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Museu dos Meninos conta histórias de jovens do Complexo do Alemão

Projeto idealizado por Maurício Lima terá em agosto e setembro visitas digitais guiadas e comentadas por nomes como Djamila Ribeiro

Por Thiago Fonseca *

11/08/2020 às 10:13 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Maurício Lima, idealizar do Museu dos Meninos - Foto: Diogo Nascimento / Divulgação

Vídeos com relatos de jovens homens negros, moradores do Complexo do Alemão (RJ), que compõem o acervo do Museu dos Meninos, poderão ser conferidos em visitas guiadas em agosto e setembro. A iniciativa, denominada Arqueologias do Futuro, realizada via ZOOM, convida pensadores e artistas para liderar grupos todas às quartas-feiras, sempre às 15h. Nomes como o de Djamila Ribeiro (19/8) e Erica Malunguinho (2/9) estão na programação.

“O museu é um espaço onde a gente escreve e preserva a memória dos jovens enquanto eles podem contar a própria história. A ideia surgiu da minha vivência e do contato com o Atlas da Violência. Sendo assim, o projeto vem para dificultar o apagamento e o genocídio dos corpos negros, jovens e de periferia”, conta Maurício Lima, idealizador do projeto.

O projeto

O museu, que é online, foi pensado em 2016 e saiu do papel em novembro de 2019. É possível ser visitado pelo Instagram e pelo site, onde se dá a visita virtual. Dessa maneira, o acervo conta com 30 vídeos, gravados em uma laje da comunidade. São relatos de jovens entre 15 e 29 anos que mostram histórias de paternidade, empreendedorismo, sexualidade e afins. “Todos falam sobre o futuro”, explica Maurício.

Um dos relatos é de Eliel Morais, de 27 anos. Ele é professor de português, árabe e fala sobre a sobrevivência. Igor Santos, artista, que sonha estudar letras, conta sobre a descoberta da identidade. Tem ainda, a história de Vitor Mazoni, de 16 anos, que revela  como é viver na fronteira do confronto com a polícia.

Segundo dados do Atlas da Violência, de 2016, 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Entre jovens homens negros, o número é quase três vezes maior do que entre os brancos.

 

Museu traz 30 vídeos com histórias do moradores do Complexo do Alemão – Foto: Arquivo do Museu dos Meninos / Divulgação

Arqueologias do Futuro

As visitas guiadas (realizadas por videoconferência pelo ZOOM) por essas histórias convidam artistas, pensadores, políticos e ativistas negros, do Brasil e do exterior para debater questões relacionadas ao racismo a partir das obras do museu. A escritora Djamila Ribeiro participa no dia 19 de agosto e Erica Malunguinho no dia 02 de setembro.

Em resumo, os convidados serão responsáveis por discutir questões ligadas à negritude e falar sobre os vídeos do projeto. Os links de acessos às visitas guiadas são divulgados na bio Instagram do museu e do Pandemica Coletivo quinze minutos antes do início do tour. Até 500 pessoas podem participar da videoconferência. As sessões são acessíveis e contam com intérprete de libras e tradução simultânea em inglês. A programação completa você encontra nas redes sociais do museu.

Simultaneamente às visitas, o projeto ainda conta ainda com um performance. Realizada por Maurício, em síntese, ela mostra as memórias da infância e adolescência do ator, vividas na comunidade, cruzadas com as histórias dos vídeos. As apresentações são realizadas aos sábados, sempre às 16h. O patrocínio é da fundação holandesa Prince Claus Fund.

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