Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Um terço dos brasileiros ouve música pela internet todos os dias

Segundo pesquisa, consumo por streaming cresceu 64% no Brasil.

Por Thiago Fonseca*

17/12/2018 às 13:56

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Foto: Thiago Fonseca / Culturadoria

Seja para ir ao trabalho, fazer as tarefas domésticas, descansar e até mesmo estudar, todos os dias a professora de história Fernanda Abreu, de 38 anos, escuta música pelo Spotify. Só em 2018, foram 16.307 minutos na plataforma, segundo levantamento enviado pela empresa. Além do streaming, também se aventura pelo YouTube para ouvir as canções prediletas. Dessa forma, está bem adepta ao consumo de música pelas plataformas digitais.

Antes de conhecer o Spotify Fernanda escutava música no rádio, comprava CD ou vinil. Hoje, seu melhor amigo é o aplicativo de música. “Gosto muito da plataforma por poder baixar minhas músicas favoritas, escutar sem ter internet, fazer minha playlist e ter acesso a outras disponíveis para qualquer ocasião. Não vivo sem”, conta Fernanda.

O advogado Daniel Castro, de 27 anos, também é um adepto dos aplicativos de música. Assim como Fernanda, escuta música por streaming todos os dias. O gosto vem da diversidade de artistas na plataforma, pela praticidade e por poder ouvir o que quer na hora que quiser. Com tanta facilidade para escutar as canções prediletas fica difícil não aderir ao consumo de música pela internet e streaming. Sendo assim, o número de adeptos cresce a cada dia.

Segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2017, divulgados em novembro de 2018, 1/3 dos brasileiros ouve música pela Internet todos os dias. O maior fluxo está direcionado às plataformas de streaming, como o Spotify, Apple Music e Deezer. Ainda de acordo com dados divulgados pela Federação Internacional Fonográfica e a Pró-Música Brasil, eles foram responsáveis pelo avanço de 64% do streaming no Brasil. O número é 22,9% superior que a média mundial.

Mudanças na indústria fonográfica

Se por um lado a vida dos consumidores melhorou, a da indústria fonográfica nem tanto. Ao abraçarmos a praticidade das plataformas de streaming, o mercado precisou se adaptar para atender a demanda. Assim como os artistas, que buscam novos caminhos para se manter no mercado.

Segundo o músico, cantor e compositor mineiro, Renato Caetano, nos dias de hoje o artista para atingir o público precisa investir nas plataformas digitais e saber como lidar com elas. “Antes o artista lançava disco, as pessoas iam no show, compravam e aprendiam as músicas. Agora, elas já chegam no show sabendo. Hoje o músico não tem que pensar mais em gravar CD, e sim, em lançar single no streaming, depois ir para o YouTube”.

Sendo assim, Renato lança uma música de cada vez nas plataformas digitais e a medida que pode, transforma em clipes no Youtube. “O músico tem que atingir o público nas plataformas digitais para atrair para o show, dessa forma, é possível lucrar. As gravadoras estão pirando com essas mudanças. O foco agora não é mais lançar CD, ter a música tocada na rádio e TV, e sim nas plataformas digitais”.

 

Renato Caetano apostas no lançamento de músicas individuais nas plataformas digitais para divulgação do seu trabalho – Foto: Élcio Paraíso

 

Plataformas digitais

Diante do cenário tão promissor, novas empresas estão surgindo para auxiliar os músicos na distribuição das músicas. É o caso da Quae, que surgiu em 2010, e atua principalmente com músicos mineiros. Ela recebe as músicas, junta as informações e distribui. Segundo o proprietário, Eugênio de Castro, são mais de cem plataformas no mundo inteiro. Juntas elas alcançam cerca de 300 milhões de pessoas. “É um mercado que cresce cada dia mais e a indústria fonográfica precisa se readaptar”.

Para Eugênio, só estar nas plataformas digitais não é o bastante. “Por dia são mais de 20 mil músicas novas no Spotify. Dessa forma, para se diferenciar é preciso estar em outros lugares ao mesmo tempo, criar uma narrativa transmídia e pensar em outras formas de atingir o público”.

A moda antiga

Mesmo com o crescimento do streaming, há ainda aqueles que não abrem mão dos meios convencionais. É o caso da jornalista Priscila Mendes, de 32 anos. Ela só ouve música no rádio ou no toca-discos. “Morro de preguiça de streaming. Tenho muitos vinis e ouço sempre. Ainda levo meu rádio  para os lugares que vou. Meus amigos até pegam no meu pé, mas não pretendo mudar”.

Para também agradar esse público, os músicos voltaram a investir no vinil e até na fita cassete. Segundo o último levantamento da indústria discográfica, de 1991 a 2016, as vendas e produções dos discos cresceram 53% em todo o mundo. Empresas de produção das bolachas reabriram e apostam no setor. Eugênio acredita que mesmo com o crescimento do consumo de música nas plataformas digitais, as tradicionais não vão acabar, entretanto é para um nicho.

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