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Conheça o trap: sub gênero do rap é um dos que mais cresce nas plataformas digitais

Pesquisa do Spotify revela que o trap cresce 61% ao ano. Sub gênero do rap chegou ao Brasil em 2013 e já tem adeptos por todos os cantos

Por Thiago Fonseca *

14/07/2020 às 10:13 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Recayd Mob - Foto: Jef Delgado / Divulgação

Letras genéricas, efeitos que distorcem a voz, batidas graves e acompanhadas de rimas carregadas. São características do trap, que vai muito além de um gênero musical. É uma cultura. Surgido na década de 2000, em Atlanta, nos Estados Unidos, foi criado pelo DJ Paul. Mas o sucesso veio à tona em 2007. No Brasil, chegou em Guarulhos em 2013, mas foi a partir de 2017 que caiu no gosto do público.

Dados do Spotify, revelam que de 2016 a 2019 o consumo de trap no Brasil cresceu 61% ao ano. Os mais ouvidos por aqui são o cearense Matuê, o grupo paulista Recayd Mob, o também paulista Raffa Moreira e o mineiro Sidoka. Mas o estilo vem sendo amplamente explorado no país. Ebony, FBC, Djonga, Gagui Tatoo, Fabio Brazza, Baco do Exu Blues, Clara lima, Karol de Souza, Coyote Beatz e DV tribo e até Anitta (teve influências do gênero na canção BANG e colaborou em feats com Swae Lee) tem trabalhos no gênero musical.

Característica

“O trap vem do rap e tem muitas vertentes. Surge de uma cultura negra, vivenciada na favela dos EUA. O menino que quer sair da pobreza e ajudar a família. Sendo assim, as letras trazem vivências. Falam de sexo, dinheiro, poder e drogas. Tem uma batida bem marcada. É gênero musical que trouxe oportunidades. Está também no jeito de como se veste, fala, etc”, explica trapper Gagui Tatto.

Já Jé Santiago, do Recayd Mob, defende que trap e o rap são a mesma coisa. “A diferença é a estética e a sonoridade. O trap é evolução, estamos acompanhando o mundo, entramos em outra década com um mundo diferente, mais rápido, tecnológico, digital. Sendo assim, acho que tem tudo para ser uma das músicas mais escutadas do Brasil”, comenta.

Fabio Brazza transita entre o rap e o trap – Foto: Felipe Vieira / Divulgação

Legado

Recayd Mob é um dos principais grupos de trap do país. Plaqtudum, canção que estourou o quarteto, bateu 100 milhões de visualizações nesta semana. Nesse hiato, contribuiu de diversas formas para a propagação do trap por aqui. “Trazemos essa parada (o trap) para cá. É algo novo, a estética, principalmente. A Recayd é um grupo muito estético, que se importa muito com a imagem, coisa que não era tão visto no Brasil”, afirma Jé Santiago.

Gagui Tatto também quer deixar seu legado. O jovem, de 19 anos, passou pelo rap e hoje inicia a carreira no trap. Prestes a lançar o single Fumaça, no próximo dia 24, Gagui conta que se apaixonou pelo trap pela versatilidade e hoje busca um novo conceito para o gênero. “Comecei a escutar e gostei muito da batida. Minhas letras são inspiradas na minha vivência. Sendo assim, falo de carro, poder, dinheiro, família, etc. Venho de um nova geração que faz um trap diferente no Brasil. Dessa forma, espero abrir portas para novas pessoas”, conta.

Trap brasileiro

No Brasil o trap tem arrastados multidões. São adolescentes e jovens que buscam por um estilo diferente. No país também ganhou características próprias. Mesmo sendo influenciadas pelo som produzido nos Estados Unidos. “O trap é um estilo original e traz novas possibilidade de fazer rimas. No Brasil ele começou copiado de fora, por exemplo o flow e as roupas, mas já traz as gírias próprias e uma batida diferente”, conta o cantor Fabio Brazza.

O rapper lançou no dia 3 de julho o álbum Isso Não é um Disco de Rap. O nome faz alusão à mistura de gêneros nas faixas. Muitas delas, trazem o trap. “Não faço parte da cultura e não sou um trapper. O que faço é colocar o rap em batidas do trap. Minhas letras trazem verdades, sentimentos e identidade poética. Dessa forma, uso do trap para poder inovar meu trabalho e adequar a cena. O consumo pelos mais jovens tem crescido muito e ganhado hits próprios”, Conta Brazza.

 

Música Pelo Brasil: Trap

Esse crescimento chamou atenção até do Spotify que decidiu criar um documentário com foco no estilo. Música Pelo Brasil: Trap é a primeira produção audiovisual da plataforma no país. O documentário apresenta alguns dos principais personagens do cenário. Disponibilizado no YouTube, a produção de Felipe Larozza tem 20 minutos. Foi gravado em São Paulo, Guarulhos, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Nele, o diretor deixa claro que o trap nacional está mais focado em uma estética sonora do que em passar alguma mensagem. Sendo assim, no Brasil os trappers colocam nas canções a realidade em que vivem em temas abrangentes.

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