecido”, festeja.

Ele se diz feliz pelo fato de os integrantes do Cordel perceberem, nas plateias, tanto pessoas que já conheciam a banda como também um público mais jovem. “E que tem nos acompanhado. É muito satisfatório, né?”.

O retorno também vem por meio de conversas, debates. “Isso tudo é muito importante. Buscamos cada vez mais um aprendizado mútuo, de a gente se comunicar melhor com essas novas gerações”.

Presença de Milton

Em tempo: no roteiro do show há espaço para a releitura de “Cio da Terra”. “Anos atrás, nós, do Cordel, fizemos uma apresentação no programa “Som Brasil”, da Globo, lá no Rio de Janeiro. O Guto Graça Melo era produtor, a Patrícia Pillar, apresentadora”.

Naquele dia, Milton Nascimento estava presente. “Então, essa apresentação ficou muito marcada para nós. Além disso, é uma música que a gente sempre ouviu, sempre gostou de tocar nos show”.

Clayton também ressalta que a letra tem tudo a ver com o título do show, “Água do Tempo”. “É a fecundação, na terra, da semente, que precisa da água. E tem o tempo que leva para brotar, todos esses fatores que nos cercam, de contagem do tempo, de plantar as coisas para colher no futuro, o processo de cuidado para se ter uma boa colheita do que se imagina”.

“Essa música, composta por dois mestres, ela é belíssima e entrou muito facilmente no repertório por conta do que eu disse e pelo fato de a gente já ter aquela história relacionada a ela, com a presença do Milton. Uma honra poder tocá-la em BH, a terra do Clube da Esquina”, finaliza Clayton.

Serviço

Cordel do Fogo Encantado – Show “Água do Tempo”
Classificação etária: livre
Data e horário: 20 de abril, quinta, às 21h
Local: Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro)
Ingressos: Entre R$ 30 e R$ 120
Vendas: na bilheteria do teatro ou pelo
Informações: (31) 3270-8100

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