Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco pontos sobre o Globo de Ouro 2019

Bohemian Rhapsody venceu como melhor filme de drama e Green Book: o guia na categoria de comédia

Por Carol Braga

07/01/2019 às 11:59

Publicidade - Portal UAI
Rami Malek e os integrantes do Queen. Foto: HFPA Photographer

É, Lady Gaga, não foi dessa vez. Até a própria Glenn Close não escondeu a surpresa ao vencer o Globo de Ouro de melhor atriz pelo papel no filme A esposa. O resultado desta categoria foi a grande surpresa – para não dizer zebra – da edição de 2019 do prêmio entregue pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood na noite do dia 06 de janeiro.

Confesso surpresa também com o resultado de Bohemian Rhapsody como melhor filme de drama. Isso porque justamente a parte drama do longa é a mais frágil.

Entre os filmes, Roma e Green book: o guia; entre as séries, O método Kominsky e The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story foram as produções que se destacaram na abertura da temporada de prêmios, com duas estatuetas cada.

Menos política e mais politizado

O Globo de Ouro é uma cerimônia objetiva, sem muito espaço para emoções a não ser pelos discursos. Ainda mais em um ano em que os movimentos políticos deram uma esfriada. Vamos combinar que em 2018 o MeToo e Time is Up tiveram mais força do que em 2019. Não quer dizer que tenham passado totalmente despercebidos ou que a política não tenha aparecido.

Em tempos em que o presidente Donald Trump insiste na construção do muro para separar os Estados Unidos e o México, o reconhecimento de Roma, de Alfonso Cuarón é um ato político. Sobretudo por se tratar de um filme que exalta tanto o país vizinho, de uma maneira íntima e poética.

Glenn Close fez um dos discursos mais emocionantes da noite. Foto: HFPA Photographer

Mulheres

Vencedora do Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante por E se a rua Beale falasse, Regina King foi a mais expressiva nesse sentido. Se comprometeu a somente atuar em filmes que tenha boa parte do elenco formada por mulheres. Ao receber o Globo de Ouro pela canção Shalow, de Nasce uma Estrela, Lady Gaga falou bem pouco mas também tocou no tema. Segundo ela, como mulher no mercado da música ela sente dificuldade de ter o trabalho reconhecido.

Mas quem arrasou mesmo foi Glenn Close. Ao receber o prêmio pelo papel de uma mulher submissa que dá um basta, fez homenagens à mãe. Vale reproduzir na íntegra:

“Lembro-me da minha mãe, que foi submissa ao meu pai por toda a sua vida. Aos 80 anos, ela me disse: sinto que não conquistei nada. Isso foi muito triste. Mulheres cuidam dos filhos, é o que esperam de nós, esperam que tenhamos filhos e nos casemos, tenhamos algum parceiro… Mas temos que encontrar nossas realizações. Temos que realizar nossas vidas. Seguir nossos sonhos. Dizer: eu sou capaz isso e tenho o direito de fazer.”

Netflix coroada

O bom desempenho de Roma, de Alfonso Cuarón tem um significado enorme para a Netflix. A obra prima do diretor mexicano estreou no streaming, o que força, mais uma vez, o entendimento do que é cinema. Ao contrário do que muita gente defende, não são apenas as produções que chegam à telona. A vitória coloca a Netflix lado a lado das grandes produtoras de cinema. Aliás, um lugar que a gigante plataforma sempre quis estar.

O Método Kominsky

Além de ser mais um sinal da força da Netflix, os dois prêmios de O método Kominsky (melhor série de comédia e melhor ator para Michael Douglas) sinalizam mesmo a renovação do cardápio. Dessa maneira, a produção com apenas seis episódios e uma temporada é  prova disso. Pelo menos entre as comédias. Isso porque The Americans ganhou na categoria de drama e está na sexta temporada.

Rami Malek recebe o Globo de Ouro de melhor ator. Foto: HFPA Photographer

Briga vai ser boa no Oscar

Ator de personagens biográficos tendem a vencer. Prova disso foi o reconhecimento dos trabalhos de Rami Malek como Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody e Christian Bale, como Dick Cheney em Vice. Os dois venceram no Globo de Ouro pois disputavam em categorias diferentes, um em drama e o outro em comédia. No Oscar não tem disso. Quem será que levará a melhor???

photo

O Rei do Show: a incansável busca pela aceitação social em ritmo dançante

  A noite em que Hugh Jackman apareceu para apresentar o Oscar de 2009 foi um divisor de águas na forma como eu percebia o ator. Até então, o australiano era Wolverine e ponto. Acontece que, quem se lembrar há de concordar comigo, Jackman dançou, sapateou e sambou na cara dos apresentadores mais chatos da […]

LEIA MAIS
photo

Exposição na Casa Fiat de Cultura destaca o existencialismo na arte contemporânea da Itália

É claro que as obras contemporâneas em exposição no terceiro andar da na Casa Fiat de Cultura chamam atenção. Imagina, quem não vai reparar uma quantidade significativa de conduítes misturados a duas cadeiras penduradas no teto ou então grandes tecidos coloridos que se esparramam pela parede? No entanto, ao visitar a mostra com os trabalhos […]

LEIA MAIS
photo

Para além dos protestos: as especulações sobre os filmes favoritos ao Globo de Ouro

É bem provável que os comentaristas de moda que costumam fazer a festa no tapete vermelho do Globo de Ouro exercitem variações sobre o mesmo tema em 2018. “Meryl Streep usa um pretinho básico”. “Saoirse Ronan ousa no preto”. E assim por diante com Jessica Chastain, Emma Stone, Frances McDormand, Michelle Williams, Nicole Kidman, Margot […]

LEIA MAIS