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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco peças em cartaz no Palco Giratório que merecem atenção

Programa de circulação de peças traz ao Sesc Palladium montagens de todas as regiões brasileiras

Por Carol Braga

14/06/2019 às 18:30

Publicidade - Portal UAI
Se eu fosse Iracema. Foto: Imatra/Divulgação

Todos os anos eu repito o discurso porque eu acho que ele precisa mesmo ser reafirmado. O que faz do Palco Giratório um projeto singular é a capacidade que ele tem de peneirar e fazer circular pelo país inteiro o que há de mais interessante no teatro independente. Isso já vale muito!

Pois a parada em Belo Horizonte da edição 2019 desse projeto conduzido pelo Sesc vai até o dia 2 de julho. Os ingressos custam R$ 15 (inteira) e R$ 6 (cliente Sesc). Ao todo serão 28 grupos, com 48 apresentações.

São muitos espetáculos mineiros. Entre eles, destaque para o sempre revigorante sarau De Tempo Somos, com o Grupo Galpão. Tem também o forte – e necessário – Peixes, de Ana Régis e a montagem de dança para crianças, Mexerica, da Cia Fusion de Dança.

A seguir, faço breves comentários sobre algumas das peças em cartaz, em especial aquelas que vem de fora de Minas. A lista completa você encontra aqui.

Palco Giratório

Se eu fosse Iracema

A montagem protagonizada por Adassa Martins foi uma das que mais tocou em 2018. É um monólogo em que ela faz pensar sobre a invisibilidade e o absurdo que é a nossa relação com os povos indígenas. Confesso que quando vi a peça saí do teatro muito impactada e com uma vergonha imensa. A direção é de Fernando Nicolau, com dramaturgia de Fernando Marques. Uma montagem muito simples que tem a principal força na importância do tema que aborda. No fim das contas, os artistas querem questionar qual a real possibilidade de convivência entre as diferenças?

[O QUE] Se eu fosse Iracema [QUANDO] 15 de junho, 21h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium [QUANTO] R$ 15 (inteira) e R$ 6 (clientes Sesc) [COMPRE AQUI]

Palco Giratório

Tragam-me a cabeça de Lima Barreto

Mais uma montagem muito elogiada que vem do Rio de Janeiro. É também um monólogo, interpretado por Hilton Cobra. A questão aqui é o racismo. E olha que dispositivo interessante para despertar a reflexão em torno do tema. Ele narra a operação de médicos eugenistas que decidiram fazer uma autópsia na cabeça do escritor Lima Barreto. O objetivo era descobrir como um “cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”.

[O QUE] Tragam-me a cabeça de Lima Barreto [QUANDO] 22 de junho, 20h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium [QUANTO] R$15 (inteira) R$ 7,5 (meia) e R$6 (cliente Sesc) [COMPRE AQUI]

Traga-me a cabeça de Lima Barreto Foto: Adeloya Magnoni/Divulgação

 

Tandan!

Na verdade essa peça me deixou muito curiosa. A montagem da Cia Etc de Pernambuco tem capacidade de apenas 20 espectadores por sessão. Tem outro detalhe curioso: é dedicado exclusivamente para crianças de 5 a 9 anos de idade. É uma experiência de imersão em dança a partir de estímulos táteis. E sabe de onde vem a principal Inspiração? Das obras de Helio Oiticica e Lygia Clark.

[O QUE] Tandan! [QUANDO] 20 e 22 de junho, 10h [ONDE] Espaço Multiuso do Sesc Palladium [QUANTO] Gratuito com doação de 1kg de alimento

 

Teatro dos Seres Imaginários

Esse espetáculo segue a mesma vibe, porém para todas as idades. A peça dura apenas 10 minutos e é feita para uma plateia de 18 pessoas. Não há um palco convencional e os espectadores são chamados a fazer uma viagem sensitiva diferente. Criaturas fantásticas fazem voos rasantes e tiram adultos e crianças do lugar comum e da percepção convencional do que é teatro também.

[O QUE] Teatro dos Seres Imaginários [QUANDO] 26 de junho, 16h [ONDE] Sesc Carlos Prates (Rua Teófilo Otoni, 433 – Carlos Prates) [QUANTO] Gratuito com doação de 1kg de alimento

 

Aquelas – Dieta Para Caber no Mundo

Essa vem do Ceará! A Cia Manada de teatro conta a história de uma mulher que se tornou lenda: Maria de Bil. Ela foi assassinada pelo marido na década de 1920. Depois disso, virou santa para o povo de Várzea Alegre. A partir dessa trama real as atrizes discutem diversas formas de violência em nossa sociedade machista. É algo bem performático, viu! A sinopse diz, inclusive, que o “o público é convidado a participar do preparo de um indigesto jantar envolvendo facas, carne, sangue e outros elementos, oferecidos à mesa com os corpos das próprias atrizes/performers”. Deu pra ficar curiosa! São apenas 100 lugares.

[O QUE] Aquelas – Dieta Para Caber no Mundo [QUANDO] 27 de junho, 19h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium [QUANTO] R$15 (inteira) R$ 7,5 (meia) e R$6 (cliente Sesc)

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