Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco peças em cartaz no Palco Giratório que merecem atenção

Programa de circulação de peças traz ao Sesc Palladium montagens de todas as regiões brasileiras

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Todos os anos eu repito o discurso porque eu acho que ele precisa mesmo ser reafirmado. O que faz do Palco Giratório um projeto singular é a capacidade que ele tem de peneirar e fazer circular pelo país inteiro o que há de mais interessante no teatro independente. Isso já vale muito!

Pois a parada em Belo Horizonte da edição 2019 desse projeto conduzido pelo Sesc vai até o dia 2 de julho. Os ingressos custam R$ 15 (inteira) e R$ 6 (cliente Sesc). Ao todo serão 28 grupos, com 48 apresentações.

São muitos espetáculos mineiros. Entre eles, destaque para o sempre revigorante sarau De Tempo Somos, com o Grupo Galpão. Tem também o forte – e necessário – Peixes, de Ana Régis e a montagem de dança para crianças, Mexerica, da Cia Fusion de Dança.

Se eu fosse Iracema. Foto: Imatra/Divulgação

A seguir, faço breves comentários sobre algumas das peças em cartaz, em especial aquelas que vem de fora de Minas. A lista completa você encontra aqui.

Palco Giratório

Se eu fosse Iracema

A montagem protagonizada por Adassa Martins foi uma das que mais tocou em 2018. É um monólogo em que ela faz pensar sobre a invisibilidade e o absurdo que é a nossa relação com os povos indígenas. Confesso que quando vi a peça saí do teatro muito impactada e com uma vergonha imensa. A direção é de Fernando Nicolau, com dramaturgia de Fernando Marques. Uma montagem muito simples que tem a principal força na importância do tema que aborda. No fim das contas, os artistas querem questionar qual a real possibilidade de convivência entre as diferenças?

[O QUE] Se eu fosse Iracema [QUANDO] 15 de junho, 21h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium [QUANTO] R$ 15 (inteira) e R$ 6 (clientes Sesc) [COMPRE AQUI]

Palco Giratório

Tragam-me a cabeça de Lima Barreto

Mais uma montagem muito elogiada que vem do Rio de Janeiro. É também um monólogo, interpretado por Hilton Cobra. A questão aqui é o racismo. E olha que dispositivo interessante para despertar a reflexão em torno do tema. Ele narra a operação de médicos eugenistas que decidiram fazer uma autópsia na cabeça do escritor Lima Barreto. O objetivo era descobrir como um “cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”.

[O QUE] Tragam-me a cabeça de Lima Barreto [QUANDO] 22 de junho, 20h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium [QUANTO] R$15 (inteira) R$ 7,5 (meia) e R$6 (cliente Sesc) [COMPRE AQUI]

Traga-me a cabeça de Lima Barreto Foto: Adeloya Magnoni/Divulgação

 

Tandan!

Na verdade essa peça me deixou muito curiosa. A montagem da Cia Etc de Pernambuco tem capacidade de apenas 20 espectadores por sessão. Tem outro detalhe curioso: é dedicado exclusivamente para crianças de 5 a 9 anos de idade. É uma experiência de imersão em dança a partir de estímulos táteis. E sabe de onde vem a principal Inspiração? Das obras de Helio Oiticica e Lygia Clark.

[O QUE] Tandan! [QUANDO] 20 e 22 de junho, 10h [ONDE] Espaço Multiuso do Sesc Palladium [QUANTO] Gratuito com doação de 1kg de alimento

 

Teatro dos Seres Imaginários

Esse espetáculo segue a mesma vibe, porém para todas as idades. A peça dura apenas 10 minutos e é feita para uma plateia de 18 pessoas. Não há um palco convencional e os espectadores são chamados a fazer uma viagem sensitiva diferente. Criaturas fantásticas fazem voos rasantes e tiram adultos e crianças do lugar comum e da percepção convencional do que é teatro também.

[O QUE] Teatro dos Seres Imaginários [QUANDO] 26 de junho, 16h [ONDE] Sesc Carlos Prates (Rua Teófilo Otoni, 433 – Carlos Prates) [QUANTO] Gratuito com doação de 1kg de alimento

 

Aquelas – Dieta Para Caber no Mundo

Essa vem do Ceará! A Cia Manada de teatro conta a história de uma mulher que se tornou lenda: Maria de Bil. Ela foi assassinada pelo marido na década de 1920. Depois disso, virou santa para o povo de Várzea Alegre. A partir dessa trama real as atrizes discutem diversas formas de violência em nossa sociedade machista. É algo bem performático, viu! A sinopse diz, inclusive, que o “o público é convidado a participar do preparo de um indigesto jantar envolvendo facas, carne, sangue e outros elementos, oferecidos à mesa com os corpos das próprias atrizes/performers”. Deu pra ficar curiosa! São apenas 100 lugares.

[O QUE] Aquelas – Dieta Para Caber no Mundo [QUANDO] 27 de junho, 19h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium [QUANTO] R$15 (inteira) R$ 7,5 (meia) e R$6 (cliente Sesc)

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