Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Sarah Higino rege Sinfônica no Dia da Consciência Negra

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Repertório que será executado no Dia da Consciência Negra traz obras de compositores diversos e criações que dialogam com as raízes afro-brasileiras

A importante contribuição de artistas negros para a música erudita ganha destaque no Palácio das Artes, no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro (segunda-feira). Nesta data, simbólica para a luta por uma sociedade antirracista e mais igualitária, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais interpreta um programa especial na série Concertos da Liberdade – Sinfônica em Concerto, sob regência inédita da maestra Sarah Higino. A apresentação acontece às 20h30, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.

No repertório, obras de célebres compositores negros e afrodescendentes, como o britânico Samuel Coleridge-Taylor (1875-1912) e os cariocas Chiquinha Gonzaga (1847-1935) e Anderson Alves. Do mesmo modo, o concerto do Dia da Consciência Negra também inclui criações musicais que dialogam com as raízes históricas e artísticas afro-brasileiras. Desse modo, obras de Lorenzo Fernández (1897-1948) e Gilson Santos.

A maestra Sarah Higino conduz a Sinfônica no Dia da Consciência Negra (Fabíola Ito/Divulgação)
A maestra Sarah Higino conduz a Sinfônica no Dia da Consciência Negra (Fabíola Ito/Divulgação)

A regente

Sarah Higino, que vai conduzir a Sinfônica no concerto do Dia da Consciência Negra, é também pianista. Com raízes mineiras (o pai é de São João del-Rei, e a mãe, de Lavras), a musicista vê, na arte, uma importante ferramenta de democratização de oportunidades e inclusão social. “Assim, considero como missão o fato de os jovens terem referências em qualquer ambiente. Então, quando entramos em uma sala de aula e vemos crianças e jovens tocando violino, violoncelo, viola, entre outros, muito nos alegra. Primeiramente, por notar que perceberam a música como possibilidade de vida futura, não importando a cor da pele. A nossa população negra só pode ter novas perspectivas se tiver referências”, pontua ela.

Desse modo, ela entende que cada vez mais haverá pessoas que não vão se inibir ao chegar em teatros ou frequentar certos espaços. “Eu não quero ser a única a estar nesses lugares, quero ser acompanhada por cada vez mais pessoas pretas. A música de concerto também é feita por e para negros, pessoas indígenas e tantas mais”, defende.

Festejando as origens

O concerto marcado para o Dia da Consciência Negra se inicia com a obra “The Bamboula –  Rhapsodic Dance for Orchestra”, composta em 1911 por Samuel Coleridge-Taylor, britânico de ascendência africana (seu pai fazia parte da etnia Krio, de Serra Leoa). O título “Bamboula” faz referência a uma dança popular originada na África. A peça combina elementos de nacionalismo musical com influências étnicas e folclóricas, celebrando de forma enérgica a diversidade cultural.

Atravessando o Oceano Atlântico, “A Revolta dos Malês”, de Gilson Santos, leva o público a uma viagem no tempo. Assim, capturando a essência e a emoção deste episódio marcante da história do Brasil – ocorrido em 1835, na Bahia, quando escravizados muçulmanos se mobilizaram pelo fim da escravatura. “Acho fundamental que o programa (para o Dia da Consciência Negra) escolhido tenha a identidade do nosso povo, dando ênfase à música de concerto e a compositores e compositoras, sendo dois deles ainda jovens, com carreiras em ascensão no meio musical. Desse modo, vários estilos estão contemplados, não esquecendo da nossa Música Popular Brasileira”, explica Sarah Higino.

Chiquinha Gonzaga

A grande maestra Chiquinha Gonzaga marca presença no concerto do Dia da Consciência Negra com as valsas “Saudade” e “Carlos Gomes” (cujo nome é uma homenagem ao grande maestro e compositor brasileiro). A música de Chiquinha Gonzaga, uma das primeiras compositoras e instrumentistas do Brasil, possui uma melodia doce e emotiva. Assim, evoca a sensação de saudade e melancolia, representando de forma precisa a experiência humana. Sem sair do Rio de Janeiro, “Fantasia para Orquestra Sinfônica”, de Anderson Alves é uma obra que leva a audiência a uma jornada abstrata e intensa por meio da música. Isso a partir da Fantasia, um gênero que permite ao compositor experimentar e criar livremente. Desse modo, com orquestração rica e complexa, cada grupo de instrumentista desempenha um papel vital na narrativa musical.

A cultura afro-brasileira retorna ao concerto de forma vibrante, na obra “Reisado do Pastoreio”, de Lorenzo Fernandez. Desse modo, em três movimentos, dos quais o último (Batuque) é o mais apoteótico, a peça se inspira na manifestação cultural homônima. Uma manifestação que combina elementos da religiosidade afro-brasileira com a tradição dos Reisados – festas populares do Nordeste. Assim, resultando em uma celebração desses elementos culturais e de sua herança musical do Brasil. Gilson Santos encerra o concerto com Retrato Brasileiro, uma mistura de várias músicas populares. Desse modo, entram “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso; “Flor de Lis”, de Djavan, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu.

Convite

A maestra Sarah Higino faz o convite. “Que o público não deixe de estar e conhecer o Palácio das Artes para assistir a essa apresentação da Sinfônica. Assim, vamos retratar o nosso povo de pele preta, que foi quem construiu este país, com muito orgulho. Me sinto muito feliz de estar em Belo Horizonte, porque também tenho raízes aqui em Minas Gerais. Desse modo, convido a todos para que venham para se divertir com a música desse concerto, que será uma festa das nossas origens”, celebra.

Serviço

Concertos da Liberdade – Dia da Consciência Negra

Orquestra Sinfônica de Minas Gerais sob a regência de Sarah Higino

Data 20/11 (segunda-feira)

Horário: 20h30

Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro)

Ingressos: R$ 10 a inteira e R$ 5 a meia-entrada, sem lugares marcados, disponíveis na Bilheteria do Palácio das Artes e na plataforma Eventim

Classificação Indicativa: Livre

Informações para o público: (31) 3236-7400

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