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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Como artistas atualizam ritmos tradicionais na música?

O duo português Fado Bicha, por exemplo, une o fado ao pop e a questões de gênero, intolerância e racismo nas letras

Por Jaiane Souza *

29/11/2019 às 15:28 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Foto: João Neto / Divulgação

A música é uma manifestação cultural milenar que é completamente diversa. Isso porque passa por inúmeros gêneros e está em constante criação. Quem produz tem o desafio de encontrar o próprio estilo ou, até mesmo, renovar e inovar. Esse é o caso de alguns artistas emergentes como, por exemplo, o duo português Fado Bicha, que se apresenta em BH no dia 30 de novembro. 

A dupla une o fado, tradicional de Portugal ao pop e a discussões atuais, como gênero. Entretanto, isso não é uma novidade da atualidade. Podemos ver casos com essa característica nas composições de Marcelo D2, por exemplo. Na canção À procura da batida perfeita dá pra perceber uma base de samba misturada ao rap. Buscando um pouco antes disso, Raul Seixas usou baião e rock como acompanhamento da letra de Let me sing, let me sing

Dessa forma, conheça outros trabalhos que andam reciclando a música tradicional?

Fado Bicha

Para começar, uma passada em Portugal. O fado é um estilo musical tradicionalmente português e foi eternizado na voz de Amália Rodrigues. Mas agora vem ganhando nova roupagem, ou seja, uma interpretação pop e política com o duo português Fado Bicha. Lila Fadista e João Caçador são os nomes responsáveis pelo trabalho que está encantando a cena musical de Portugal e se projetando mundo afora. O reconhecimento surge devido à abordagem de assuntos como o debate de questões de gênero, intolerância e racismo nas letras. 

A ideia de cantar fado profissionalmente surgiu para Lila quando fazia um trabalho na Grécia. Durante um encontro foi pedido que os participantes mostrassem algo dos países de origem dos participantes. Foi aí que ela cantou Barco negro, conhecida na voz de Amália Rodrigues. Ao voltar para Portugal, Lila entrou em uma escola de fado e percebeu que a intolerância seria um ponto forte na trajetória quando o professor de lhe disse que não podia cantar “um fado de mulher”. Desta forma, se aperfeiçoou cantando na noite. De Thiago Lila passou a ser Lila Fadista. Em um dos shows, João Caçador que estava na plateia, se ofereceu para ser guitarrista. Foi aí que surgiu o Fado Bicha. O duo se apresenta em Belo Horizonte em 30 de novembro, fazendo uma homenagem a Elza Soares. 

[O QUE] Duo português Fado Bicha [QUANDO] 30 de novembro, 22h30 [ONDE] Gruta – R. Pitangui, 3613, Horto – BH [QUANTO] R$ 15 (até 0h), R$ 20 (após 0h), pessoas trans não pagam entrada. Veja mais informações

Gaby Amarantos

Outro destaque vai para Gaby Amarantos. Natural de Belém, ela resgatou o estilo techno. O ritmo é uma das formas da eletronic dance music surgida nos Estados Unidos. Gaby cantava na igreja quando era criança e já se destacava pela sua voz grave. Foi convidada para tocar em bares no Pará com o grupo Chibantes e, posteriormente, conquistou sucesso nacional com a Banda Tecno Show. A partir disso ficou conhecida pela sua exuberância no figurino, foi uma das responsáveis pela difusão do tecnobrega. É uma mistura de ritmos regionais, como o calypso e o forró, com elementos da música eletrônica e pop.

Rosália

25 anos é a idade de Rosália. Artista catalã que está, digamos, reinventado o flamenco. E como não poderia deixar de ser, a cantora está dividindo opiniões. No começo do ano ela se apresentou no Goya, o Oscar da Espanha, e teve gente que achou exagerado. Por outro lado, tiveram aqueles que gostaram e já a consideram uma revelação do estilo. A música Malamente une o pop, urbano, eletrônico e o flamenco. A história de Rosália com a arte começou quando ela tinha 13 anos. 

O flamenco em si é a dança, o canto e a música que tem origem nas culturas cigana e mourisca. É principalmente, associada à região de Andaluzia, na Espanha. Tendo como base essas influências, Rosália já lançou dois álbuns. O primeiro é Los Ángeles, disco de 2016, que fez em parceria com o produtor Raül Refree. O segundo é El mal querer, de 2018. O projeto contou com a participação de El Guincho, artista também famosos na Espanha. 

Felipe Cordeiro

Agora imagine uma música que tem referência do brega do Pará, junto com lambada e new wave? Esse é o trabalho desenvolvido por Felipe Cordeiro. O artista está em seu quarto disco, Transpyra, e tem na lista parcerias com Dona Onete e Tulipa Ruiz. O cantor, compositor e guitarrista passa, também, por outros estilos além da lambada, como o carimbó e o tecnomelody. O primeiro disco, Kitsch pop Cult, foi lançado em 2012 e já rendeu repercussão positiva na cena independente brasileira. Depois vieram Se apaixone pela loucura do seu amor (2013), Brea époque (2017) e, agora, Transpyra

música
Foto: Wagner Meier / Getty Images
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